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No inverno, falta energia solar

Mas é um equívoco pensar que essa falta seja causada pela distância da Terra ao Sol

Augusto Daminoli Neto

Muita gente pensa que o inverno acontece porque a Terra chegaria, nesta época, ao ponto máximo de afastamento do Sol. Não é verdade. Porque, se assim fosse, o hemisfério norte teria o inverno também neste período – a neve deveria cair nos meses de junho, julho e agosto, e não no Natal. O que muda de uma estação para outra é a inclinação com que os raios solares nos chegam. Embora possa ser difícil visualizar, não é nada complicado. É que a Terra está inclinada em relação ao plano em que o planeta gira ao redor do Sol (veja figura abaixo). Assim, alternadamente, um ou outro hemisfério fica mais – ou menos – exposto aos raios solares.

Em São Paulo, por exemplo, no verão, o Sol do meio-dia bate a pino. Mas, no inverno, os raios solares chegam inclinados cerca de 47 graus. Isso quer dizer que a cidade recebe perto de um quarto a menos de energia nessa estação do que no mesmo horário, no verão. Essa energia aquece o solo e é devolvida em forma de radiação infravermelha. Esta, então, é absorvida pelas moléculas de água (H 2 O) e gás carbónico (CO 2) das camadas inferiores do ar, próximas da superfície. É isso que provoca o efeito estufa (aquecimento do globo). O ar quente sobe, no chamado movimento de convecção, e eleva a temperatura da atmosfera. Se, no inverno, o hemisfério sul recebe menos raios solares, então todo esse fluxo de energia também é menor, ou seja, a temperatura das camadas inferiores da atmosfera é mais baixa.
Com o movimento de convecção menor, as moléculas de água têm dificuldade em ser arrastadas para cima. Daí, o ar fica mais seco nos meses frios. Também os grãos de poeira, que são muito pesados, ficam no solo, deixando o ar mais limpo. Livre dos grãos de poeira e das gotículas de água – que refletem em maior proporção as luzes de comprimentos de onda maiores -, o ar puro espalha melhor a cor azul. No verão, ao contrário, a poeira e a água no ar tornam o céu esbranquiçado.