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Paleontologia: 5 das descobertas mais instigantes de 2025

Um dino que vomitou um pterossauro, a maior concentração de pegadas de dinossauros do mundo e os gigantes da megafauna entre nós. Veja a retrospectiva.

Por Bela Lobato, Luiza Lopes
13 jan 2026, 14h00 •
  • Este texto é parte da reportagem “Notícias do Subsolo”, da edição 483 da Super. Confira aqui a versão dos achados de arqueologia.

    Tudo que passa pela Terra deixa vestígios. O tempo e os fenômenos naturais apagam a maioria, é verdade – mas, em condições propícias, ossadas, pegadas e artefatos podem durar milhões de anos. É sobre esses rastros que cientistas dedicados a decifrar o passado se debruçam.

    O foco dos paleontólogos são os fósseis de todo tipo de ser vivo – eles trabalham com uma janela de tempo extensa, desde o surgimento da vida na Terra, há quase 4 bilhões de anos.

    Os arqueólogos, por sua vez, concentram-se em vestígios humanos – que, mesmo quando têm centenas de milhares de anos, ainda são relativamente recentes levando em conta a idade do nosso planeta. Prepare sua máquina do tempo: a seguir, dez das novidades mais antigas do ano que passou.

    Ilustração de fósseis embalados em caixas de presente. Vê-se um crânio humano e outro de dinossauro. Ao redor, vê-se cacho de uvas, garrafas e taças de champanhe.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)
    O terceiro olho

    506 milhões de anos atrás, em contexto

    Onde: Colúmbia Britânica, Canadá.

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    Antes: Ocorre a Explosão Cambriana, período em que, em pouco tempo, surgiram os ancestrais de muitos animais atuais – como moluscos, artrópodes e os primeiros parentes dos vertebrados.

    Depois: Alguns desses animais desenvolvem esqueletos mais rígidos, olhos complexos e hábitos predatórios, dando início a uma corrida evolutiva entre predadores e presas nos oceanos.

    Ilustração, em fundo areia, de animal do período cambriano com três olhos. A frente, vê-se um óculos de três lentes.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    O Mosura fentoni tinha o tamanho de um dedo indicador. Seu corpo era dividido em 16 segmentos, e ele nadava pelos oceanos com movimentos ondulatórios, tipo os das arraias. Ele era um radiodonte, ordem extinta de artrópodes marinhos que inclui alguns dos primeiros predadores dos oceanos.

    Enquanto seus parentes respiravam pela superfície do corpo, o M. fentoni desenvolveu guelras na parte traseira, o que tornou a troca de gases mais eficiente. Ele também tinha três olhos – o central, provavelmente, era usado para percepção de luz e orientação.

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    A identificação da espécie ocorreu a partir de 60 fósseis coletados entre 1975 e 2022 no Canadá e ajuda a entender a diversificação e a evolução dos primeiros artrópodes. É algo essencial: hoje, esse filo inclui insetos, aranhas e crustáceos e responde por cerca de 80% de todas as espécies de animais vivos (1).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Indigestão pré-histórica

    Indigestão pré-histórica

    110 milhões de anos atrás, em contexto

    Onde: Chapada do Araripe, entre Ceará, Pernambuco e Piauí.

    Antes: A América do Sul ainda estava ligada à África. A região do atual Brasil fazia parte do supercontinente Gondwana, que começava a se fragmentar.

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    Depois: A abertura do Oceano Atlântico avançou e separou os dois continentes. O litoral brasileiro começou a se formar, e populações de animais passaram a evoluir isoladas.

    Ilustração, em fundo areia, de um fóssil de pterossauro.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Sem muita elegância, um dinossauro (cuja espécie ainda é um mistério) regurgitou parte da sua janta – dois pterossauros. O vômito caiu em uma laguna e foi logo soterrado por uma lama fina.

    Meio nojento, sabemos. Mas foi um golpe de sorte, já que a combinação rara de fatores permitiu a preservação do bloco de vômito. Encontrado nos anos 1980, esse material passou décadas esquecido no acervo do Museu Câmara Cascudo, em Natal (RN).

    Agora, uma análise revelou que se trata de uma nova espécie de pterossauro, batizada de Bakiribu waridza. Do porte de uma gaivota, ele tinha uma mandíbula longa e centenas de dentes finos usados para filtrar alimentos.

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    O achado é o primeiro registro desse grupo nos trópicos e ajuda a preencher uma lacuna evolutiva entre espécies europeias e sul-americanas. Obrigado, dino com estômago sensível (2).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Cabeça dura

    108 milhões de anos atrás, em contexto

    Onde: Khuren Dukh, Deserto de Gobi, Mongólia.

    Antes: O clima do planeta passava por um período bastante quente, com mares mais altos e extensas áreas alagadas. Dinossauros já dominavam os continentes.

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    Depois: As plantas com flores se espalharam rapidamente e passaram a moldar os ecossistemas terrestres.

    Ilustração, em fundo areia, de dinossauro andando de skate.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Uma cabeça feita para dar cabeçadas. Essa é a característica que define os paquicefalossauros, dinossauros de crânio grosso e arredondado que há décadas intrigam os cientistas. Agora, paleontólogos identificaram o mais antigo e completo fóssil já conhecido desse grupo, trazendo novas pistas sobre quando e por que essa estrutura surgiu.

