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6 gays que marcaram a história

Redação Super 27 de fevereiro de 2012

Por Marcel Verrumo
COLABORAÇÃO PARA A SUPERINTERESSANTE

Nem só por héteros foi escrita a História. Ao longo dos séculos, muitos heróis – e vilões – que mudaram os rumos da civilização foram gays. Alguns foram aceitos por seu tempo. Outros não tiveram a mesma sorte. Isso sem falar naqueles cuja orientação sexual nunca ficou clara.

Em algumas civilizações antigas, nem era preciso sair do armário – a homossexualidade era natural e fazia parte da sociedade. A condenação dos gays veio com a ascensão das religiões monoteístas. Em 533, o imperador cristão Justiniano assinou a primeira lei que proibia as práticas homossexuais. A pena pelo “crime” podia ser a morte. Nos séculos seguintes, a história da comunidade gay foi marcada por condenações, perseguições e assassinatos. Mas também por grandes feitos na política, na ciência e nas artes. Relembre 6 gays que, para o bem ou para o mal, mudaram a história.

1. Sócrates (470 a.C. – 399 a.C.)

Sócrates, um dos principais filósofos ocidentais, viveu na Grécia Antiga, onde era normal um homem mais velho manter relações sexuais com homens jovens. O tutor de Platão chegou a declarar que o sexo anal era sua melhor fonte de inspiração e que relações heterossexuais serviam apenas para procriação. Detalhe: Sócrates defendia a investigação e o diálogo para se chegar à verdade, método que deu origem à famosa DR que assombra casais. Será que, em algum momento, ele precisou ter uma DR porque sua “fonte de inspiração” havia secado?!

2. Alexandre, o Grande (356 a.C. – 323 a.C.)

A orientação sexual do guerreiro macedônio é assunto que já rendeu polêmicos estudos acadêmicos, livros e até filmes hollywoodianos. O historiador Plutarco conta que Alexandre se casou quatro vezes (com mulheres). No entanto, alguns historiadores, como Diodoro Sículo, afirmam que o guerreiro teria tido pelo menos um amante-homem, Heféstion. Aliás, quando Heféstion morreu, Alexandre teria ficado sem comer e beber por vários dias.

3. Leonardo da Vinci (1452 – 1519)

A versatilidade e o talento de Leonardo da Vinci nunca surtiu dúvidas: ele foi cientista, engenheiro, anatomista, botânico, inventor. E pintor, claro. Com base em registros históricos e em escritos pessoais, biógrafos de Da Vinci deduzem que o gênio teria sido homossexual. Leonardo passou, inclusive, por um tribunal após ser acusado de sodomia com um homem prostituto. A acusação não foi adiante, mas os boatos a respeito da sexualidade de Da Vinci permanecem até hoje.

4. Ernest Röhm (1887 – 1934)

Homossexual assumido, Röhm foi um dos braços-direito de Adolf Hitler e um dos responsáveis pelo crescimento do movimento nazista na Alemanha dos anos 1920-1930. Devido à sua orientação sexual, o oficial tinha muitos inimigos dentro do partido. O resultado da sua união com Hitler não poderia ser diferente. Quando o fürher percebeu que Ernest poderia lhe causar sérios problemas (tipo uma contradição histórica inexplicável), decidiu tirá-lo do seu caminho. Fez o mesmo que fazia com muitos dos homossexuais da época: matou.

5. Harvey Milk (1930 – 1978)

Harvey Milk, representante distrital de São Francisco, foi o primeiro gay assumido a vencer uma eleição nos Estados Unidos. Em uma sociedade conservadora da década de 1970, ele discursava em favor da liberdade e tentava dar esperança aos gays. Seu ativismo foi importante na luta gay: 11 meses após ser eleito, Milk conseguiu aprovar uma lei sobre os direitos dos homossexuais de São Francisco. Personalidade polêmica e visada por conservadores, o militante foi assassinado um anos após ser eleito. Para conferir a história do político, vale conferir “Milk – A Voz da Igualdade”, de Gus Van Sant.

Update:

6. Alan Turing (1912 – 1954)

Assim que este post foi publicado, vários leitores da SUPER repararam que havíamos deixado de fora um nome importante. Era Alan Turing, matemático e cientista da computação. Turing foi um dos responsáveis pela formalização do conceito de algoritmo, base da teoria da computação. Também criou a Máquina de Turing, tecnologia que deu origem ao computador moderno. Durante os anos 1940, ajudou a projetar o supercomputador Colossus, que desvendava códigos secretos dos nazistas. Apesar de suas grandes façanhas, respondeu um processo criminal em 1952. O crime? Homossexualidade. A pena? Tomar hormônio sexual feminino, condenação que teria prejudicado sua saúde e, dois anos depois, provocado sua morte.

