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A ciência de bater o pênalti perfeito

Com força ou colocado? No meio ou no alto? Estudo analisou quase 300 cobranças em campeonatos internacionais - e revela qual é a melhor maneira de fazer a rede balançar

O que é um pênalti bem batido? O senso comum futebolístico diz que o ideal é chutar a bola nos cantos do gol, rente à trave e fora do alcance do goleiro. Mas uma pesquisa descobriu que não é bem assim. Após analisar 286 cobranças de pênalti feitas em campeonatos internacionais, psicólogos israelenses chegaram a uma conclusão incrível: na verdade, o melhor é chutar a bola no meio, pois em 93,7% das vezes o goleiro pula para os lados. Isso acontece porque ele é influenciado pelo que os cientistas chamam de “tendência à ação”: prefere tomar a iniciativa e pular, porque a cobrança e os xingamentos da torcida por tomar um gol sem ter saído do lugar serão maiores do que se ele tiver se esticado todo – mesmo que para o lado errado. “Os goleiros pulam demais”, concluem os pesquisadores no estudo, publicado pela Universidade Hebraica de Jerusalém.

Mas a tática não é infalível. Se todos os cobradores de pênaltis mandassem a bola sempre no meio, os goleiros acabariam percebendo o truque. Não dá para chutar sempre no meio ou no lado direito (que é o melhor dos cantos, com 20% mais chance de gol que o esquerdo). É preciso ter categoria para chutar bem e marcar mesmo se o goleiro adivinhar o canto. Matemáticos da Universidade John Moores, em Liverpool, analisaram todas as cobranças de pênalti batidas pela seleção inglesa desde 1962 e descobriram o que seria a maneira perfeita de bater um pênalti, com a distância, a velocidade e a técnica ideais (veja no quadro a seguir). Aplicando a equação dos cientistas, o pênalti perfeito é o batido por Alan Shearer no jogo Inglaterra x Argentina da Copa de 1998.

De fato, a cobrança é fantástica – uma bomba no alto do gol. O único problema é que a Inglaterra perdeu.

 

Ah, se o Baggio soubesse disso…

Veja as táticas mais eficazes para emplacar

1. Fique no lugar certo
O ideal é se posicionar de 4 a 6 passos atrás da bola, pois isso ajuda a chegar nela com a velocidade certa e chutá-la com a força adequada (o ideal é que a pelota chegue ao gol entre 90 e 104 km/h).

2. Seja muito rápido – ou muito lento
Depois do apito, chute a bola em no máximo 3 segundos. Outra opção é enrolar bastante: após 13 segundos, o goleiro começa a ficar nervoso.

3. Bata com a parte de dentro do pé
Fazendo isso, você aumenta em 25% suas chances de marcar. Bater de chapa ou de trivela é mais arriscado, e estatisticamente menos eficiente.

4. Mande a bola no meio
De longe a melhor opção, pois em 93,7% dos casos o goleiro pula para os lados – ele simplesmente não aguenta ficar parado e deixa o centro do gol aberto.