    A espécie recém-descoberta, Zavacephale rinpoche, era um herbívoro de pequeno porte, com menos de 1 metro de comprimento e cerca de 9 quilos. O achado é raro porque preserva não só a cúpula da cabeça mas também membros, cauda e ossos das mãos.

    A análise indica que o animal ainda era jovem quando morreu, mas já tinha o crânio totalmente espesso. Isso sugere que a “cabeça dura” se formava cedo e reforça a hipótese de que era usada em interações sociais, como exibições e confrontos com outros indivíduos para conquistar uma parceira (3).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    A marcha dos dinos

    70 milhões de anos atrás, em contexto

    Onde: Parque Nacional de Torotoro, Bolívia.

    Antes: A América do Sul já era um continente quase isolado, com dinossauros adaptados a ecossistemas quentes, florestados e dominados por plantas com flores.

    Depois: Há 66 milhões de anos, o choque de um meteoro com a Terra provocou a extinção da maior parte dos dinos.

    Ilustração, em fundo areia, de uma calçada da fama com pegadas de dinossauro.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Na Bolívia, novas expedições revelaram a maior concentração de pegadas de dinossauros do mundo. Cerca de 3,5 mil delas já eram conhecidas, mas uma nova pesquisa subiu o número para 16,6 mil.

    Há mais de dez formatos de pegadas diferentes, mas ainda não dá para saber quantas ou quais seriam as espécies responsáveis. Alguns rastros são compatíveis com os terópodes, animais bípedes e majoritariamente carnívoros. Também há registros de dinos que nadaram ou arrastaram sua cauda no chão – a maioria, paralelamente a um corpo d’água que existia na região.

    Tudo isso se preservou graças ao solo do local, que tinha uma composição de minerais e matéria orgânica especial. Foi ali que os dinos deixaram suas marcas – num processo parecido com o das celebridades de Hollywood que botam suas mãos no cimento fresco (4).

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Gigantes entre nós

    Entre 12 mil e 3 mil anos atrás, em contexto

    Onde: Ceará e Mato Grosso do Sul, Brasil.

    Antes: Entre 16 mil e 11 mil anos atrás, caçadores–coletores usavam ferramentas de pedra simples onde hoje é Lagoa Santa (MG). Entre eles havia Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas 5.

    Depois: Em 1500 d.C, os portugueses chegaram ao litoral do que hoje é o Nordeste do Brasil e deram início à colonização.

    Ilustração, em fundo areia, de cinco mamíferos pré-históricos fazem pose para uma foto.
    (Henrique Petrus/Superinteressante)

    Há 2,58 milhões de anos, começou a se espalhar pelo mundo um grupo exótico de mamíferos enormes que incluía mamutes, tigres-dentes-de-sabre e dezenas de bichos que hoje nos pareceriam bizarros – como o Xenorhinotherium bahiensis, que, com 2 metros de altura, tinha corpo de lhama e tromba de anta.

    A extinção da megafauna, causada principalmente por mudanças climáticas, é um marco do fim do Pleistoceno, uma época geológica que, há 11.700 anos, deu lugar à atual, o Holoceno. A América do Sul teve o cenário mais drástico: cerca de 83% dos gêneros foram extintos (6).

    Embora existam muitas controvérsias sobre a chegada dos humanos às Américas, a maioria dos pesquisadores concorda que não houve uma grande janela de tempo de convivência com os mamíferos gigantes por aqui. Esse era o consenso – mas que pode estar prestes a mudar.

    Em 2025, um estudo brasileiro (7) propôs modificações nessa linha do tempo, a partir da datação por radiocarbono em oito fósseis do Ceará e do Mato Grosso do Sul. Os resultados apontam que vários gigantes driblaram a extinção até cerca de 3 mil anos atrás – quando não há dúvida de que já havia humanos por toda a América do Sul.

    Além de revolucionar o entendimento sobre os ecossistemas no passado do planeta, a descoberta também pode dizer muito sobre culturas humanas. Pesquisadores suspeitam que algumas figuras mitológicas tenham vindo da convivência com a mega fauna. Por exemplo, a lenda amazônica do mapinguari, uma besta peluda e enorme, pode ter sido inspirada pelas preguiças-gigantes, que tinham 4 metros de altura e 6 metros de comprimento.

    Leia mais detalhes sobre este assunto aqui.

    Fontes (1) artigo “Early evolvability in arthropod tagmosis exemplified by a new radiodont from the Burgess Shale”; (2) artigo “A regurgitalite reveals a new filter-feeding pterosaur from the Santana Group”; (3) ) artigo “A domed pachycephalosaur from the early Cretaceous of Mongolia”; (4) artigo “Morphotypes, preservation, and taphonomy of dinosaur footprints, tail traces, and swim tracks in the largest tracksite in the world: Carreras Pampa (Upper Cretaceous), Torotoro National Park, Bolivia”; (5) tese “Microvestígios botânicos em artefatos líticos do sítio Lapa do Santo (Lagoa Santa, Minas Gerais)”; (6) artigo “Megafauna extinction in South America: A new chronology for the Argentine Pampas”; (7) artigo “3,500 years BP: The last survival of the mammal megafauna in the Americas”.

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