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Como funciona a Internet. E como fazer parte dela.

Como se integrar na rede mundial de computadores que já reúne 45 milhões de usuários em todo o mundo.

Marco Chiaretti

Saiba como se integrar na rede mundial de computadores que já reúne 45 milhões de usuários. A Internet revoluciona o jeito de pesquisar, vender e comprar mercadorias e serviços na aldeia global. Agora, diz a Embratel, qualquer um vai poder ligar o seu micro e, através da tela, fazer compras, consultar bibliotecas no exterior, ou, simplesmente, conversar com gente de todo o planeta.

Você está sentado em sua casa. Decide ler um livro. Obra rara, mais do que esgotada. Onde achá-lo? Na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que, com suas dezenas de milhões de volumes, é a maior do planeta. Lá está. Achou o livro. Uma ordem, e uma cópia xerox será enviada. Está contente, mas ficou com fome. Pede uma pizza. Está com sono, mas resolve mandar um bilhete a um amigo perdido no meio do Himalaia. Lá vai o bilhete. Você está na Internet.

Há anos, o Brasil já faz parte dessa rede mundial de redes de computadores, que no total, já liga quase 40 milhões de pessoas. Mas, até hoje, só pesquisadores e professores universitários podiam usá-la. Agora a Embratel promete ampliar seu acesso a todos os interessados. A estatal acha que vai dar conta da demanda. Começou a testar sua rede com 250 usuários. O custo, na fase de testes, era o mesmo que seu serviço de transmissão de dados, o Renpac (cerca de 3 centavos por minuto de uso). Mais tarde, o serviço deve ficar mais caro.

Você vai precisar de um computador, um programa de comunicação, um modem (o aparelho que faz a conexão com a rede telefônica) e uma senha. Dentro da rede, há muitos truques. Entre nessa reportagem e descubra o que mais interessa.

 

 

Medo americano de um ataque nuclear soviético deu origem à rede das redes

No começo, os computadores interligados eram grandes trambolhos, que recebiam dados por meio de cartões de papel e tinham menos memória do que um micro moderno.

 

 

Idéia de multiplicar a rede surgiu nos anos 60

No começo dos anos 60, Paul Baran concebeu uma rede de computadores na qual cada máquina seria capaz de orientar o trabalho das outras, independentemente. Em 1969, nasceu a ARPAnet. Os militares achavam que os Estados Unidos eram muito vulneráveis a um ataque nuclear soviético. Naquele tempo, os computadores eram trambolhos enormes.

 

 

Nos anos 90, surge a feira livre cibernética

A rede de defesa foi expandida, já nos anos 70, para computadores de universidades e centros de pesquisa, nos Estados Unidos. Mais tarde, nos anos 80, a Europa entrou em rede, e depois o Japão. Finalmente, nos anos 90, empresas comerciais foram admitidas. A Internet ganhou, então, suas feições contemporâneas.

 

 

E os textos são divididos em pedaços

Como é possível a conexão entre milhões de computadores diferentes — o seu, entre eles — cada um com um programa, uma maneira de editar textos, desenhos, gráficos? É possível por que, quando alguém resolve conectar-se com a Internet, entra em ação um registro comum de comunicação, um protocolo, chamado TCP/IP. Graças a ele, os computadores da rede sabem que estão ligados a um outro computador. E operam de acordo com isso. Você não precisa se preocupar: o protocolo começa a funcionar automaticamente, quando seu computador é ligado na rede. Um computador maior, então, faz o serviço de dividir o seu arquivo em pacotes —o que aumenta a eficiência da transmissão. Depois, esses pacotes são enviados a outros computadores, como carros que vão entrando em uma auto-estrada. Cada pacote vai para o destino previsto e lá é novamente montado.

 

 

Para fazer a inscrição, chame a Embratel

A Embratel começou a operar na Internet em dezembro passado. A empresa diz que oferecerá os serviços da super-rede a todos os interessados a partir dos próximos dias. O contato foi feito através do telefone (07878224 ou 07878228, dependendo do modem). Em março, não estava definida a forma de ampliar a rede, incluindo os novos interessados. Mas os 15 000 já cadastrados até então seriam chamados.

