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Turistas são “obrigados a fumar” nas principais capitais europeias

Segundo estudo, morar em Paris por um ano é o mesmo que fumar 183 cigarros. Em Londres, 252. E o fenômeno se repete nas principais capitais do Velho Mundo

Por Ingrid Luisa - 13 ago 2018, 20h01

Passar as férias de verão em Paris é um sonho para muita gente. Mas, se esse for seu caso, é bom estar preparado: ficar quatro dias na Cidade Luz equivale a fumar dois cigarros. Se a estadia for de um ano, as consequências são as mesmas de alguém que consumiu 183 cigarrinhos. E, para se ter ideia, ela nem é a pior capital europeia nesse quesito – Praga é duas vezes mais problemática.

Essas estimativas vêm de um estudo realizado pela associação Transport & Environment, que comparou a contaminação do ar com o número de cigarros que traria os mesmos malefícios à saúde. Os dados podem até parecer pouco para quem é fumante (e consome um maço por dia, por exemplo), mas para os que não fumam é um dado bem significativo: apenas respirar o ar de Paris já faz você virar um fumante passivo. Veja os dados de outras capitais, para quatro dias de estadia, no mapa abaixo:

Transport & Environment/Superinteressante

O problema é bem mais grave no verão, quando há muitos turistas. “Nos dias em que a poluição está pior, somos aconselhados a não comer ou fazer exercício fora de casa”, diz Jens Müller, da Transport & Environment. “Mas caminhar e ir a restaurantes abertos é o que mais acontece em cidades turísticas. Neste momento, visitantes, incluindo crianças, são mais ou menos forçados a fumar, em termos de impactos na saúde.

Para a pesquisa, os cientistas mediram o número de partículas PM2.5, ou partículas finas, conhecidas por desencadear doenças respiratórias e cardiovasculares – e que são pequenas o suficiente para invadir até mesmo as menores vias aéreas do corpo humano. Segundo os pesquisadores, inalar 22 microgramas/m3 desses poluentes causa as mesmas consequências do que fumar um cigarro (imagine ao final de um dia ou uma semana inteira).

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Os autores do estudo acreditam que os carros são os grandes poluentes nessas cidades, principalmente durante o verão. Esse problema é tão recorrente que, em 2017, a prefeitura da capital francesa foi processada por uma professora de ioga devido aos “danos provocados à sua saúde” pela poluição. Neste ano, a própria União Europeia (UE) acusou cinco países (incluindo Alemanha, França e Inglaterra) de não respeitarem os limites de qualidade do ar.

Se a Europa não quer perder turistas, é bom ficar de olho – cidades como Pequim e Hong Kong já lidam há um tempo com a queda no número de visitantes por causa do ar sujo. Se a situação continuar a mesma no Velho Continente, isso também pode acontecer com as tão cobiçadas capitais europeias.

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