Bônus: Tim Cook (1960 – )

Cook pode não ter mudado ainda os rumos da civilização, mas poder para isso não falta. Tim Cook, que seria homossexual assumido e já foi apontado pela imprensa americana como o gay mais poderoso do mundo, é o presidente da Apple e sucessor do mítico Steve Jobs. Por que o cara é poderoso? Sua responsabilidade é nada menos que comandar a fabricante de computadores, tablets e smartphones no lugar do fundador da companhia. Cook entrou na Apple em 1998 para supervisionar a produção de computadores. Chamou a atenção de Jobs e foi se transformando em seu braço-direito. Mais de uma década depois, foi indicado pelo próprio Steve Jobs como o próximo CEO. Diante de seu currículo e posto, alguém duvida de seu potencial para mudar a História?

Fonte:
Born to Be Gay –
História da Homossexualidade, William Naphy, Edições 70, 2006.


Os 12 conflitos armados que mais mataram pessoas

Livia Aguiar 29 de novembro de 2011

imagem: El Tres de Mayo – do pintor Francisco Goya (Wikimedia Commons)

Os humanos se envolvem em disputas territoriais desde a Idade da Pedra, é verdade, mas a melhora tecnológica das “máquinas de matar” ao longo do último milênio fez com que os conflitos fizessem muito mais vítimas fatais em menos tempo – inclusive gente que não tinha nada a ver com a briga. Nesta lista, confira as guerras, revoltas e rebeliões que mais dizimaram vidas ao longo da história.

12 – Guerra dos Trinta Anos
Onde: Império Romano (Ásia, Europa e um pedacinho da África)
Quando: de 1618 a 1648
Número estimado de mortos: 3.000.000 a 11.500.000 pessoas
Esta versão “de bolso” de uma Guerra Mundial começou como um conflito religioso e foi tomando feições mais complexas até ninguém saber mais por que estava brigando. Muitos dos exércitos tinham mercenários em suas frentes de batalha, que trocavam de lado sempre que a oportunidade parecia interessante.

11 – Guerras Napoleônicas
Onde: Europa e ilhas nos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico
Quando: de 1804 a 1815
Número estimado de mortos: 3.500.000 a 6.500.000 pessoas
O francês Napoleão Bonaparte estava bombando nas conquistas de territórios na Europa, mas não deu conta de lutar no inverno russo – muitos soldados viraram picolé e outra boa parte morreu de fome. A estratégia russa era queimar as cidades pelas quais o exército invasor iria passar para evitar que fossem saqueadas e fornecessem recursos aos inimigos.

10 – Segunda Guerra do Congo
Onde: República Democrática do Congo, África
Quando: de 1998 a 2003
Número estimado de mortos: 3.800.000 a 5.400.000 pessoas
Este é o conflito mais recente da lista. A Guerra acabou em um acordo entre as partes, mas a população sofre com as consequências até hoje. Em 2004, cerca de 1.000 pessoas morreram diariamente de desnutrição e doenças que seriam facilmente tratáveis se a região não estivesse tão debilitada.

9 – Guerra Civil Russa
Onde: Rússia
Quando: de 1917 a 1921
Número estimado de mortos: 5.000.000 a 9.000.000 pessoas
Ainda que se diga que a este conflito acabou em 1921, a verdade é que ele se prolongou por mais dois anos. O objetivo da revolta era acabar com a monarquia, mas os grupos envolvidos divergiam sobre que forma de governo seria implantada com o fim dos czares. Levou a melhor o pessoal do partido bolchevique, que estabeleceu o primeiro governo inspirado no socialismo de Karl Marx.

8 – Revolta Dungan
Onde: China
Quando: de 1862 a 1877
Número estimado de mortos: 8.000.000 a 12.000.000 pessoas
Os chineses da etnia Dugan (também chamada de Hui, de origem persa) se revoltaram e foram derrotados – os que sobraram desse conflito foram para territórios que hoje são parte da Rússia, Cazaquistão e Quirguistão.

