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Corais-de-fogo que só existem no Brasil correm risco de extinção silenciosa

Pesquisa inédita revela que o branqueamento está levando silenciosamente os corais-de-fogo endêmicos do Brasil à extinção

Por Ana Clara Caielli Barreiro 9 fev 2026, 19h00 •
  • Um dos diversos efeitos do aquecimento global é o branqueamento, considerado a maior ameaça aos recifes de coral do mundo. Funciona assim: a emissão de gases de efeito estufa eleva a temperatura média dos oceanos, interfere no equilíbrio ecológico e faz com que os corais expulsem as microalgas que vivem em sua estrutura e são sua principal fonte de alimento, chamadas de zooxantelas.

    O resultado? Corais brancos, frágeis e sem energia – muito provavelmente fadados à morte. Esse processo é intensificado por fenômenos como a fase quente do El Niño–Oscilação Sul e provoca perda de biodiversidade, impactando a cadeia alimentar marinha e interferindo até mesmo na pesca e no turismo.

    No Brasil, a primeira grande onda de branqueamento foi registrada em 2019, e a mais recente, no início de 2024. Desde então, cientistas brasileiros vêm monitorando e estudando os corais.

    Os corais-de-fogo, no entanto, historicamente ficaram de fora desses estudos, pois são menos abundantes e o acesso às suas colônias é mais difícil, já que ficam, em geral, na borda dos recifes.

    O nome se refere ao gênero Millepora, que reúne espécies de “corais falsos”, conhecidos por causar queimaduras na pele. Apesar da aparência, não são corais propriamente ditos, mas hidrocorais. Até pouco tempo atrás, não se sabia qual era o impacto do branqueamento nesses organismos.

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    Um novo estudo publicado na revista Coral Reefs mudou esse cenário. Ao analisar os corais-de-fogo, os pesquisadores perceberam que, silenciosamente, essas espécies vêm entrando em extinção.

    A pesquisa monitora, desde 2019 e em diferentes localidades, as quatro espécies de Millepora presentes no Brasil, sendo três delas endêmicas, ou seja, que só existem no país.

    A espécie Millepora braziliensis, estudada na Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, em Tamandaré (PE), apresentou branqueamento de 100% e perdeu toda a sua cobertura viva. Ela é classificada como criticamente ameaçada de extinção pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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    Já a Millepora nitida, também endêmica, monitorada em Porto Seguro (BA), apresentou um índice de branqueamento de 40%. 

    Felizmente, a Millepora alcicornis, espécie presente tanto no Caribe quanto no Brasil, mostrou-se mais abundante e já vinha sendo acompanhada por estudos anteriores.

    A situação da Millepora laboreli é mais incerta. A espécie existe apenas no Parcel do Manuel Luís, no Maranhão, uma área de acesso extremamente difícil, e, por isso, não pôde ser estudada em profundidade. Informações de 2022 indicavam baixa quantidade de colônias, mas não há registros suficientes para saber se o quadro piorou desde então.

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    Segundo os pesquisadores, quando novas ondas de branqueamento ocorrerem, é muito provável que essas espécies entrem em extinção. O dado é alarmante,  especialmente diante da importância ecológica dos corais-de-fogo, que aumentam a biodiversidade dos recifes e servem de abrigo para diversas outras espécies.

    A solução não é uma fórmula mágica, e demanda frear o aquecimento global, implementar políticas públicas de conservação em áreas recifais e pesquisas sobre possíveis estratégias de restauração.

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