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Erupções bem-vindas

Nem sempre os vulcões são mortíferos. Eles encantam os turistas e geram energia.

Gabriela Yama

O Havaí e a Islândia não têm muito do que reclamar dos seus vulcões. Graças a eles, o território desses dois arquipélagos aumenta sem parar. A Islândia viu surgir uma ilha nova, Surtsey, em 1963, a partir de uma erupção submarina. Já o Havaí é como uma família que ganha um novo bebê de tempos em tempos. Uma nova ilha, Loihi, deverá se incorporar, daqui a alguns milhares de anos, às oito já existentes – seu cume, hoje, está 600 metros abaixo da superfície do oceano.

As montanhas de fogo não trazem apenas destruição e morte. Elas também esculpem permanentemente o planeta, dando-lhe uma nova cara. “Os vulcões são uma janela que nos ajuda a entender como a Terra se formou e como ela será no futuro”, diz a geofísica Leila Soares Marques, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. A beleza das paisagens criadas por eles atrai milhões de turistas a vários lugares do mundo, como o próprio arquipélago havaiano.

Além de mudar a geografia, os vulcões ainda funcionam como grandes refinarias de substâncias químicas, trazendo para a superfície terrestre minerais como o sódio, o potássio e o enxofre. Por isso, os solos vulcânicos são muito férteis. A energia virtualmente inesgotável que o calor do magma proporciona é aproveitada por alguns países, que recorrem ao vapor de gêiseres e fumarolas (veja o infográfico) para alimentar geradores de eletricidade. Para os islandeses, que não têm hidrelétricas, o benefício compensa o risco sempre iminente de uma erupção.

Terra de descanso

Para nossa sorte, o Brasil não possui vulcões – a única exceção é um bloco de pedra chamado Paredão, na Ilha de Trindade, extinto há 300 000 anos. Mas nem sempre foi assim. Há 130 milhões de anos, um grande derramamento de lava cobriu de basalto derretido uma região enorme, que se estendia do Uruguai ao Mato Grosso do Sul. “Nesses locais há camadas de basalto de mais de 1 quilômetro de espessura”, disse o geólogo Evandro Fernandes de Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

O passado vulcânico do país pode ser comprovado por quem visita as fontes de água quente como as de Caldas Novas, em Goiás. Debaixo dessas fontes existem câmaras magmáticas endurecidas, com mais de 50 milhões de anos de idade. Daqui a 100 milhões de anos, o calor subterrâneo deverá estar totalmente dissipado – até lá, os turistas têm tempo de sobra para se divertir.

Dragõezinhos camaradas

Essas chaminés só cospem água.

1. Chaleira gigante

 

O gêiser é uma cavidade rochosa preenchida por água da chuva e esquentada por um depósito de magma. O calor do magma esquenta a água a mais de 200 graus Celsius. Ao ferver, o vapor gera uma pressão tão grande que acaba escapando para a superfície.

 

2. Piscinas quentes

As fontes termais são água proveniente de um lençol subterrâneo, aquecida por uma câmara magmática. São ricas em sais minerais do subsolo. Algumas fedem a enxofre.

 

3. Vapor subterrâneo

As fumarolas se formam quando há uma camada de rochas porosas e um lençol d‘água sobre um bolsão de magma. O calor faz com que o vapor suba por fendas na rocha até a superfície.