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A misteriosa supercoca colombiana

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h53 - Publicado em 9 dez 2004, 22h00

Thiago Lotufo

Ela apareceu em duas regiões distintas da Colômbia e especialistas dizem que é transgênica. Outros afirmam que não – e por isso mesmo a supercoca está alimentando uma grande controvérsia. Mas que diabos é essa tal de supercoca? Bem, é um novo de tipo de arbusto de coca – matéria-prima da cocaína – que chega a ter mais de 3 metros de altura (o normal tem 1,5 metro), cresce em quatro meses em vez dos habituais oito e tem folhas de coloração verde-clara (em geral, é verde-escura) que nascem em maior quantidade e, aparentemente, contêm uma alta concentração de alcalóide, o princípio ativo da droga: 98% contra 25% das folhas comuns.

A supercoca foi identificada em Santa Marta, na região de Serra Nevada, no norte do país, e em La Hormiga, na área de Putumayo, no sul (veja mapa acima). E possui mais uma característica muito intrigante: a planta é resistente ao glifosato, herbicida constantemente despejado nas plantações por meio de fumigações aéreas patrocinadas pelos Estados Unidos com o intuito de acabar com a coca. O glifosato é o mesmo produto usado nas plantações de soja transgênica. Ele mata as pragas e poupa a produção porque a planta modificada tem genes resistentes ao herbicida. Ou seja, será que os narcotraficantes arregimentaram cientistas que manipularam a coca para torná-la transgênica? Walter Maierovitch, juiz aposentado e especialista em políticas de combate às drogas, acredita que sim: “Eles contratam mão-de-obra do Leste Europeu e estima-se que já investiram 150 milhões de dólares em pesquisas para criar a coca resistente”, afirma.

Walter e membros da polícia antidrogas colombiana, que também apostam na manipulação da planta, baseiam-se em apreensões feitas na região de Santa Marta. No sul, entretanto, um repórter enviado pela revista americana Wired obteve exemplares da supercoca, conhecida na região por “boliviana negra”. Enviou-as para laboratório e o resultado foi negativo. Nada de manipulação genética. De acordo com especialistas ouvidos pelo jornalista, ela provavelmente é resultado de uma mutação natural que tornou-a resistente. Ironia: não fosse a ajuda dos inseticidas americanos que exterminaram a concorrência, provavelmente a “boliviana negra” não teria ganhado a competição para se espalhar pela selva.

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