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Ferramentas sofisticadas de 160.000 anos encontradas na China desafiam viés arqueológico

Instrumentos sugerem que os hominídeos asiáticos pré-históricos eram mais avançados tecnologicamente do que se imaginava.

Por Diego Facundini
29 jan 2026, 10h28 •
  • Por décadas, um entendimento comum na arqueologia colocou os hominídeos da Ásia pré-histórica na traseira do avanço tecnológico. Para os especialistas, enquanto populações da África e do Oeste da Europa já eram capazes de criar ferramentas complexas e sofisticadas entre 300 mil e 50 mil anos atrás, os povos asiáticos (em tese) mantinham uma tradição tecnológica simples e conservadora.

    Agora, uma nova descoberta desafia esse entendimento. No sítio arqueológico de Xigou, na China central, arqueólogos desenterraram mais de 2.800 instrumentos de pedra datados entre aproximadamente 72 mil e 160 mil anos atrás. Os achados – publicados nessa terça-feira (27) no periódico Nature Communications – sugerem que avanços tecnológicos ocorreram na região muito antes do que se pensava.

    As escavações ocorreram entre 2019 e 2021. Alguns dos artefatos encontrados eram ferramentas compostas – isto é, instrumentos inseridos ou amarrados a um cabo para facilitar o manuseio. Esses são os mais antigos já encontrados naquela região.

    A maioria dos instrumentos escavados foi encontrada em fragmentos pequenos – menores que 50 milímetros. Para criar as ferramentas, os antigos hominídeos asiáticos empregavam técnicas elaboradas, cheias de passos intermediários. As etapas envolviam cortar, furar e raspar os fragmentos. Para que isso fosse possível, havia alguma forma de planejamento complexo antes de botar a mão na massa.

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    Fotografia das ferramentas de pedra datadas entre 160.000 e 72.000 anos atrás na China.
    (Jian-Ping Yue/IVPP/Reprodução)

    Artefatos de pedra do mesmo período feitos com técnicas mais simples de lascagem já haviam sido encontrados em pesquisas anteriores. No entanto, essa é a primeira vez que o emprego de técnicas mais complexas é observado.

    Sob o microscópio, os cientistas também identificaram ranhuras minúsculas na superfície dos artefatos, sugerindo que esses instrumentos podem ter sido usados para cortar vegetais como plantas e madeira.

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    As ferramentas não foram necessariamente produzidas pela nossa espécie – o Homo sapiens. Naquele intervalo de 90 mil anos, a região também foi povoada por outros hominídeos, como os denisovanos, os Homo juluensis e os Homo longi – e muitos deles já contavam com um cérebro grande. Porém, faltam evidências para dizer, com exatidão, quais deles manusearam aqueles artefatos.

    As ferramentas datam de uma época em que hominídeos viviam como caçadores-coletores, e sugerem que essas espécies tinham comportamentos flexíveis, adaptando-se aos recursos e às condições climáticas de cada ambiente.

    Os achados rebatem a visão persistente de que, na caminhada pré-histórica do avanço tecnológico, os povos do leste asiático ficaram para trás. Por pelo menos cinquenta anos, esse viés arqueológico se consolidou no conceito da Linha de Movius – uma linha imaginária proposta pelo arqueólogo Hallam L. Movius em 1948, que divide o Mundo Antigo.

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    A linha, desenhada mais ou menos ao sul da Índia, dividia o desenvolvimento tecnológico dos hominídios pré-históricos entre as culturas europeias e africanas que dominavam o biface (um instrumento de pedra simétrico e cortante) e os povos do leste-asiático que dominavam apenas o seixo talhado, uma ferramenta mais primitiva.

    A maior descoberta do sítio de Xigou contraria esse entendimento: desenvolvendo ferramentas complexas, os hominídeos asiáticos possivelmente caminhavam ao mesmo passo que seus contemporâneos europeus e africanos.

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