 

 

Os roteadores encurtam o tempo de transmissão

Os roteadores (routers, em inglês), um dos grandes truques da Internet, são máquinas presentes nos nós da rede. Permitem direcionar os arquivos mandados pelos usuários por rotas mais rápidas. Por exemplo: para mandar um arquivo de Manaus a São Paulo, o sistema poderá aproveitar um caminho que segue pelo Nordeste, se a rota mais curta, que passa por Brasília, estiver muito congestionada. Com isso, o arquivo chegará mais rápido a seu destino. Você não fica sabendo que caminho sua mensagem seguirá, mas isso não faz diferença.

 

 

Liberdade, liberdade é o lema

A idéia central da Internet é a liberdade de funcionamento. Ninguém é dono da rede (não existe uma “empresa” Internet). Os vários computadores e roteadores (veja ao lado) espalhados pelo mundo levam um arquivo por muitos caminhos, de um usuário ao outro. Ao mesmo tempo, sistemas de busca mais modernos levam às últimas conseqüências a idéia de liberdade dentro do sistema. Você pode ir de texto a texto, de arquivo a arquivo, de computador a computador. De certa forma, as conexões reproduzem o processo pelo qual o ser humano pensa, por associação livre. Nessa analogia, os computadores que compõem a rede fazem o papel dos neurônios, em um cérebro. Com a diferença de que, aqui, eles crescem com o tempo: mais ou menos 4 milhões de computadores ligam-se à Internet a cada mês.

Como copiar arquivos e encontrar gente para conversar. É preciso conhecer os comandos e os programas que abrem as portas da rede.

 

 

Brasil já está na Internet há anos

A Internet reúne dezenas de supercomputadores, máquinas muito rápidas e de grande capacidade de cálculo, espalhadas pelo mundo. São as portas de entrada da super-rede. A eles estão ligados, os chamados servidores, que fornecem os serviços ao usuário. No Brasil já existem, há vários anos, duas grandes portas conectadas à Internet, uma no Rio e outra em São Paulo.

 

 

O computador central vai ficar no Rio de Janeiro

A Embratel, que já vem trabalhando em fase de teste com 250 usuários, começa a operar em escala comercial, nos próximos dias. Até março, havia 15 000 cadastrados. O computador central ficará no Rio, com ramificações em São Paulo e Brasília.

 

 

Comandos permitem copiar arquivos e mandar mensagens

Há quatro operações mais comuns: FTP, telnet, E-mail e newsgroup. Com a primeira (sigla do inglês File Transfer Protocol), você pode buscar arquivos em qualquer computador da rede. Com o telnet, o seu computador transforma-se em uma extensão de um outro, que está sendo pesquisado. O E-mail, o instrumento mais popular, serve para mandar mensagens, textos e arquivos para outro “endereço”. Funciona como um eficiente correio eletrônico. Com os newsgroup, cada usuário integra-se em um grupo de discussão dos temas mais variados. Se você pode, ou não, usar esses serviços, depende do tipo de conexão. Por exemplo: até pouco tempo, quem se ligasse por meio dos chamados BBS, geralmente só podia ter um E-mail e, vez por outra, entrar em um newsgroup. Uma dica: procure conhecer os chamados arquivos FAQ. Eles trazem respostas às dúvidas mais freqüentes entre os iniciantes.

 

Problemas para encontrar a rota? Use os guias

Buscar arquivos na Internet pode ser complicado. Para isso, inventaram uma série de recursos: guias que ajudam a encontrar o caminho. Os principais são o archie, o gopher e a WWW. Archie diz onde estão as máquinas com “bibliotecas” acessíveis. Com o gopher, você tem à disposição uma lista de arquivos, em vários pontos da rede. Finalmente, a WWW (sigla em inglês para rede de alcance mundial), também chamada W3 ou teia, conecta os vários computadores, usando fotos, sons e recursos gráficos. É a mais bem sucedida invenção da Internet.

