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Finalmente descobriram a utilidade do apêndice

Órgão é mais que um mero apêndice: serve de depósito de bactérias boas que nos mantêm saudáveis.

Por Ana Luísa Fernandes 2 dez 2015, 18h00 | Atualizado em 31 out 2016, 19h04
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O apêndice não tem a melhor das famas. Na verdade, mal nos lembramos dele: só quando inflama, pondo nossa vida em risco. O próprio nome do órgão dá uma medida de sua reputação ruim: “apêndice”, algo que pende, uma coisa pendurada no nosso sistema digestivo, sem função nenhuma. A explicação tradicional é que se trata de uma redundância que a evolução esqueceu dentro de nós.

Pois uma nova pesquisa indica que a má fama é injusta. Microbiólogos australianos e franceses concluíram que o órgão é fundamental no papel de povoar o sistema digestivo com bactérias que colaboram com nosso sistema imunológico, nos defendendo de infecções. 

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Os heróis da história são umas células chamadas linfócitos inatos, que existem em grande quantidade no apêndice. Soldadas do sistema imunológico, elas protegem o órgão em caso de ataque bacteriano e cuidam da defesa contra microorganismos invasores. Quando esses linfócitos falham, o apêndice inflama e você tem que sair correndo para o hospital. “O que nós descobrimos é que os linfócitos inatos podem ajudar o apêndice a propagar as bactérias ‘boas’ no microbioma – a comunidade de bactérias no corpo”, disse Gabrielle Belz, do Instituto Walter + Eliza Hall de Pesquisa Médica, de Melbourne. Um microbioma equilibrado é fundamental para a saúde em geral, mas principalmente para  ajudar o corpo a se recuperar de ameaças bacterianas, como intoxicações alimentares. O apêndice seria, então, uma espécie de depósito de bactérias, que são fornecidas para o sistema digestivo inteiro.

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Ter um apêndice saudável pode, portanto, poupar algumas pessoas de medidas extremas, como o transplante de fezes. Essa ação, que consiste em retirar fezes de um indivíduo e implantá-las no sistema digestivo de outro, serve para para recuperar a flora intestinal.

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