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Pequi no tanque, pé na estrada

Alexandre Petillo

Até agora, o pequi, frutinha espinhenta típica do Centro-Oeste brasileiro, era conhecida apenas por suas propriedades gastronômicas –pratos como a galinhada, em que é cozida com arroz e frango, fazem a festa dos goianos. Mas, em breve, graças a pesquisadores do campus de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, o motor de carros a diesel também vai poder se lambuzar com a iguaria.

Eles desenvolveram um diesel automotivo produzido à base do pequi (Caryocar brasiliense), que chega a ser 4% mais econômico no consumo e 30% menos poluente, além de deixar o carro mais potente, já que atua como lubrificante. Outro detalhe: seu uso dispensa adaptações no motor.

Segundo o coordenador da pesquisa e professor do Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da USP, Miguel Dabdoub, o biodiesel resulta de uma reação química entre o álcool de cana e o óleo do pequi. Apesar de a fruta conter muitos espinhos, a extração do óleo é relativamente fácil, podendo ser da amêndoa ou da polpa.

O pequizeiro é uma árvore originária do cerrado. Cada hectare de plantação pode produzir até 3 200 litros de óleo (a soja, que também está sendo testada como mistura do biodiesel, rende 400 litros por hectare). De cada quilo do pequi é possível obter mais de 1 litro do combustível.

A novidade precisa ser regulamentada antes de chegar aos postos, o que, segundo os pesquisadores, pode acontecer até o fim do ano. O governo federal informou que a partir de janeiro pretende autorizar a adição de 2% de biodiesel no diesel vendido no país.

Além de produzir combustíveis ecologicamente corretos, o objetivo também é estimular a economia de regiões agrícolas pouco desenvolvidas. Daí em diante, se tudo der certo, você poderá encher o tanque de sua caminhonete com soja, amendoim, mamona, dendê, entre outros. Depende apenas de um pouco mais de pesquisa.