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O deserto que cruza o oceano

É incrível o que um punhado de areia e um pouco de vento são capazes de fazer. Os grãos arrancados das dunas do Deserto do Saara, no continente africano, sobem para a atmosfera e formam um verdadeiro continente flutuante, de 5 000 quilômetros de extensão. Ao refletir a radiação do Sol de volta para o espaço, a areia faz o papel de filtro solar, contrabalançando o aquecimento do planeta, chamado efeito estufa. A questão é saber quem está levantando tanta poeira: o homem ou a natureza. Pesquisadores liderados por Cyril Moulin, do Comissariado de Energia Atômica da França, analisaram mais de 4 000 fotos batidas pelo satélite Meteosat, ao longo de onze anos. Eles concluíram que o efeito é natural: tem mais a ver com os ventos e as chuvas do que com a agricultura e o desmatamento. “A variação na concentração de areia é muito grande, de ano a ano”, disse Moulin à SUPER. “O que acaba atrapalhando até a previsão do tempo pelos serviços meteorológicos.”

Continente flutuante

A areia que sobe do Deserto do Saara faz uma ponte entre a África e a América do Sul.

Estes são os limites da nuvem de poeira sobre o Oceano Atlântico. A cada ano, os ventos carregam 1 bilhão de toneladas de grãos por 5 000 quilômetros, a altitudes que variam de 1,5 a 6 quilômetros.

Flagrante no ar

Nesta foto do satélite Meteosat, a areia em suspensão aparece em vermelho. A maior parte dos grãos é varrida pelas chuvas para o mar, antes de atingir a América do Sul. Os que chegam até aqui caem sobre a Amazônia.

Esta esfera quase perfeita, a Terra, tem 12 750 quilômetros de diâmetro. Abriga quase 6 bilhões de seres humanos e, segundo os biólogos, 1,4 milhão de espécies animais e vegetais. Agora, vire a página e compare.