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Leopardo: Campeão de resistência

Nas trevas, o leopardo abatesuas presas com eficiência exemplare dribla o fantasma da extinção

Por 31 mar 2005, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h36
  • Stefan Gan

    O leopardo é um mestre da sobrevivência. Entre os grandes felinos, é o único que não sente na pele pintada a ameaça imediata de extinção. Ele resiste graças à versatilidade e ao senso de oportunidade. E, é claro, à excelência na caça. Que ele prefere praticar na escuridão. Basta o sol dar uma trégua na savana ou na floresta para os olhos do leopardo ficarem alerta. Escondido na vegetação, ele caminha silenciosamente pelo breu da noite. Seus passos são pensados – o felino coloca suas patas traseiras exatamente no mesmo lugar das dianteiras, para minimizar qualquer ruído na hora do ataque.

    Em meio a uma brisa refrescante, ele avista o cenário perfeito: um grupo de gazelas que descansa próximo a uma árvore, e que não faz a menor idéia do que está por vir. De repente, o leopardo desfere seu ataque fulminante. Em questão de segundos, ele salta para cima do grupo de mamíferos – o pulo do leopardo pode ter até 15 metros de distância. Ligeiras, as gazelas partem em disparada mata adentro, tentando se desvencilhar do predador. Mas o leopardo raramente volta com as mãos abanando. Com uma forte patada, consegue desequilibrar uma das gazelas e a sufoca rapidamente com uma mordida no pescoço. Menor e mais fraca, ela não demora a morrer e virar um banquete perfeito.

    Notívago, o leopardo (ou pantera) age quando as vítimas estão mais vulneráveis à sua visão noturna, uma de suas principais características predatórias. A visão do animal é seis vezes mais definida do que a dos humanos e, por isso, ele é capaz de perceber sua presa a 20 metros de distância mesmo no breu total e preparar seu ataque com maior precisão. Além disso, como todos os outros felinos, o leopardo também lança mão de seus aguçados faro e audição.

    “Os sentidos dos felinos têm um papel muito importante na hora da caça. É como um pacote: já vêm com a função adaptada para atacar suas presas”, afirma o pesquisador Alan Shoemaker, do grupo de especialistas em felinos da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). “Mas o leopardo, por ser o mais boêmio da turma, desenvolveu melhor sua visão, seu faro e sua audição. À beira de um rio, à noite, por exemplo, ele pode facilmente pegar um peixe em uma fração de segundos.”

    Embora seus hábitos sejam noturnos, é bom lembrar que o leopardo não passa os dias descansando. Esparramado em sua toca nas alturas das árvores, ele continua à espreita. Se percebe a aproximação de uma vítima, o felino pode arrematar seu almoço mesmo estando a mais de 5 metros de altura. Sua mira? Sempre a jugular de seu alvo.

    A habilidade de caça do leopardo é surpreendente e ele pode fazer vítimas até três vezes maiores que seu peso. Que o digam os gnus – antílopes com cabeça e chifres semelhantes aos do búfalo –, que, todos os anos, são atacados pelos felinos em sua migração da Tanzânia para a fronteira do Quênia em busca de pastagens verdejantes. Mesmo não sendo um animal de grandes dimensões, comparado a felinos como o tigre e o leão, o leopardo tem a seu favor força, mobilidade e agilidade. Ele pode chegar a 2 metros de comprimento, mas seu corpo leve e compacto, guiado por uma pequena cabeça e um longo rabo que serve como leme, lhe permite alcançar altas velocidades em sua busca pela presa – chega a 56 quilômetros por hora em poucos segundos. Além disso, a perfeição de seu design garante uma grande habilidade com suas patas, que funcionam como os braços humanos: ele abraça sua vítima, que não consegue soltar-se por causa das unhas longas e afiadas.

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    Depois da mordida na garganta da presa, o leopardo trata de carregar rapidinho seu abate para casa – galhos altos de árvores, onde passa a maior parte de seu tempo. Essa é mais uma estratégia do territorial e zeloso leopardo na África para não correr o risco de perder sua refeição para outros animais. A habilidade requer força e destreza. Impulsionado pelas afiadas garras dianteiras, ele consegue escalar uma acácia de mais de 5,5 metros para esconder seu alimento de hienas e leões, por exemplo.

    E, quando o assunto é comer, nada de frescura. A presa que ele guardou nos galhos da árvore pode ficar dias por lá e até começar a apodrecer que ele não se importará de comê-la mais tarde, quando tiver fome. Seu cardápio é bastante variado – ele aprecia de tudo um pouco: desde pequenos antílopes até babuínos e cachorros. “Outra característica importante do leopardo é seu senso de território. Ele sabe como ninguém defendê-lo e por isso é um bravo sobrevivente da selva”, diz Alan Shoemaker.

    O poderoso instinto de sobrevivência faz com que o leopardo seja, disparado, a maior população de felinos do continente africano. São cerca de 600 mil a 900 mil em toda África. E populações que podem chegar a 100 mil no total na Ásia – é o felino com maior distribuição geográfica do planeta. “Ele é um animal de fácil adaptação, talvez o mais versátil de todos os felinos. Mesmo com a caça à sua pele – febre nos 60, quando Jacqueline Kennedy lançou moda com seus casacos de leopardo –, a espécie esteve poucas vezes perto da extinção”, afirma Alan.

    O leopardo é um dos felinos que melhor convive com os humanos, embora possa haver graves problemas (leia quadro na pág. 35). Em subúrbios de Nairóbi, no Quênia, os moradores já se acostumaram à presença noturna dos leopardos, que perambulam pelos terrenos baldios à procura de comida. Mesmo assim, eles não abusam da boa vontade do felino e mantêm uma distância segura. Afinal, todo cuidado é pouco com um predador como esse.

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    Leopardos urbanos

    A magalópole Mumbai, capital indiana de produção de filmes, cresce tanto que avança na direção do parque nacional Sanjay Gandhi, onde vivem leopardos selvagens. E os leopardos avançam para a cidade. Inclusive para os estúdios da chamada Bollywood. No ano passado, foram 30 ataques nos bairros vizinhos ao parque, com 19 mortes. Para 2005, a estimativa é que o número de ataques aumente. Uma possível razão para a invasão dos felinos é a escassez de presas nos limites do parque, devido à superpopulação de leopardos. Eles saem de lá para comer animais como cachorros – mas não poupam crianças ou idosos.

    Fatos selvagens

    Nome vulgar

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    Leopardo ou pantera

    Nome científico

    Panthera pardus

    Dimensões

    Até 2,90 metros

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    Peso

    Até 80 kg

    Principais armas

    Mordida e patas

    Comportamento social

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    Solitário

    Ataques a humanos

    Em ambiente selvagem, são muito raros

    Quanto come

    Até 3,2 quilos por dia

    Expectativa de vida

    Até 15 anos na selva; 20 anos em cativeiro

    Dieta

    Impalas, antílopes, macacos, babuínos, gnus

    Principais inimigos

    Leões e tigres

    Se você encontrar um

    Se não chegar perto demais, dificilmente será atacado

    Para saber mais

    Na livraria

    Big Cat Siary: Leopard – Jonathan Scott e Angela Scott, Collins, Inglaterra, 2003

    Na internet

    https://lynx.uio.no/lynx/catfolk/ssaprd01.htm – Página da União Mundial para a Conservação da Natureza com informações sobre leopardos

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