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Por que a água do mar forma espuma?

Porque ela contém moléculas chamadas surfactantes – que vêm tanto de fontes orgânicas quanto de carona na poluição.

Por Luisa Costa Atualizado em 14 jul 2021, 09h51 - Publicado em 14 jul 2021, 09h40

A espuma não é gerada pela água em si, mas por surfactantes diluídos nela.

Surfactantes são substâncias cujas moléculas têm duas extremidades – uma que curte água (hidrofílica), outra que repele água (hidrofóbica).

Uma bolha consiste em uma bolsinha de ar cercada por uma casca de moléculas surfactantes. A a parte hidrofílica fica para fora, e a parte hidrofóbica para dentro.

E um conjunto de bolhas, claro, é espuma.

As moléculas surfactantes podem ser de origem natural: material orgânico proveniente de algas, fitoplâncton e animais maiores. Mas elas também podem aparecer por ação humana, de carona em fertilizantes e esgoto doméstico ou industrial que são despejados no oceano.

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Todo detergente, por exemplo, é surfactante: uma ponta da molécula dá a mão para a gordura, a outra ponta segura na água. É assim que conseguimos lavar pratos engordurados – mesmo que a gordura em si não seja solúvel.

Esse tipo de molécula também aparece na água dos rios. Mas aí a espuma surge principalmente em trechos acidentados – com várias pedras, quedas e cachoeiras. A agitação força a água a se misturar com o ar. Como o mar fica em movimento constantemente, a interação entre água, ar e moléculas surfactantes é mais frequente. 

Quanto mais moléculas surfactantes, mais espuma. No caso das fontes antropogênicas, a espuma serve como indicador de poluição. Na década de 1990, o Rio Tietê, que passa por dentro da Região Metropolitana de São Paulo, apresentava até 50 cm de espuma após o trecho em que atravessa a cidade. 

Pergunta de @ma.lancerotti, via Instagram.

Fonte: Camila Negrão Signori, professora do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP).

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