Chegou o 4.4: Super por apenas 9,90

Mais rápido que o som

Cinqüenta anos depois de um avião romper a barreira do som, só agora se conseguiu repetir a proeza em terra. Veja aqui um raio X exclusivo do autor do feito, o carro mais veloz de todos os tempos.

Por 31 dez 1997, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h40
  • João Luiz Guimarães

    Parecia um estampido de revólver. Mas o barulho, na árida vastidão do deserto Black Rock, em Nevada, oeste dos Estados Unidos, indicava apenas que o Thrust SSC estava ultrapassando a barreira do som. Thrust significa impulsão, em inglês. E SSC é a sigla para Super Sonic Car, ou carro supersônico. Exatamente o que ele se tornou ao atingir 1 222 quilômetros por hora no dia 14 de outubro de 1997.

    Nascido há seis anos, o projeto só deu resultado após 66 tentativas. A dificuldade maior, por incrível que pareça, era a pista. O carro requeria uma superfície extremamente lisa e extensa: 340 milhas (544 quilômetros). Após experiências na Jordânia, a equipe britânica, liderada pelo ex-piloto Richard Noble, acabou achando o lugar ideal no deserto americano. “Agora posso dormir tranqüilo”, disse Noble à SUPER. No carro dele, imagine, você poderia viajar de São Paulo ao Rio de Janeiro em menos de meia hora. Que tal?

    Feito para voar baixo

    A velocidades próximas da supersônica, o carro tende a perder a aderência ao chão e decolar, como um avião. O aerofólio na parte traseira e o controle perfeito dos amortecedores das rodas, feito por computador, ajudam a mantê-lo no solo. A ponta em forma de ogiva diminui a resistência do ar.

    Pára-quedas

    Continua após a publicidade

    Parar é um problema para o Thrust. Dois pára-quedas disparados na parte traseira ajudam os freios das rodas, que usam pastilhas de carbono, como as dos carros de Fórmula 1.

    Arado a jato

    As rodas são de uma liga resistente de alumínio. Não usam pneus e cavam um sulco de 2,5 centímetros no solo. Seu giro chega a 8 500 rotações por minuto, algo como a velocidade de uma furadeira multiplicada por cinco.

    Corpo caro

    Continua após a publicidade

    O Thrust custou quase 9 milhões de reais. Sua estrutura, de carbono, titânio e alumínio, é leve e resistente. As ligações elétricas consumiram 7 quilômetros de fios.

    Domador de som

    O piloto britânico de caças Andy Green, 36 anos, ultrapassou o som em terra exatamente cinqüenta anos após o feito ter sido realizado no ar pelo norte-americano Chuck Yeager.

    Painel em Machs

    Continua após a publicidade

    Em vez de quilômetros por hora, o velocímetro marca frações ou múltiplos de Mach – homenagem ao físico austríaco Ernst Mach (1838-1916). Nele, 1 é a velocidade do som. “Para ter uma idéia, pense no avião Concorde. Ele gasta 3 horas para atravessar o Atlântico em Mach 2, duas vezes a velocidade do som”, conta o major Maurício Pazzini Brandão, do Centro Tecnológico de Aeronáutica, em São José dos Campos.

    Duas turbinas

    Adaptadas do caça inglês Phantom, elas têm potência de 110 000 cavalos, ou 140 carros de Fórmula 1. Consomem 18 litros de querosene por segundo.

    Continua após a publicidade

    Como uma onda no ar

    Veja como o carro ultrapassa o barulho que ele mesmo faz.

    1. As ondas de som produzidas pelas turbinas se dispersam no ar em forma de esferas concêntricas a velocidades que variam com as condições atmosféricas. No dia da prova, o som viajava a 1 196,9 quilômetros por hora.

    Uma pedra atirada em uma piscina ou um lago, uma água parada qualquer, produz igualmente ondas em forma de círculos regulares que se afastam do centro.

    Continua após a publicidade

    2. Quando o carro se aproxima da velocidade do som, as ondas que estão à frente começam a se comprimir, isto é, diminuem o seu comprimento em relação às que se deslocam em outras direções.

    Se, em lugar de olhar a pedra caindo num lago, você olhar um graveto preso num rio, verá que as ondas formadas pela resistência da madeira à água criam efeito parecido.

    3. Quando o carro ultrapassa o próprio ruído, forma-se um cone de baixa pressão em seu bico. “É uma onda de choque, provocada pela quebra das ondas de som”, explica o físico Claudio Furukawa, da Universidade de São Paulo. O “estalo” é ouvido por quem está fora do carro. O piloto só sente uma turbulência. Se ele corresse a 1 220 quilômetros por hora por 15 minutos, ficaria 1 quilômetro à frente de seu ruído.

    Ficha técnica

    Comprimento: 16 metros

    Altura: 1,65 metro

    Largura: 3,50 metros

    Peso: 10 toneladas

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Enquanto você lê isso, o mundo muda — e quem tem Superinteressante Digital sai na frente.
    Tenha acesso imediato a ciência, tecnologia, comportamento e curiosidades que vão turbinar sua mente e te deixar sempre atualizado
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

    Revista em Casa + Digital Completo

    Superinteressante todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 12,99/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).