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O que é o “cão de Pavlov”?

Trata-se de uma experiência revolucionária, que aconteceu há 120 anos e demonstrou como funciona o condicionamento de animais – incluindo aí um primata chamado Homo sapiens.

Por Alexandre Versignassi 18 abr 2011, 18h55 | Atualizado em 2 jul 2026, 18h08
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Não havia apenas um cão nessa história, mas vários, como em qualquer experiência científica com animais. À primeira vista, a coisa parece banal. Ivan Pavlov, um médico russo do início do século 20, treinou cachorros para que eles ficassem com água na boca sem que houvesse nenhuma comida por perto.

Funcionava assim: toda vez que os bichos eram alimentados, o médico tocava uma sineta. Com o tempo, os cães começaram a associar as badaladas à comida. E chegavam a babar famintos só de ouvir o sino, mesmo que o prato deles estivesse vazio. Muitos podem lembrar que já ensinaram truques parecidos para seus cãozinhos, mas a experiência de Pavlov tinha um propósito bem mais nobre do que disciplinar o melhor amigo do homem. A ideia do médico russo era propor uma novidade científica: os reflexos condicionados.

Os seres vivos já nascem com certos reflexos — em outras palavras, são programados para terem determinadas reações diante de situações específicas. Se um surfista no mar tromba com um tubarão, por exemplo, seus músculos ficam tensos e sua atenção, pra lá de redobrada. Afinal, o corpo dele concentra energia automaticamente para fugir daquela ameaçadora boca cheia de dentes. Isso é uma amostra clássica de um reflexo natural.

O que Pavlov descobriu é que esses reflexos também podem ser criados do nada, sem um motivo concreto para eles entrarem em ação. Lembra do Tubarão, o filme? Apesar de antigo (1975) ele segue sendo um belo exemplo pavloviano. Sempre tocava a mesma trilha sonora de suspense antes de o tubarão-protagonista atacar algum personagem. Chega uma hora no filme em que as notas musicais, sozinhas, já metem medo nos espectadores, mesmo que nem haja um tubarão na cena. “Os espectadores, nesse caso, reagem como os cães de Pavlov: ficam tensos ao ouvir a música quando percebem, ao longo do filme, que ela indica morte”, diz o psicólogo Edward Kardas, da Universidade do Sul do Arkansas, nos EUA.

Enfim, Pavlov descobriu que esse tipo de condicionamento pode ser a base do comportamento humano. E de vários problemas da nossa mente. Segundo ele, os psicóticos sofreriam mais do que as pessoas comuns justamente por causa do condicionamento. Por algum motivo, eles perceberiam qualquer estímulo externo, como um singelo “bom-dia!”, como uma forma de agressão.

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As pesquisas do médico russo também chegaram a lugares bem distantes dos consultórios. A própria publicidade usa essas descobertas a seu favor. Por exemplo: quando algum comercial tenta associar a ideia de liberdade com a imagem de uma marca de cerveja ou a de felicidade com uma rede de fast-food, as ideias do russo estão lá, bem no fundo.

Afinal, como os cães de Pavlov, nós também podemos ser treinados para babar à toa. O Dwight, de The Office, que o diga:

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