 

 

A “teia” deixou o ambiente mais bonito

Procurar informação na Internet talvez seja prático. Mas os programadores nunca pensaram muito em beleza. A WWW, a teia mundial, mudou isso. Com programa e equipamento apropriados, você assiste a um show dos Stones ou vê fotos do espaço. A teia usa recursos de multimídia. E de hiperlink. Funciona mais ou menos assim: quando você lê uma página, em um arquivo, aparecem palavras grifadas. Com o mouse, clicando sobre a palavra, você é reunido com outro arquivo, que às vezes nem está no mesmo computador onde a busca começou. É o surf eletrônico.

 

 

Serviços variados, sem sair da cadeira

A Internet virou coqueluche quando o dinheiro entrou pesado na rede, no começo desta década. Hoje, várias grupos americanos, como Delphi, Compuserve, American OnLine vendem serviços, listas de arquivos, acesso a grupos e jeitos fáceis de se comunicar. No Brasil, sem Internet comercial, algumas empresas, como a Mandic (veja na página 43), ofereciam alguns serviços da rede, entre eles o E-mail. A Embratel entra agora no mercado, oferecendo todos os recursos disponíveis. As possibilidades comerciais são enormes: encontrar empregados e empregos, fornecer produtos, montar firmas, comprar e vender. Você pode pedir uma pizza, encomendar livros e discos, descobrir como vão os negócios de uma grande empresa, saber qual a cotação do dólar, tudo sem levantar da cadeira.

 

 

Você vai ter de usar a língua de todos

Fuçador de Internet tem linguagem própria — em parte derivada daquele jeito especial de falar inglês dos primeiros agitadores da mãe de todas as redes. Aliás, Internet só falando — e escrevendo — em inglês. E aí, não é só o GLOSSÁRIO que é fundamental. Aprenda inglês.

 

 

 

 

Para saber mais:

Internetiqueta

(SUPER número 1, ano 9)

O beco tem saída

(SUPER número 2, ano 11)

 

 

 

Renpac: sigla da Rede Nacional de Pacotes, da Embratel.

E-mail: o correio eletrônico

Modem: aparelho que transforma os bits de

Informação em pulsos telefônicos e vice-versa

FTP: comando para transferir arquivos.

Telnet: comando que faz a conexão entre os computadores. Usando-o, você opera como se estivesse trabalhando no outro computador

TCP/IP: o protocolo de transmissão e controle usado na Internet para a comunicação entre computadores

: pontos centrais da rede

Usenet: uma das redes que fazem parte da Internet

ANSP: sigla da Academic Network of São Paulo, a rede das universidades e centros de pesquisa paulistas

 

 

A rede dos cientistas e professores

As principais universidades públicas e centros de pesquisa brasileiros têm uma conexão só deles, que forma a Rede Nacional de Pesquisa. Ela tem 14 centros regionais, espalhados pelo país.

 

 

Enciclopédia passa pela fibra ótica em 13 segundos

As exigências da rede mundial estão forçando uma troca dos cabos telefônicos de cobre pelos de fibra ótica. As conexões mais modernas, as T3 americanas, deixam passar 45 milhões de bytes por segundo. Nessa velocidade, em 13 segundos você recebe tudo o que está escrito na Enciclopédia Britânica.

 

 

Há jeitos mais fáceis de navegar

Alguns programas permitem um acesso visual imediato aos arquivos buscados. Com recursos de multimídia e a possibilidade de navegar de um arquivo ao outro, com um só clique. O 8.Mosaic.8 é um exemplo dos mais comuns. Outros são o 8.NetScape.8 e o Chamaleon.

 

 

De São Paulo, um modem fala com o mundo

O Brasil tem três “portas” — uma em São Paulo e duas no Rio. Todas elas ligadas com os Estados Unidos. O contato entre São Paulo e o mundo é um único modem, esse da foto abaixo. Ele conecta a rede, 24 horas por dia, com um computador no Fermilab, nos Estados Unidos.

 

 

Errar uma letra quer dizer errar o caminho

Os 9.ENDEREÇOS ELETRÔNICOS.9, que todo usuário tem, não podem ser escritos errados. A rede não tem carteiro. Maiúsculas são maiúsculas e minúsculas são minúsculas. Errar um endereço manda você para Burundi quando queria ir para a Malásia.

 

Alguns termos usados pelos internéticos

Emoticons: Símbolos usados para indicar o estado de espírito do usuário. Como “:-)”, que indica felicidade