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De olho no mico

Flávio Dieguez

Veja as primeiras imagens do raríssimo mico-leão-da-cara-preta na sua rotina em plena selva. Descubra como ele protege a casa, ganha o pão de cada dia e faz amigos.

Não há no mundo mais do que 300 exemplares do Leontopithecus caissara, que você está vendo na foto aí do lado. Esse macaco, que só existe em algumas regiões litorâneas paulistas e paranaenses, está ameaçado pelo desmatamento gradual de seu hábitat. Daí a pressa da bióloga Fabiana Prado, do Instituto de Pesquisas Ecológicas, em São Paulo, em fazer o levantamento completo das macaquices do bicho num de seus refúgios, a Ilha de Superagüi (veja o quadro na página ao lado). Ela quer saber exatamente o que o mico faz a cada hora do dia, mais ou menos como se estivesse reconstruindo a agenda do cara-preta. O resultado pode ajudar os ecologistas a encontrar meios de preservar as populações que restam do mico-leão-de-cara-preta. Nas fotos destas páginas, você vai ver algumas das primeiras cenas que Fabiana já registrou em sua pesquisa.

Junto com o sol

Ele sai bem cedo do oco onde dorme e pode começar o dia brincando com os filhotes, atividade à qual os adultos dedicam 5% do seu tempo

Sem perder de vista

Para saber exatamente onde está um animal, a qualquer momento do dia ou da noite, Fabiana capta os sinais do rádio pendurado no corpo dele

R.G. com cheiro

Demarcar o território é um item da agenda. No peito existe uma glândula que, esfregada nos galhos, deixa o cheiro característico do bando

De garfo na mão

Procurar frutas e insetos consome menos de 15% da jornada dos micos. Este da foto, com um bicho cascudo na boca, já fez parte do trabalho

Boas maneiras

Tirar piolhos dos companheiros é um prazer e uma obrigação. A chamada catação consolida a tribo, criando laços fortes entre seus membros

Uma cidade dentro da floresta

O bando ocupa uma área equivalente a 400 quarteirões.

Uma tribo reúne menos de dez animais. Compõe-se de um casal e seus filhotes com menos de 2 anos, e alguns “agregados”, ou seja, jovens vindos de outros bandos. O casal fica junto até a morte e sempre tem dois filhotes por ano. As crias nascem entre dezembro e fevereiro, época de muita chuva e muita comida.

Entre o menor e o maior macaco brasileiro

O corpo do sagüi-anão tem 10 centímetros de comprimento…

…o do cara-preta tem 30 centímetros…

…e o do muriqui tem 78 centímetros.