Como será a Artemis III?
Prevista para 2027, a próxima missão não levará humanos à superfície lunar – e seus sistemas ainda não estão prontos.
Entre as décadas de 1960 e 1970, o programa Apollo, da Nasa, realizou 17 missões lunares, das quais 6 pousaram na Lua. Após o fim do programa, em 1972, a agência só retomou a exploração do satélite natural da Terra no século 21, com o programa Artemis.
A primeira missão ocorreu em 2022, com um sobrevoo lunar não tripulado. Já em 2026, neste mês de abril, foi concluída a Artemis II, responsável por um sobrevoo lunar tripulado, que fez história ao ser a primeira missão do tipo neste século.
O próximo passo, porém, é motivo de controvérsia. No planejamento original da Nasa, os objetivos eram ambiciosos: a Artemis III levaria humanos de volta à superfície lunar, enquanto a Artemis IV realizaria um novo pouso para estabelecer uma estação espacial lunar, a Gateway, que funcionaria como uma base de apoio permanente, parecida com a Estação Espacial Internacional. Haveria uma distância de anos entre as missões.
Mas o plano acumulou atrasos e custos elevados, intensificando as críticas. A Artemis II, por exemplo, estava inicialmente prevista para 2024, e seu orçamento ultrapassa muitos bilhões de dólares.
Diante disso, em fevereiro deste ano, a Nasa anunciou uma reestruturação do programa Artemis, com metas mais pé no chão. A nova estratégia se aproxima do modelo Apollo, que realizava missões menos espaçadas umas das outras e com dificuldade crescente.
A Artemis III, agora prevista para 2027, não deverá realizar um pouso lunar. A missão funcionará da seguinte forma: a cápsula Orion, com astronautas a bordo, será lançada ao espaço pelo foguete SLS – os mesmos sistemas já testados nas missões anteriores.
Na órbita baixa da Terra, a Orion irá realizar um teste de acoplamento com um módulo de pouso comercial. Se isso soa como grego antigo, pode deixar que explicamos.
Para realizar o tão sonhado pouso lunar, os astronautas não pousam no satélite diretamente com a cápsula principal. Na verdade, eles acoplam a cápsula em um módulo de pouso, que os espera na órbita lunar. A partir de lá, descem até a superfície lunar.
Esse processo é complexo, e a Artemis III servirá justamente para testá-lo. Esse sistema de pouso, porém, ainda está em desenvolvimento – e não é um, mas dois. Atualmente, a Nasa trabalha com dois projetos paralelos: o Sistema de Pouso Humano (HLS) Starship, da SpaceX, com cerca de 50 metros de altura (equivalente a um prédio de 15 andares), e um segundo sistema desenvolvido pela Blue Origin. Ambas são empresas privadas.
Antes de serem utilizados com tripulação, ainda precisarão passar por testes não tripulados.
Por enquanto, a Nasa disponibilizou duas ilustrações dessas estruturas: a primeira é a que aparece no topo da matéria e a segunda, esta aqui abaixo:
A expectativa é que a Artemis III teste ao menos um desses sistemas (ou ambos), avaliando suporte à vida, comunicação, propulsão e outros aspectos essenciais. Também serão testados os novos trajes para atividades extraveiculares (xEVA), usados quando os astronautas deixam a nave.
Além de servir como veículo de descida, esses módulos precisam funcionar como habitats temporários, capazes de sustentar a vida humana e resistir às condições extremas da Lua. A ideia é que o modelo da SpaceX seja utilizado nas primeiras missões, enquanto o sistema da Blue Origin entraria em operação à longo prazo, possivelmente a partir da Artemis V.
A tripulação da missão ainda não foi anunciada, e muitos detalhes seguem em atualização. No próprio site oficial, a Nasa deixa uma nota na qual informa que está revisando as informações para alinhá-las às mudanças recentes do programa Artemis e às novas diretrizes da política espacial dos Estados Unidos.
Mesmo com as incertezas, já se sabe que a Artemis IV, prevista para 2028, deve se tornar a missão responsável por levar novamente humanos à superfície lunar. Nela, os astronautas fariam a transferência da cápsula Orion para um módulo de pouso em órbita lunar, permitindo finalmente a descida.
A reformulação do programa também inclui a Artemis V, ainda sem objetivos totalmente definidos, mas com foco na exploração do polo sul da Lua. A meta de longo prazo é estabelecer um ritmo de missões lunares anuais a partir dela.







