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Intuição – Tive um pressentimento…

Dê ouvidos a quem diz essa frase. A intuição pode estar mais certa do que suas melhores ponderações racionais. Ela é uma avaliação muito rápida (e inconsciente) do seu cérebro. A seguir, 4 experimentos que testam seus superpoderes:

1. APOSTADOR ESPORTIVO

MILÉSIMOS DE SEGUNDOS PARA PREVER UMA DUPLA FALTA

A QUESTÃO – Num amistoso de tênis entre Guga e André Agassi em 2010, o jogo terminou no tie-break, quando o americano cometeu uma dupla falta de saque e perdeu. Se tivesse assistido ao jogo, o treinador americano Victor Braden poderia ter previsto a falha mesmo antes que Agassi encostasse na bola. Só de olhar para o jogador, antes do saque, ele é capaz de acertar quase 100% das vezes se ele vai cometer o erro – mesmo que, entre profissionais de ponta, a dupla falta só aconteça 3 ou 4 vezes em centenas de jogadas. Isso é premonição?

O EXPERIMENTO – Um estudo com jogadores de basquete mostrou que atletas de elite são capazes de acertar com 67% de precisão se uma bola arremessada vai ou não entrar na cesta. Como eles foram monitorados, percebeu-se que, durante o lance, as fibras nervosas que ligam o córtex motor aos músculos ficavam mais ativas tanto nos arremessadores como nos que viam a jogada. O cérebro seria capaz de simular o movimento do outro, e isso ajudaria na “previsão”.

A REVELAÇÃO – Esse tipo de habilidade não tem nada de paranormal. Tanto os jogadores de basquete como o treinador de tênis ficaram craques com a experiência. De tanto ver a mesma cena – e suas variáveis -, o inconsciente deles foi moldado para captar pequenos indícios no movimento dos atletas que anunciavam de antemão a dupla falta ou a cesta. A intuição funciona no piloto automático.

2. ALARME CONTRA PICARETAS

2 SEGUNDOS PARA AVALIAR UM PROFESR OU MÉDICO

A QUESTÃO – No primeiro dia de aula, você já sabia se ia gostar mais do professor de matemática ou de história. E nem foi preciso ver os 50 minutos de explicações, broncas ou piadinhas. Como pode?

O EXPERIMENTO – A psicóloga Nalini Ambady, da Universidade Tufts, mostrou a voluntários imagens de dois professores dando aula. Os takes duravam apenas dois segundos. E eles tinham de dizer de quem a turma, que teve aula com os caras durante 6 meses, gostava mais. Os voluntários acertavam na mosca. Também conseguiram diferenciar cirurgiões idôneos daqueles que haviam sido processados pelos pacientes.

A REVELAÇÃO – O estudo confirma a capacidade humana de ler microexpressões faciais, aquelas que passam batido pelo lado racional do cérebro, mas não pelo inconsciente. O pioneiro desses estudos é Silvan Tomkins, psicólogo de Princeton. Seu discípulo Paul Ekman mapeou todos os sinais que transparecem em cada microexpressão de nossa face. Por isso, quando aquele seu amigo disser que sua prima é falsa, assim, só de cumprimentá-la, pode ser válido levar em consideração.

3. DETECÇÃO DE TRAPAÇAS

8 VEZES MAIS RÁPIDA QUE A RAZÃO

A QUESTÃO – Quanto tempo seu cérebro demora para perceber que alguma coisa não vai bem? Pesquisadores da Universidade de Iowa, nos EUA, mostraram que no inconsciente a coisa acontece rapidinho. O duro é racionalizar a experiência e conseguir expressá-la.

O EXPERIMENTO – Um voluntário era colocado diante de dois maços de cartas, um azul e outro vermelho. Ele tinha de virar as cartas aleatoriamente e, dependendo do que aparecia lá, ganhava ou perdia grana. A pegadinha: as cartas vermelhas quase sempre traziam prejuízos grandes e ganhos modestos. As azuis davam prêmios bons e perdas suaves.

A REVELAÇÃO – Os voluntários só matavam a charada depois de virar 80 cartas. Mas na 50ª virada já estavam inconscientemente preferindo o maço azul. Incrível foi o resultado dos monitoramentos de produção de suor nas mãos, indicativo de estresse: na 10a virada de carta, em média, as mãos das cobaias já suavam diante do maço vermelho. Bingo.

4. TERAPIA DE CASAL INSTANTÂNEA

EM 3 MINUTOS, UM VEREDICTO PARA O FUTURO DA RELAÇÃO

A QUESTÃO – Quantas vezes você disse “Eu bem que avisei” a um amigo recém-separado de uma relação amorosa que você sempre soube não ter futuro? Pois cientistas da Universidade de Washington profissionalizaram a arte de meter a colher em briga de marido e mulher.

O EXPERIMENTO – Durante anos, os psicólogos filmaram 3 mil casais em situações cotidianas e isolaram as cenas de discussão e quebra-pau. Para não ser enganados por atuações forçadas – como nos reality shows – monitoraram os batimentos cardíacos, a temperatura do corpo e a produção de suor dos voluntários.

A REVELAÇÃO – Com a prática, bastava aos cientistas assistir a 3 minutos de cena de discussão para cravar, com 90% de acerto, se o casamento ia ser duradouro ou não. Eles avaliaram o diálogo entre os parceiros e os sinais do organismo, e concluíram que eram 4 os principais comportamentos que sinalizavam o fracasso da relação: ficar na defensiva, dificultar a discussão, criticar e desprezar. O desprezo era o sintoma mais fatal.