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Animais de estimação diminuem casos de alergia e obesidade

Bebês que convivem com cães no útero da mãe ou no início da vida têm menos chances de desenvolver esses problemas ao longo da infância

Por Bruno Vaiano Atualizado em 7 abr 2017, 16h08 - Publicado em 7 abr 2017, 16h04

Há um cãozinho lambendo a cara do seu bebê neste exato momento? Não interrompa a leitura dessa notícia para separá-los – essa não é uma ideia tão ruim quanto parece. Um estudo da Universidade de Alberta, no Canadá, revelou que bebês de famílias que incluem animais de estimação – cachorros, em 70% dos casos – têm menos propensão que a média a desenvolver alergias e obesidade.

O método empregado não foi nada cheiroso. A equipe do pediatra Hein M. Tun analisou as bactérias presentes no cocô de 746 bebês de até três meses de idade, e percebeu que dois micróbios – Ruminococcus and Oscillospira, comuns no intestino de pessoas sem histórico de obesidade e alergia – apareciam com mais frequência nas fraldas de crianças que conviveram com cachorros ainda no útero ou nos primeiros dias de vida. Em outras palavras, a convivência com animais domésticos muda para melhor sua microbiota intestinal (também conhecida como “flora intestinal”, entenda no Oráculo porque o termo é errado).  

Segundo o artigo científico, a presença de bichos de estimação em casa durante a gravidez também diminuiu as chances de bebês recém-nascidos contraírem pneumonia logo após o parto. A doença, nesse caso específico, é causada por bactérias chamadas GBS (em inglês, group B streptococcus, “streptococcus do grupo B”), presentes nos nossos intestinos e também em mucosas como a boca e a vagina. Elas são inofensivas para adultos, mas não para os pequenos – a não ser, claro, que eles já nasçam resistentes graças a um Fido. Ou Rex. Ou Zeus. Ou Átila. Ou Pudim. Enfim.  

A teoria de que a exposição a animais e sujeira no início da vida reforça a imunidade não é nova, e o número de artigos científicos que corroboram a tese só aumenta. Ainda em 2015 a SUPER fez uma lista sobre as vantagens de ter um cãozinho, e na época já se sabia que eles diminuem o risco do seu bebê crescer com asma.

Mas, se mesmo depois de tudo isso você ainda não tiver se convencido de que ter um cachorro é uma ótima ideia, não se preocupe: no futuro, é provável que você possa comprar pílulas com todas as bactérias caninas interessantes para sua saúde – e não levar o animal em si no pacote. “Não duvido que a indústria farmacêutica tente criar suplementos com esses micróbios, mais ou menos como fizeram com probióticos [doses de bactérias benéficas para o sistema digestório que podem ser compradas em farmácias]”, afirmou à imprensa Anita Kozyrskyj, co-autora do estudo.

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