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O Sol está mesmo onde parece

As longas distâncias fazem com que a luz das estrelas nos chegue "atrasada”

Por 26 jul 2009, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h50
  • Augusto Daminelí Neto

    Imagine um grupo de amigos assistindo ao pôr-do-sol. O Sol encosta na linha do horizonte e alguém pergunta: “Onde está o Sol, neste exato momento?” À primeira vista, qualquer criança poderia responder, apenas apontando o dedo: “Está lá, é claro!” Mas nem tudo é assim tão claro. Algumas simples continhas mostram que, no momento em que o Sol parece pronto para “apagar-se” no horizonte, na verdade ele não está mais lá – já desceu cerca de 2 graus em relação à linha do horizonte.

    Vejamos: se a luz viaja a 300 000 quilômetros por segundo e o Sol está a 150 milhões de quilômetros, um raio de luz solar leva 8,3 minutos para chegar até nós. No seu movimento de rotação, a Terra precisa de 24 horas (1440 minutos) para dar uma volta completa em si mesma, ou seja, para percorrer todos os 360 graus de uma circunferência. Portanto, nos 8,3 minutos em que a luz viaja do Sol à Terra, o planeta gira 2,08 graus. Para se ter uma idéia, o disco solar mede cerca de 0,5 grau. Portanto, quando a Terra gira 2,08 graus, o Sol desce o equivalente a quatro vezes o seu tamanho, abaixo do horizonte. Assim, o Sol nos ilumina do passado – um curto passado de 8,3 minutos.

    Essa Viagem pelo tempo acontece com a luz de todos os corpos celestes. A luz das estrelas e das galáxias vem de um passado bem mais remoto: distante de nós mais de 40 trilhões de quilômetros, a Alfa Centauri que brilha hoje no céu da Terra é, na verdade, uma “fotografia” tirada há mais de quatro anos. Outro exemplo: se acontecer exatamente agora uma explosão numa estrela da Grande Nuvem de Magalhães, a 1,7 quintilhão de quilômetros de distância, sua luz vai chegar aos telescópios da Terra só daqui a 180 000 anos. A conseqüência desses “atrasos” na viagem da luz de diferentes estrelas é que jamais conseguimos ter uma imagem instantânea do Universo como um todo. O que vemos é uma espécie de sanduíche onde se intercalam diversas “fatias” do passado.

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