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Os orixás mais populares do Brasil

Conheça a ficha completa das 12 divindades do candomblé brasileiro. Divinizados há 5 mil anos, os orixás representam homens e mulheres com capacidade de alterar o curso da natureza

Por Patricia Hargreaves - Atualizado em 3 abr 2018, 15h59 - Publicado em 2 abr 2018, 13h31

Atualmente no Brasil são cultuados apenas 12 orixás. Já foram 16: quatro deles (Obá, Logunedé, Ewa e Irôco) há algum tempo só se manifestam em ocasiões bissextas, basicamente em festas e rituais específicos. Um número pequeno, diante dos mais de 200 existentes na África Ocidental, a célula mater dessas divindades.

Reza a tradição que os deuses dos terreiros têm origem nos clãs africanos, divinizados há mais de 5 mil anos. A história que se conta é que eles foram inspirados em homens e mulheres capazes de intervir nas forças da natureza por meio de caça, plantio, uso de ervas na cura de doenças e fabricação de ferramentas. Os orixás têm características humanas, virtudes e defeitos: podem ser vaidosos, temperamentais, ciumentos, maternais. Os atributos, quase sempre, têm um paralelo com o meio ambiente.

A equivalência entre os orixás e os santos da Igreja Católica surgiu no período colonial, com a chegada ao Brasil dos primeiros africanos de origem iorubá, povo que habitava a região atual de Nigéria, Benin e Togo. Adeptos do candomblé, eles eram proibidos de adorar suas divindades porque a religião oficial do País era o catolicismo. Para driblar a censura, os negros criaram a associação e seguiam assim praticando sua fé. Por isso, o sincretismo pode variar de acordo com a região do Brasil.

Assim como o candomblé, a umbanda também cultua os orixás. Mas os umbandistas representam essas divindades com imagens diferentes, além de cultuarem outros três espíritos, o preto velho, o caboclo e a pombagira – nenhum deles aparece no candomblé.

Confira, a seguir, “os doze do candomblé”:

Iemanjá

Considerada a deusa dos mares e oceanos. É a mãe de todos os orixás e representada com seios volumosos, simbolizando a maternidade e a fecundidade.

Lambuja/Superinteressante

Personalidade
Maternal e tranquila

Elemento
Água

Símbolo
Leque, espada e espelho

Colar
Transparente, verde ou azul-claro

Roupas
Branco e azul

No sincretismo
Nossa Senhora, Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Glória

Dia da semana
Sábado

Oferendas
Feijoada, xinxim e inhame

Sacrifícios
Cabra, galinha e porco

 

Xangô

Deus do fogo e do trovão. Diz a tradição que foi rei de Oyó, cidade da Nigéria. É viril, violento e justiceiro. Castiga mentirosos e protege advogados e juízes.

Lambuja/Superinteressante

Personalidade
Atrevido e prepotente

Elemento
Fogo

Símbolo
Machado duplo (oxé)

Colar e roupas
Branco e vermelho

No sincretismo
São Jerônimo, Santo Antônio, São Pedro, São João Batista, São José e São Francisco de Assis

Dia da semana
Quarta

Oferendas
Amalá (quiabo com camarão seco e dendê)

Sacrifícios
Galo, pato, carneiro e cágado

 

Iansã

Deusa dos ventos e das tempestades. É a senhora dos raios e dona da alma dos mortos.

Lambuja/Superinteressante

Personalidade
Impulsiva e imprevisível

Elemento
Fogo

Símbolo
Espada e rabo de cavalo (representando a natureza)

Colar
Vermelho ou marrom-escuro

Roupas
Vermelho

No sincretismo
Santa Bárbara

Dia da semana
Quarta

Oferendas
Milho branco, arroz, feijão e acarajé

Sacrifícios
Cabra e galinha

 

Oxóssi

Deus da caça. É o grande patrono do candomblé brasileiro.

Carybé/Superinteressante

Personalidade
Intuitivo e emotivo

Elemento
Florestas

Símbolo
Rabo de cavalo e chifre de boi

Colar
Branco rajado e verde

Roupas
Azul ou verde-claro

No sincretismo
São Sebastião

Dia da semana
Quinta

Oferendas
Peixe, milho branco e amarelo

Sacrifícios
Galo avermelhado, bode avermelhado e porco

 

Ogum

Deus da guerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso.

Carybé/Superinteressante

Personalidade
Tímido e vingativo

Elemento
Terra

Símbolo
Espada

Colar
Azul-marinho

Roupas
Azul (com verde-escuro, vermelho ou amarelo)

No sincretismo
Santo Antônio e São Jorge

Dia da semana
Terça

Oferendas
Farofa com dendê, feijão, inhame, água, mel e aguardente

Sacrifícios
Galo avermelhado e bode avermelhado

 

Oxum

Deusa das águas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor.

