Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês

Cientistas descobrem maior terremoto da história da humanidade

O tremor de magnitude 9,5 teria ocorrido há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile – e empata, em intensidade, com outro ocorrido no país em 1960.

Por Luisa Costa 19 abr 2022, 16h54

Arqueólogos encontraram evidências do maior terremoto conhecido até então na história da humanidade: um de magnitude 9,5 que ocorreu há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile. O tremor teria causado um tsunami com ondas de até 20 metros de altura, que viajou até a Nova Zelândia, do outro lado do Oceano Pacífico.

Não tem ideia do que seria um terremoto de magnitude 9,5? Uma catástrofe, com certeza. Aquele que atingiu o Japão em março de 2011, causando um tsunami e um acidente nuclear em Fukushima, tinha magnitude 9,1. Mas são casos excepcionais. Terremotos bem menores (e mais comuns) já podem causar um grande estrago – o que devastou o Haiti em 2010 tinha magnitude 6, por exemplo.

O antigo tremor de 9,5 na Escala de Richter, descoberto agora, empata com outro de mesma intensidade, também registrado no Chile (mas no sul do país, a 570 km de Santiago). Conhecido como Grande Terremoto de Valdivia, ele ocorreu em maio de 1960 e foi sentido em muitos lugares do planeta – as ondas que surgiram no oceano chegaram ao Havaí e ao Japão.

“Pensava-se que não poderia haver um evento desse tamanho no norte do país porque ali você não poderia obter uma ruptura longa o suficiente”, afirma em comunicado o professor James Goff, professor da Universidade de Southampton (Inglaterra) e autor do estudo publicado na revista Science Advances.

“Mas agora encontramos evidências de uma ruptura com cerca de mil quilômetros de extensão na costa do deserto de Atacama.” A ruptura subterrânea causada pelo movimento das placas tectônicas que originou o terremoto de 1960 era bem menor, com 800 km.

Como os cientistas descobriram o antigo terremoto? Eles encontraram rochas, conchas e restos de animais que foram deslocados do mar para o interior do Deserto do Atacama. “Tudo isso em locais muito altos e distantes da costa, então uma tempestade não poderia ter colocado [esses elementos] lá”, explica o pesquisador.

Continua após a publicidade

A equipe estudou sete locais de escavação ao longo de 600 km da costa norte do Chile e, usando datação por radiocarbono, descobriu que aqueles materiais costeiros teriam sido levados para o deserto há cerca de 3,8 mil anos.

Os arqueólogos também encontraram antigas paredes de pedra construídas pelos caçadores-coletores que viviam na região e acreditam que elas foram derrubadas e arrastadas pelo tsunami.

Imagem detalhe de uma estrutura de pedra desmoronada.
Segundo os arqueólogos, as estruturas de pedra encontradas nas escavações foram derrubadas pelo tsunami. University of Southampton/Divulgação

Segundo Goff, o episódio foi acompanhado por uma enorme agitação social, com o deslocamento de comunidades para o interior. “Passaram-se mais de mil anos antes que as pessoas voltassem a viver na costa novamente, o que é um período de tempo incrível, já que eles dependiam do mar por comida.”

Outras evidências estão do outro lado do Pacífico: pedras do tamanho de carros na ilha de Chatham, Nova Zelândia, que teriam sido lançadas pelas ondas a centenas de metros para o interior. Por coincidência, Goff estudava essas pedras antes de ser convidado a se juntar à equipe do estudo.

Imagem de um homem, em pé, apoiando a mão direita em uma grande rocha, perto do mar.
Pedras gigantes nas ilhas Chatham teriam sido carregadas pelo tsunami que surgiu com antigo terremoto no Chile. University of Southampton/Divulgação
Compartilhe essa matéria via:
Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Transforme sua curiosidade em conhecimento. Assine a Super e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da Super. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da SUPER, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Receba mensalmente a SUPER impressa mais acesso imediato às edições digitais no App SUPER, para celular e tablet.

a partir de R$ 12,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

App SUPER para celular e tablet, atualizado mensalmente.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)