7 – Investidas de Tamerlão
Onde: Ásia
Quando: de 1369 a 1405
Número estimado de mortos: 15.000.000 a 20.000.000 pessoas
Não se conquista um território sem matar umas pessoas, não é mesmo? Tamerlão e seus exércitos dizimaram muita gente na Ásia para expandir o Império Timúrida, que chegou a ter mais de 5,5 milhões de quilômetros quadrados. Saiba mais sobre Tamerlão e outros grandes conquistadores neste infográfico.

6 – Primeira Guerra Mundial
Onde: Todos os continentes – nem todos foram atacados, mas países de todos os continentes tomaram parte (e morreram) nesta guerra.
Quando: de 1914 a 1918
Número estimado de mortos: 15.000.000 a 65.000.000 pessoas
A estimativa mais alta de mortos (65 milhões) contabiliza as pessoas que pereceram da Gripe Espanhola, uma variação do vírus H1N1 (que no século XXI conhecemos como Gripe Suína). A Gripe Espanhola se espalhou generalizadamente pelo mundo no começo do século XX e a epidemia “pegou carona” na 1ª Guerra.

5 – Rebelião Taiping
Onde: China
Quando: de 1815 a 1864
Número estimado de mortos: 20.000.000 a 60.000.000 pessoas
Esta “rebelião” foi na verdade uma grande guerra civil no sul da China, liderada por um cristão, Hong Xiuquan, que dizia ser o irmão mais  novo de Jesus Cristo (pois é…).

4 – Disputa entre a dinastia Ming e Qing
Onde: China
Quando: de 1616 a 1662
Número estimado de mortos: 25.000.000 pessoas

Os Qing vieram do nordeste da Grande Muralha da China e eram vassalos dos governantes da dinastia Ming (aquela dos famosos vasos de porcelana). Houve uma revolta de camponeses que depôs os Ming e criou a Dinastia Shun – só que ela não durou muito tempo: os Qing dominaram a capital Beijing e assumiram o poder dizendo que estavam restabelecendo a “ordem imperial”. Mas na verdade eles estavam era pegando o poder pra eles mesmos.

3 – Investidas Mongóis
Onde: Ásia e leste europeu
Quando: de 1207 a 1472
Número estimado de mortos: 30.000.000 a 60.000.000 pessoas
Foram 265 anos de invasões empreendidas pelo povo mongol por toda a Ásia e parte da Europa. Haja fôlego para tanta briga! A recompensa: um império de mais de 12 milhões de quilômetros quadrados.

2 – Rebelião de An Lushuan
Onde: China
Quando: de 755 a 763
Número estimado de mortos: 33.000.000 a 36.000.000 pessoas
O general An Lushuan, durante a dinastia Tang, resolveu se declarar imperador de uma parte da China, o que não agradou a dinastia que reinava sobre o país. Foram 8 anos de confrontos que continuaram mesmo depois da morte de An Lushuan – e terminaram com a subjugação dos rebeldes e afirmação, mesmo que frágil, da dinastia Tang.

1 – Segunda Guerra Mundial
Onde: Todos os continentes - nem todos foram atacados, mas países de todos os continentes tomaram parte (e morreram) nesta guerra.
Quando: de 1939 a 1945 – 6 anos
Número estimado de mortos: 40.000.000 a 72.000.000 pessoas
Entre as vítimas deste conflito, 62% eram civis – ou seja: pessoas que não tinham nada a ver com a briga além do fato de estarem lá (e, bem, serem judeus, ciganos, homossexuais, terem uma deficiência…). Além das armas de fogo convencionais, nessa guerra rolou gás mostarda, testes com pessoas em campos de concentração e a última novidade do momento: bombas nucleares.


11 pessoas célebres e suas famosas últimas palavras

Livia Aguiar 19 de outubro de 2011

O leito de morte é a última chance de alguém dizer alguma coisa importante na vida. E quanto mais famoso é o morimbundo, mais altas são as chances de alguém estar lá para documentar as suas últimas palavras. Em alguns casos, o último respiro verbal até parece ter sido ensaiado. Em outros, as palavras deixam transparecer traços da personalidade de quem as disse: brava, romântica, sofredora, irônica, artística. Confira algumas frases célebres pronunciadas momentos antes da morte de personagens famosos da história.

11. “Você também, meu filho?”

Quem disse? Julio César, imperador romano, 44 a.C., para um de seus assassinos
Como morreu?
Júlio César foi esfaqueado pelos colegas políticos, inclusive por Brutus, seu antigo protegido. A história do imperador é tão rodeada por mitos que fica difícil separar a realidade da ficção. Pode ser que ele não tenha dito nada além de um gemido de dor, mas a frase é poética e ficou famosa. A expressão imortalizada: “Até tu, Brutus” é na verdade de uma citação da peça Julius Caesar, escrita por Shakespeare por volta de 1599.

