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Ilha nas Maldivas registra maior nível de poluição por microplástico da Terra

Os resíduos podem prejudicar desde o ecossistema marinho da região até a saúde de moradores locais.

Por Carolina Fioratti - 5 ago 2020, 18h31

As Ilhas Maldivas são conhecidas mundialmente por suas belezas naturais. O turismo no arquipélago é intenso. Mas o que poucos sabem é que o local possui uma das maiores quantidades de microplásticos do mundo, o que pode colocar em risco a saúde de moradores locais e o ecossistema marinho que os cerca.

Pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, analisaram o nível de poluição na costa de Naifaru, capital e ilha mais populosa de Lhaviyani Atoll, divisão administrativa das Maldivas. Os biólogos passaram por 22 locais ao longo da costa, encontrando uma concentração de microplásticos entre 55 e 1127,5 partículas por quilo de areia. 

Toby Patti, um dos autores do estudo, explicou em nota que “a concentração de microplásticos encontrados em Naifaru, nas Maldivas, foi maior do que a encontrada anteriormente em um local altamente povoado em Tamil Nadu, Índia (3 a 611 partículas/kg), e foi uma concentração semelhante à encontrada em ilhas habitadas e desabitadas em outras partes das Maldivas (197 a 822 partículas/kg)”.

Os microplásticos são pedaços minúsculos de plástico (menos de cinco milímetros) gerados a partir da decomposição de resíduos maiores, como garrafas e sacolas, ou mesmo a partir da lavagem de roupas de tecido sintético. Eles estão em abundância no meio ambiente e são um dos principais poluentes dos oceanos. 

Essas partículas são capazes de absorver substâncias tóxicas que estejam presentes no mar, como pesticidas, o que preocupa os cientistas. Na parte rasa de um recife de coral, animais marinhos podem acabar ingerindo esses pedacinhos por confundirem com comida. Esses pequenos peixes podem ter seu sistema digestivo prejudicado e acabar morrendo, diminuindo a oferta de alimento para peixes maiores, o que afetaria drasticamente o ecossistema.

Por outro lado, os peixes podem entrar na cadeia alimentar com substâncias tóxicas no corpo, chegando aos pratos dos moradores locais. Os problemas que os microplásticos causam na saúde humana ainda não são claros, mas alguns pesquisadores supõem desde doenças respiratórias até câncer devido aos produtos químicos presentes no resíduo.

Os biólogos explicam que o microplástico pode ter chegado às Maldivas pelas correntes oceânicas de países vizinhos no Oceano Índico, como a Índia. Outra hipótese é a deficiência dos sistemas de esgoto das ilhas. Nos últimos 10 anos, a quantidade de resíduos gerados no arquipélago aumentou cerca de 58%, e as políticas locais não estão dando conta de lidar com a situação. Grande parte da sujeira acaba em “ilhas de lixo”, que servem como aterros sanitários do país. 

O próximo passo para os cientistas será analisar o conteúdo estomacal dos animais que vivem próximos aos recifes de coral e estudar a concentração de microplásticos em seus corpos.

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