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Clubhouse: quando surgiu e como funciona a rede social por áudios

O aplicativo viralizou na última semana após a adesão de famosos como Elon Musk. Saiba qual a graça das salas exclusivas de bate-papo.

Por Maria Clara Rossini Atualizado em 12 fev 2021, 14h25 - Publicado em 9 fev 2021, 19h06

Caso você tenha ficado fora da internet nos últimos dias, Clubhouse é uma rede social baseada em conversas por áudios, bem diferente dos tradicionais feeds do Facebook e Instagram. Talvez nenhum aplicativo tenha tido uma adesão tão ampla no Brasil quanto ela. A rede ganhou maior popularidade no último final de semana, e chegou a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter na segunda-feira (8).

A melhor maneira de descrever o aplicativo é como uma grande festa em que você pode transitar entre os mais diversos grupos de conversa. Uma hora, você entra em um bate-papo sobre a cultura do cancelamento. Se a conversa estiver desinteressante, é só sair e entrar em uma sala que está comentando o Big Brother Brasil ao vivo. Por fim, para se recuperar de toda a negatividade do reality, você entra em uma sessão de meditação guiada.

Print do aplicativo Clubhouse, mostrando as salas de conversa
Print do aplicativo Clubhouse, mostrando “feed” com salas de conversa Clubhouse/Arquivo pessoal

As sugestões de sala aparecem no “feed” do aplicativo. Os usuários podem ser palestrantes, moderadores ou ouvintes. O moderador é quem cria a sala e têm o poder de convidar, silenciar ou remover palestrantes. Já os palestrantes são aqueles que podem entrar na sala e falar à vontade. Eles podem ser famosos, influenciadores, especialistas em determinado assunto ou mesmo pessoas comuns que queiram compartilhar sua opinião e experiência – muito do que acontece em plataformas como o Twitter, por exemplo.

Print do aplicativo Clubhouse, mostrando participantes de uma sala de conversa
Print do aplicativo Clubhouse, mostrando participantes de uma sala de conversa Clubhouse/Arquivo pessoal

Os ouvintes entram nas salas com o microfone no mudo e devem levantar a mão se quiserem falar. Aí, cabe ao moderador autorizar ou não o pitaco. Ao contrário das lives do Instagram, é possível entrar e sair das conversas sem fazer alarde – não surge nenhuma notificação, e seu nome só aparece na lista de ouvintes.

Além das salas públicas, em que qualquer um pode entrar, também existe a opção de criar salas sociais (apenas para seus seguidores) ou privadas (só para quem o moderador convidar). Elas geralmente têm títulos e tratam de temas específicos, mas a delimitação não é obrigatória. No final das contas, o modelo parece uma mistura de podcast com o saudoso bate-papo da UOL.

Se você já está pensando em criar uma conta para ver como a rede funciona na prática, é bom ir com calma. São necessárias duas coisas para começar a participar das conversas: um iPhone e um convite de um amigo. Por enquanto, o aplicativo só está disponível para iOS, sistema operacional da Apple.

Um relatório do Google divulgado em 2020 estima que 9 de cada 10 smartphones brasileiros usem o sistema Android. E mesmo que você faça parte dos menos de 10% com iPhone, ainda não é garantia que irá entrar na rede. Você precisa ser convidado por alguém que já está lá dentro (cada usuário recebe dois convites para distribuir para quem quiser), ou entrar em uma lista de espera e aguardar que algum amigo lhe chame.

Segundo o especialista em tecnologia e palestrante Arthur Igreja, a exclusividade faz parte do apelo da rede social, mas a restrição não deve durar muito tempo. “Eu suspeito que eles vão expandir o número de usuários no momento adequado. A forma mais interessante de atrair usuários é fazer com que muita gente fique sabendo de você (o que está acontecendo), cria um desejo nas pessoas, e depois lança um aplicativo para Android e aumenta o número de convites para 50 pessoas, aí vai ter uma explosão”, diz Arthur.

No próprio guia de usuário da rede, os desenvolvedores dizem que pretendem expandir o público: “nós queremos garantir que, à medida em que crescemos, todas as pessoas tenham uma boa experiência, então estamos adicionando novos usuários em ondas”, escrevem.

Por mais que a curiosidade e exclusividade atraia novos usuários, o que mais contribuiu para o sucesso da rede foi a adesão de pessoas famosas. Nos Estados Unidos, celebridades como Oprah Winfrey, Chris Rock e Drake já estão no aplicativo. Por aqui, Anitta, Luciano Huck e Felipe Neto também integram a rede, onde têm a liberdade de conversar com o público sem edições ou filtros. As conversas ocorrem apenas ao vivo e não podem ser salvas.

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  • Como surgiu

    O aplicativo foi lançado em abril de 2020 por dois ex-diretores do Google, Paul Davison e Rohan Seth. Ao longo do ano passado, o aplicativo passou por versões de teste e permaneceu mais restrito a um público restrito dos Estados Unidos. “A Clubhouse surgiu no Vale do Silício para ser uma espécie de rádio dos personagens de lá […] O atrativo para os ouvintes é observar um debate quente como se estivesse olhando pela fresta da porta”, diz Arthur Igreja.

    Por causa disso, as salas de conversa nos Estados Unidos costumam focar mais em tecnologia, inovação e investimento. Até dezembro, a rede tinha acumulado 600 mil usuários.

    O jogo virou no dia 31 de janeiro, quando Elon Musk anunciou pelo Twitter que participaria de uma conversa na Clubhouse. Apenas uma semana após causar um caos em Wall Street, o bilionário fundador da Tesla e SpaceX atraiu milhões de pessoas para a nova rede social de áudios. 

    Semanas após o barulho, a rede já conta com seis milhões de usuários. “Isso chama a atenção porque o Instagram, por exemplo, demorou dois anos para atingir a marca dos seis milhões. A Clubhouse fez isso na metade do tempo, então chama muito a atenção”.

    No Brasil, o cenário foi outro. O interesse por aqui aumentou quando o diretor do Big Brother Brasil, José Bonifácio Brasil de Oliveira (Boninho), entrou no aplicativo para comentar o reality show com o público. Muita gente conheceu o Clubhouse por aí e logo surgiram várias salas temáticas sobre o BBB, com comentários de personalidades da internet e influenciadores.

    É seguro?

    À princípio, o aplicativo não teve nenhum incidente de falha de segurança ou vazamento de dados dos usuários. No entanto, com o aumento estrondoso da rede e adesão de pessoas importantes nas últimas semanas (vide o segundo homem mais rico do mundo), é possível que ela entre no radar de hackers e golpistas.

    É mais provável que os golpes apareçam em paralelo à plataforma – que, aliás, já podem estar acontecendo. Devido à exclusividade da rede, alguns convites estão sendo vendidos em outros sites, como a OLX e o Mercado Livre, por preços que variam de 60 a 300 reais. O risco de pagar e não receber o acesso fica na conta do comprador.

    A pergunta final é: o fenômeno vai durar? Não tem como saber. Para as pessoas que reclamam dos áudios de um minuto no WhatsApp, o Clubhouse pode parecer o inferno na Terra. Mas a popularidade instantânea da rede mostra que muitas pessoas gostam e até preferem o formato de áudio – algo que já era evidenciado pela ascensão dos podcasts. O jeito é já colocar o nome na lista de espera e ver no que vai dar.

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