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E se todos os carros fossem autônomos?

Os acidentes diminuiriam, assim como os congestionamentos. E estaríamos no caminho para que os céus fossem tomados por carros voadores.

Por Fábio Marton e Alexandre Versignassi Atualizado em 14 abr 2022, 11h49 - Publicado em 14 abr 2022, 11h48

É o fim dos congestionamentos: filas de carros andam em velocidade constante, sem interrupções, levando dentro passageiros que simplesmente ficam jogando no celular ou lendo um livro no caminho. É como se os carros fizessem parte de um trem virtual, que ganha ou perde vagões conforme mudam de via, num movimento ininterrupto. Se o Waze disser que você chega às 19h04, você chega às 19h04. Quase não há surpresas, como nos melhores sistemas ferroviários.

Também ficam como uma memória trágica do passado com acidentes de trânsito, que se tornariam tão raros quanto quedas de avião. E ainda o barulho e a poluição: afinal, falamos de uma frota inteira de elétricos. O motor a combustão interna vai deixar de existir antes de a automação total ser algo possível.

A União Europeia se comprometeu a banir a produção dos veículos poluidores a partir de 2035. O Reino Unido adiantou-se mais ainda. Boris Johnson anunciou que, em oito anos, só será permitida a fabricação de carros elétricos em território britânico. E não são só governos. As montadoras caminham nessa direção por conta própria. Volvo e Mercedes, por exemplo, produzirão só elétricos a partir de 2030.

A autonomia total dos carros não é um futuro tão líquido e certo quanto a eletrificação. Mas é a tendência. Os melhores carros de hoje fazem baliza sozinhos, mudam de faixa na estrada, sabem os limites de velocidade de cada área (isso tem no Waze) e freiam diante de pedestres.

A Tesla se tornou a montadora mais valiosa do mundo em grande parte por ter dado um passo além nessa área. Pelo equivalente a R$ 55 mil, donos de Teslas podem adquirir um pacote de software chamado full self driving (direção autônoma total). Em tese, ele permite que você entre no carro na garagem, digite o endereço de destino e pronto: o veículo faz o caminho por conta própria.

Mas não é tão simples. Um dono de Tesla definiu bem, numa entrevista recente à CNN americana: “É como dirigir com a minha avó ao volante. Às vezes ele erra, tipo, ‘não, vó, essa rua é contramão’”.

Por essas que a própria Tesla deixa claro que, apesar do nome, seu automóvel requer supervisão constante do motorista. Ou seja: ainda é um brinquedo. Mas um que tende a evoluir com o tempo.

No dia em que a vovó ao volante de hoje converter-se num sistema confiável, simplesmente não haverá espaço para motoristas humanos. Estima-se que 1,35 milhão de pessoas morram a cada ano em acidentes de trânsito. É o equivalente a uma pandemia de Covid a cada cinco anos – com o detalhe de que o número cresce com o tempo.

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Numa realidade com carros autônomos realmente funcionais, seria mais seguro deixar todo o trânsito nas mãos dos computadores, tanto nas cidades quanto nas estradas.

E isso alteraria completamente o design dos carros. No final do século 19, quando Karl Benz inventou o automóvel, nem volante havia, só uma alavanca de direção, tal como as carroças. Eram charretes sem cavalos. Afinal, todo mundo andava de charrete antes. Esse era o design natural para o transporte. Mesmo o Ford Modelo T, de 1908, primeiro veículo automotor adotado de forma massiva, parecia uma carruagem. Com o tempo, os carros foram ficando com cara de carro.

Numa realidade autônoma, essa cara mudaria. Para quê volante? E você precisaria mesmo ficar sentado com a cara no vidro dianteiro, de costas para os passageiros de trás? Claro que não. A lógica diz que o interior dos carros ficaria parecido com a sala de um apartamento.

Com os carros locomovendo-se por conta própria, não haveria sequer a necessidade de observar o que estivesse acontecendo do lado de fora. Pessoas gostam de janelas, e de ver e ser vistas, então seguiríamos com janelas e para-brisas. Mas todos os carros teriam a função de deixar as áreas envidraçadas completamente opacas quando os ocupantes quisessem privacidade. Sim, e daria para fazer no trânsito aquilo que Paul McCartney canta em “Why Don’t We Do It in the Road?” (algo como “Por que é que a gente não faz na estrada de uma vez?”).

Em algum momento, até os céus seriam tomados por essa frota robótica. Várias empresas desenvolvem “carros voadores” (Embraer incluída). São os eVTOLs (sigla para Veículos Elétricos de Pouso e Decolagem Vertical). Trata-se basicamente de helicópteros elétricos – ou drones gigantes, se você preferir. A ideia é que um dia não custem muito mais do que um carro.

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E eles já são pensados para funcionar de forma autônoma. Não por futurismo, mas por viabilidade econômica, já que pilotos de avião custam caro. A ideia por trás dos eVTOLs é criar frotas de “Uber” capazes de transportar passageiros pelo ar – só passageiros mesmo, sem condutor. A própria Uber já tem uma empresa voltada para desenhar esse futuro: a Uber Air.

Bom, a locomoção aérea tem a vantagem de ser tridimensional – enquanto a terrestre só conta com duas dimensões (para frente/para trás e esquerda/direita). O natural, então, é que a maior parte da locomoção acabe indo para o ar.

E aí teríamos outro problema: os céus das grandes cidades ficariam escuros, com várias camadas de veículos voadores autônomos sobre as nossas cabeças. Pobres dos nossos netos.

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