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Incêndios na Austrália afetaram quase 3 bilhões de animais, dizem cientistas

Segundo relatório, aumento anormal da temporada de queimadas prejudicou dezenas de espécies, causando mortes e perdas de habitat.

Por Carolina Fioratti - Atualizado em 28 jul 2020, 17h21 - Publicado em 28 jul 2020, 17h18

Um relatório encomendado pela ONG WWF trouxe detalhes sobre as consequências das temporadas de incêndio na Austrália para a vida selvagem. O fogo que impactou o país entre novembro 2019 e abril de 2020, segundo estimativas, afetou cerca de 143 milhões de mamíferos, 180 milhões de aves, 51 milhões de sapos e 2,5 bilhões de répteis. 

Dados anteriores indicavam que cerca de um bilhão de animais haviam sido mortos ou retirados de seus habitats, mas a realidade parece ser ainda pior, aproximando-se da marca dos três bilhões. No novo documento, os cientistas consideraram tanto os animais mortos ou afetados diretamente pelos incêndios, tendo complicações devido às chamas e ao calor, quanto aqueles que sobreviveram ao desastre, mas depois enfrentaram a fome, desidratação e predação por parte de animais selvagens.

Para a análise, os 10 pesquisadores envolvidos no estudo usaram como base uma área queimada de 126 mil quilômetros quadrados, o que equivale quase ao tamanho da Inglaterra. Dermot O’Gorman, chefe executivo da WWF Austrália, disse ao jornal britânico The Guardian que “é difícil pensar em outro evento em qualquer lugar do mundo que tenha matado ou desabrigado tantos animais. Esse episódio é considerado um dos piores desastres da vida selvagem na história moderna.”

Em novembro de 2019, um vídeo de uma voluntária resgatando um coala viralizou nas redes sociais. No entanto, esses mamíferos não foram os principais afetados. A maior perda ocorreu com répteis, como os da família dos escíncidos. Eles são pequenos lagartos que podem viver em bandos de mais de 1,5 mil indivíduos por hectare de floresta. 

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A temporada anormal de incêndios na Austrália pode ser explicada pela união do aquecimento global a outros fenômenos climáticos locais. O ano de 2019 foi o mais quente e seco desde o início do século 20. Isso se juntou à uma onda de calor que assolou o país em dezembro do mesmo ano, e resultou na temperatura recorde de 41,9 ºC. A dinâmica de ventos na região e o fenômeno El Niño Índico também tiveram participação nessa intensificação das queimadas. Você pode conferir todos os detalhes sobre o tema nessa reportagem da SUPER.

Os incêndios na Austrália sempre existiram por causas naturais, mas, agora, estão se intensificando devido ao aumento de gases do efeito estufa na atmosfera – algo que tem participação humana. Dados reunidos pelo departamento de meteorologia australiano mostram que as secas no sudeste de Nova Gales do Sul e em Vitória, dois dos estados mais atingidos pelas queimadas, começam a se intensificar já em agosto. Na década de 1950, isso acontecia apenas a partir do mês de novembro.

Na última temporada de incêndios, cerca de 70 espécies foram atingidas pelo fogo. Dessas, 49 não estão listadas como ameaçadas, mas podem estar correndo risco de sobrevivência. Um relatório provisório que analisa a Lei de Proteção Ambiental e Conservação da Biodiversidade da Austrália sugere que o documento apresenta medidas ineficazes para enfrentar os desafios ambientais atuais. Além disso, reforça que o país tem hoje uma das maiores taxas de extinção do mundo. 

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