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Personalidade
Maternal e tranquila

Elemento
Água

Símbolo
Abebê (leque espelhado)

Colar e roupas
Amarelo-ouro

No sincretismo
Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Candeias

Dia da semana
Sábado

Oferendas
Milho branco, xinxim de galinha, ovos, peixes de água doce

Sacrifícios
Cabra, galinha e pomba

 

Exu

Mensageiro entre os homens e os deuses, guardião da porta da rua e das encruzilhadas. Só por meio dele é possível invocar os orixás.

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Lambuja/Superinteressante

Personalidade
Atrevido e agressivo

Elemento
Fogo

Símbolo
Ogó (um bastão adornado com cabaças e búzios)

Colar e roupas
Vermelho e preto

No sincretismo
Santo Antônio

Dia da semana
Segunda

Oferendas
Farofa com dendê, feijão, inhame, água, mel e aguardente

Sacrifícios
Bode e galo preto

 

Omulu (ou Obaluiaiê)

Deus da peste das doenças da pele. É o médico dos pobres.

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Personalidade
Tímido e vingativo

Elemento
Terra

Símbolo
Xaxará (feixe de palha e búzios)

Colar
Preto, branco e vermelho

Roupas
Vermelho e preto (tudo coberto de palha)

No sincretismo
São Lázaro e São Roque

Dia da semana
Segunda

Oferendas
Pipoca, feijão preto, farofa e milho – tudo regado a dendê

Sacrifícios
Galo, pato, bode e porco

 

Nanã

Deusa da lama e do fundo dos rios, associada à fertilidade, à doença e à morte. É a orixá mais velha de todos e por isso muito respeitada.

Carybé/Superinteressante

Personalidade
Vingativa e mascarada

Elemento
Terra

Símbolo
Ibiri (cetro de palha e búzios)

Colar
Branco, azul e vermelho

Roupas
Branco e azul

No sincretismo
Sant’Ana

Dia da semana
Sábado

Oferendas
Milho branco, arroz, feijão, mel e dendê

Sacrifícios
Cabra e galinha

 

Ossaim

Deus das folhas e ervas medicinais. Conhece seus usos e as palavras mágicas (ofós) que despertam seus poderes.

Carybé/Superinteressante

Personalidade
Instável e emotivo

Elemento
Matas

Símbolo
Lança com pássaros na forma de leque e feixe de folhas

Colar
Branco rajado e verde

Roupas
Branco e verde-claro

No sincretismo
São Roque

Dia da semana
Quinta

Oferendas
Feijão, arroz, milho vermelho e farofa de dendê

Sacrifícios
Galo e carneiro

 

Oxumaré

Deus da chuva e do arco-íris. É, ao mesmo tempo, de natureza masculina e feminina. Transporta a água entre o céu e a terra.

Carybé/Superinteressante

Personalidade
Sensível e tranquilo

Elemento
Água

Símbolo
Cobra de metal

Colar
Amarelo e verde

Roupas
Azul-claro e verde-claro

No sincretismo
São Bartolomeu

Dia da semana
Quinta

Oferendas
Milho branco, acarajé, coco, mel, inhame e feijão com ovos

Sacrifícios
Bode, galo e tatu

 

Oxalá

Deus da criação. É o orixá que criou os homens. Obstinado e independente, é representado de duas maneiras: Oxaguiã, jovem, e Oxulafã, velho.

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Personalidade
Equilibrado e tolerante

Elemento
Ar

Símbolo
Oparoxó (cajado de alumínio com adornos)

Colar e roupas
Branco

No sincretismo
Jesus Cristo

Dia da semana
Sexta

Oferendas
Milho branco, xinxim de galinha, ovos e peixes de água doce

Sacrifícios
Cabra, galinha, pomba, pata e caracol

 

Calendário de festas

Janeiro
Festa de Oxalá (coincide com a festa do Bonfim, em Salvador), no segundo domingo depois do Dia de Reis, 6 de janeiro.

Abril
Feijoada de Ogum e festa de Oxóssi (associado a São Sebastião), em qualquer dia.

Junho
Fogueiras de Xangô (associado a São João e São Pedro), dias 25 e 29.

Agosto
Festa para Obaluaiê (associado a São Lázaro e São Roque) e festa de Oxumaré (associado a São Bartolomeu), em qualquer dia.

Setembro
Começa um ciclo de festas chamado Águas de Oxalá, que pode seguir até dezembro. Festa de Erê, em homenagem aos espíritos infantis (associados a São Cosme e Damião). Festa das iabás (esposas de orixás) e festa de Xangô (associado a São Jerônimo), em qualquer dia.

Dezembro
Festas das iabás Iansã (Santa Bárbara), dia 4, Oxum e Iemanjá (associadas a Nossa Senhora da Conceição), dia 8. Iemanjá também é homenageada na passagem de ano.

Quaresma
O encerramento do ano litúrgico acontece durante os 40 dias que antecedem a Páscoa, com o Lorogun, em homenagem a Oxalá.

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