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Museu Nacional resgata fóssil de dinossauro de 80 milhões de anos

As vértebras da espécie ainda não identificada foram encontradas praticamente intactas nos escombros do incêndio de 2018.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 7 abr 2021, 15h13 - Publicado em 7 abr 2021, 15h10

O incêndio do Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, entristeceu não apenas pesquisadores, mas todos aqueles que compreendiam a importância de seu acervo para a ciência. Dois anos após o incidente, ainda não é possível comemorar a reconstrução total do local, mas o resgate de algumas peças traz esperança aos cientistas que poderão seguir com seus estudos. 

Nesta terça-feira (6), foi anunciada a recuperação de um fóssil de dinossauro de 80 milhões de anos. As vértebras do animal foram encontradas pela primeira vez durante uma expedição no Mato Grosso, que durou de 2003 até 2006. Em fevereiro deste ano, o fóssil foi novamente desenterrado, agora sob os escombros do incêndio. 

Os pesquisadores ainda não sabem dizer a qual espécie as vértebras pertencem, e apelidaram o fóssil de “dinossauro do Mato Grosso”. A investigação estava sendo feita antes do desastre, mas agora as análises devem ser retomadas. Os paleontólogos acreditam que seja uma nova espécie de titanossaurídeo, dinossauro conhecido pelo pescoço comprido. Alexander Kellner, diretor do museu, acredita que o fóssil será descrito até 2022.

O esqueleto estava no térreo do Palácio de São Cristóvão e foi esmagado pelos dois andares superiores do local. Os pesquisadores pensavam que não encontrariam mais as vértebras fossilizadas, mas aparentemente o soterramento ajudou a manter o material praticamente intacto, evitando seu contato direto com o fogo. Além disso, durante a fossilização, os ossos também passam por um processo chamado de substituição mineral, o qual os cientistas sugerem que pode ter ajudado o esqueleto a resistir não só ao incêndio, mas também ao desabamento do museu.

  • O fóssil não foi a primeira e provavelmente não será a última peça do acervo a ser reencontrada. O crânio de Luzia, o esqueleto humano mais antigo da América, e os amuletos do sarcófago da múmia Sha-Amun-em-Su também foram recuperados. Consta ainda na lista uma parte dos minerais da Coleção Werner, meteoritos como o Bendegó e o Santa Luzia e também afrescos de Pompeia, que sobreviveram à erupção do Vesúvio.

    No começo, a equipe de busca contava com 76 profissionais, entre estudantes, professores e trabalhadores terceirizados. Desde então, foram encontrados 14 itens de 25 coleções do palácio, mas alguns setores, como o de memória e arquivo e também de entomologia (insetos) foram quase que inteiramente perdidos. A equipe atual é formada por 30 pessoas, que devem continuar procurando por peças nas três salas do museu ainda não exploradas. Todo o processo de recuperação do acervo foi registrado no livro recém lançado 500 dias de Resgate: Memória, Coragem e Imagem.

    Por enquanto, o material está sendo guardado em contêineres do lado de fora do palácio, mas deve ser transferido em breve para o novo campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lá, as peças serão armazenadas em uma sala com umidade e temperatura controladas. Quando o trabalho de coleta nos escombros for finalizada, os cientistas poderão iniciar o inventário dos acervos, anotando quais artefatos foram recuperados e também o  estado de conservação de cada um após o incêndio. 

    As obras de reconstrução do palácio devem ser iniciadas apenas no final de junho, com inauguração da fachada e dos jardins do local marcada para setembro de 2022. A reconstrução total do prédio, por outro lado, deve ser finalizada apenas em 2025.

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