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O salmão que você come provavelmente é surdo; veja por quê

Novo estudo revela como a criação em cativeiro afeta sistema auditivo do bicho

Por Bruno Garattoni - Atualizado em 15 dez 2017, 18h31 - Publicado em 13 dez 2017, 17h48

A esmagadora maioria do salmão consumido no Brasil é de cativeiro, ou seja, cultivado em tanques (geralmente no Chile). Ele é mais gorduroso e tem mais calorias do que o salmão selvagem, que vive em águas frias do Hemisfério Norte. E sua cor se deve a um pigmento natural, a astaxantina, que é adicionado à ração (o peixe selvagem é naturalmente rosado, porque come algas e crustáceos). Mas cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália, acabam de descobrir outra diferença: o salmão de cativeiro é surdo.

Depois de analisar centros de cultivo de salmão na Noruega, no Chile, na Escócia e no Canadá, além da própria Austrália, eles constataram que 95% dos peixes criados em cativeiro apresentam deformações nos otólitos: pequenos cristais de cálcio presentes no ouvido interno no peixe, que ele usa para se equilibrar e detectar sons (emitidos, dentro da água, pela movimentação de plantas e animais). Nos salmões de cativeiro, os otólitos são maiores e feitos de vaterita, uma forma mais leve e menos estável do cálcio.

Esse efeito se deve ao crescimento acelerado dos peixes de cativeiro – quanto mais rápido eles crescem, maior a incidência do problema, que faz o animal perder até 50% da capacidade auditiva. De acordo com os pesquisadores, essa deficiência ajuda a explicar por que as tentativas de aumentar a população de salmões selvagens não dão certo – quando os animais criados em cativeiro são liberados no mar, sua taxa de sobrevivência é de 10 a 20 vezes menor que a dos demais peixes, possivelmente porque eles não escutam o som de eventuais predadores.

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