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Fechar os olhos realmente ajuda a ouvir melhor?

Novo estudo com participantes em locais barulhentos talvez tenha a resposta

Por Bela Lobato 22 abr 2026, 10h00
  • Você deve conhecer a sensação: em um local barulhento, como uma sala de embarque de aeroporto ou rodoviária, é difícil distinguir os sons e prestar atenção em algo específico, como os anúncios no alto falante. Nessa hora, pode ser que, tentando se concentrar, você feche os olhos para tentar ouvir melhor, sem se distrair com a visão.

    Entretanto, novos achados científicos sugerem que essa estratégia não funciona sempre assim. O estudo de pesquisadores da Universidade Shanghai Jiao Tong, publicado na revista Acoustical Society of America, mostra que, muitas vezes, a visão nos ajuda a distinguir sons, e não nos confunde.

    A conclusão ocorreu a partir de um experimento: usando fones de ouvido, voluntários tinham de identificar sons específicos – especificamente, sons de remada na água, tambor, canto de um pássaro, o estrondo de um trem e o clique de um teclado – em meio a ruídos ambientes.

    Os cientistas testaram o desempenho da identificação de sons em quatro cenários diferentes: com as pessoas de olhos fechados; com os olhos abertos olhando para uma tela em branco; depois, olhando para uma imagem estática relacionada ao som; e, por fim, assistindo a um vídeo que correspondia aos sons.

    “Descobrimos que, ao contrário do que se acredita, fechar os olhos na verdade prejudica a capacidade de detectar esses sons”, disse o autor Yu Huang, em comunicado. “Por outro lado, assistir a um vídeo dinâmico correspondente ao som melhora significativamente a sensibilidade auditiva.”

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    Depois de “encontrar” o som, os participantes deveriam aumentar ou diminuir o volume até o ponto em que fosse difícil identificá-lo em meio ao ruído de fundo. O volume no qual conseguiam ouvi-lo enquanto observavam uma tela em branco serviu de referência para comparação, como se fosse o ponto “neutro”.

    De olhos fechados, os participantes precisavam que o som estivesse, em média, 1,32 decibéis mais alto do que o valor de referência (o ponto “neutro”, olhando para a imagem em branco) para que pudessem detectá-lo. Por outro lado, ao olhar para a imagem estática relacionada ao som, as pessoas conseguiam ouvi-lo quando ele estava 1,6 decibéis mais baixo do que a referência.

    Na hora do vídeo, a coisa mudou de vez: enquanto assistiam, os voluntários conseguiam identificar o som a um volume 2,98 decibéis mais baixo do que na condição de referência.

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    Tetracromatismo: quando os olhos enxergam 100 milhões de cores

    Para entender melhor esse resultado, a próxima fase do estudo realizou exames de eletroencefalograma para monitorar a atividade cerebral dos participantes durante os testes. Eles determinaram que fechar os olhos coloca o cérebro do participante em um estado de criticidade neural, que filtra de forma mais agressiva ruídos e sons suaves, incluindo os sons-alvo que os participantes estavam tentando detectar.

    “Em um ambiente sonoro ruidoso, o cérebro precisa separar ativamente o sinal do ruído de fundo”, disse Huang. “Descobrimos que o foco interno promovido pelo fechamento dos olhos, na verdade, funciona contra você nesse contexto, levando a um excesso de filtragem, enquanto o envolvimento visual ajuda a ancorar o sistema auditivo ao mundo externo.”

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    Os autores destacam, entretanto, que esse resultado se aplica apenas a ambientes barulhentos. Em locais mais calmos, a estratégia de fechar os olhos ajuda a detectar sons sutis. 

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