10. “Ainda estou vivo!”

Quem disse? Calígula, imperador romano, 41 a.C., para si mesmo
Como morreu? Foi esfaqueado por seus próprios guardas por razões políticas – dizem que a excentricidade de Calígula influenciava seus métodos de governo. Ele era um líder cruel e extravagante e seu jeito começou a incomodar quem vivia à sua volta. Gritou “TÔ VIVAUM” logo antes de, bem, não estar mais.

9. “Ok, ok, estou indo. Espere só um minuto.”

Quem disse? Papa Alexandre VI, 18 de agosto de 1503, para si mesmo (ou para Deus, ou para o diabo…)
Como morreu? Alexandre VI foi um dos papas mais controversos da Renascença. Há suspeitas de que ele envenenava os inimigos com arsênico. Aos 72 anos, teve uma intoxicação que resultou numa hemorragia interna fatal.

8. “Nada além da morte.”

Quem disse? Jane Austen, escritora britânica, 18 de julho de 1817, em resposta a sua irmã Cassandra, que lhe perguntou se ela queria alguma coisa.
Como morreu? Morreu aos 41 anos, possivelmente de uma insuficiência renal crônica.

7. “Aplaudam, amigos, a comédia terminou.”

Quem disse? Ludwig van Beethoven, compositor alemão clássico, 26 de março de 1827. A frase é tradicionalmente dita ao final de uma performance da commedia dell’arte (forma de teatro popular improvisado, típico da época).
Como morreu? A morte de Beethoven é cercada de hipóteses e não se sabe ao certo o que o matou, quando tinha 57 anos. Outras palavras podem ter sido as últimas do compositor: “Eu ainda ouço no Céu” (Beethoven morreu surdo) e “Eu sinto como se não houvesse escrito mais que algumas notas musicais” (Beethoven deixou um legado de mais de 170 peças musicais). Outro biógrafo afirma que ele não disse nada, só gemeu em sua cama.

6. “Vá embora, últimas palavras são para bobos que nunca disseram o suficiente.”

Quem disse? Karl Marx, filósofo, economista, teórico político, 14 de março, 1883, para uma criada.
Como morreu? Marx disse a frase acima para sua empregada doméstica, que lhe pediu que dissesse suas palavras finais, para que ela as anotasse para a posterioridade. Marx morreu aos 65 anos, de bronquite e pleurisia.

5. “Tudo é uma ilusão.”

Quem disse? Mata Hari, dançarina exótica holandesa, agente dupla (ou não) durante a Primeira Guerra Mundial, 15 de outubro de 1917, para seus executores.
Como morreu? Foi executada na França acusada de espionagem para a Alemanha. Muitos dizem que ela também era espiã francesa. Mas ela negou tudo. Tudo é uma ilusão, enfim.

4. “Deem-me café, eu quero escrever!”

Quem disse? Olavo Bilac, poeta brasileiro, 20 de dezembro de 1918, para si mesmo.
Como morreu?
O poeta morreu de infecção no pulmão aos 53 anos. Conta-se que acordou da febre de madrugada e disse a frase antes de falecer. Isso é que é vocação!

3. “Apronte minha fantasia de cisne.”

Quem disse? Anna Pavlova, bailarina russa, 23 de janeiro, 1931.
Como morreu? Morreu de pneumonia, no auge de sua carreira, aos 49 anos.

2. “Será que ninguém entende?”

Quem disse? James Joyce, escritor irlandês, 13 de janeiro de 1941.
Como morreu?
Joyce morreu de uma cirurgia mal sucedida para curar uma úlcera perfurada. Ironicamente, Joyce é um escritor tido como difícil de entender, ainda que tenha sido um marco da literatura moderna.

1 “… e saio da vida, para entrar na história.”

Quem disse? Getúlio Vargas, presidente brasileiro, 24 de agosto, 1954, em sua carta de suicídio.
Como morreu? Getúlio se matou com um tiro no peito no Palácio do Catete, que na época era sede da república, no Rio de Janeiro. O motivo do suicídio teria sido a pressão dos militares e da imprensa para que ele renunciasse, por suposto envolvimento no atentado contra Carlos Lacerda, jornalista e político que fazia oposição a Vargas.