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“Ozempic” para gatos? Empresa testa medicamento para emagrecer pets

Ideia é inserir sob a pele dos pets uma cápsula que libera a molécula aos poucos

Por Bruno Carbinatto
6 dez 2025, 18h00 •
  • Medicamentos para emagrecer como o Ozempic, Mounjaro e o Wegovy já dominaram o mundo: 1 em cada 8 americanos relata já ter usado pelo menos um deles, e o Brasil é o segundo país que mais pesquisa pelos remédios na internet. Agora, a febre do emagrecimento pode estar prestes a chegar para os Toms, Lunas e Ninas do Brasil.

    A Okava Pharmaceuticals, uma companhia farmacêutica de São Francisco, nos EUA, anunciou que está testando um medicamento análogo ao GLP-1 para tratar a obesidade em gatos – o primeiro uso veterinário dessa abordagem até agora. Os primeiros resultados devem sair no meio de 2026.

    Ozempic, Mounjaro e outros medicamentos do tipo são conhecidos como “análogos de GLP-1” porque imitam a atuação do GLP-1, um hormônio produzido naturalmente no nosso intestino. Eles foram desenvolvidos para o tratamento do diabetes e se popularizaram como ferramentas eficazes para a perda de peso e o combate à obesidade.

    Em humanos, eles são aplicados geralmente por meio de “canetas”, com injeções periódicas. Para a versão pet, porém, a empresa está testando uma abordagem diferente: os gatos receberão um pequeno implante injetável que irá liberar o medicamento em seus corpos aos poucos, ao longo de seis meses.

    A cápsula implantável contém a molécula exenatida, que é usada em humanos para tratar o diabetes. Não é a mesma que a semaglutida (usada no Ozempic), mas são parecidas.

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    A ideia do teste, que foi apelidado de MEOW-1, é atingir cerca de 50 gatos participantes, sendo que uma parte receberá o medicamento e outra parcela tomará apenas um placebo.

    O objetivo do experimento não é encaixar os bichanos num padrão de beleza; a ideia é combater a obesidade entre os pets, que pode ser bastante prejudicial à saúde felina. Hoje, não há tratamentos veterinários específicos para a condição além de dieta e exercícios físicos – uma estratégia de longo prazo que nem sempre é viável de se manter.

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    Os análogos de GLP-1 mandam o pâncreas aumentar a produção de insulina, sinalizam para o estômago segurar a comida por lá (aumentando a sensação de saciedade) e avisam o hipotálamo que não precisamos mais sentir fome.

    Ainda há poucos estudos sobre o uso dessas moléculas em animais domésticos, mas os dados preliminares mostram que eles parecem funcionar da mesma forma nos pets. Alguns veterinários já começaram a aplicar as mesmas injeções feitas para humanos em cachorros e gatos de forma “off label”, isto é, fora da bula, a fim de tratar obesidade e diabetes. No entanto, ainda não há uma formulação específica para o uso veterinário.

    Se os resultados do primeiro teste derem certo, outros estudos maiores deverão ser feitos antes da empresa poder pedir autorização da FDA, a Anvisa americana, para vender o medicamento no mercado.

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