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O segredos dos pingüins que vão fundo

Flávio Dieguez, de Paris

Comecemos por uma obviedade oceânica: mamíferos maiores e mais pesados podem ficar mais tempo debaixo d’água.

É o que dizem as regras da Fisiologia. Mas aí surge um enigma: como o pingüim real, de apenas 12 quilos, consegue ficar submerso até 7,5 minutos e passar dos 300 metros de profundidade? Só para comparar, um mergulhador treinado, pesando 75 quilos, segura o fôlego só por uns 4 minutos e não vai muito além dos 100 metros. Pesquisadores franceses acabam de anunciar parte da explicação. É que, durante o mergulho, os pingüins podem “desligar” algumas partes do corpo, como a pele e o estômago. Com isso, a temperatura dessas regiões cai e o consumo de oxigênio se reduz pela metade. O ar poupado ajuda a aumentar o tempo de mergulho. “Sem isso, o pingüim só poderia ficar debaixo d’água uns 3 ou 4 minutos”, disse à SUPER o especialista francês Ives Handrich, do Centro de Ecologia e Fisiologia Energética, em Estrasburgo. Por falar em pingüins, pesquisadores australianos descobriram que muitos deles estão infectados pelo mesmo vírus que anda atacando os frangos nas granjas do Hemisfério Norte.

O micróbio ataca o sistema imunológico da ave e pode levá-la à morte. Os pingüins vão precisar de muito fôlego para resistir ao desequilíbrio ecológico.

Economizou fôlego, mergulhou mais

Redistribuindo o ar pelo corpo, os pingüins ficam mais tempo submersos.

Mesmo um homem bem treinado consome o ar de seus pulmões duas vezes mais rápido do que os pingüins.

Os mergulhadores profissionais não vão muito fundo. As melhores marcas são da ordem de 120 metros.

O pingüim desvia o ar para os músculos essenciais, nas patas e nadadeiras. O resto do corpo fica num estado de dormência.

Assim, o pingüim-real alcança 304 metros, fica 7,5 minutos debaixo d’água e mergulha dezenas de vezes em poucas horas.