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OMS alerta que mundo não terá imunidade de rebanho em 2021, mesmo com vacinas

Segundo cientista chefe da organização, medidas como uso de máscaras e distanciamento social deverão continuar durante todo o ano.

Por Bruno Carbinatto 12 jan 2021, 19h27

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou nesta segunda-feira (11) que o mundo não atingirá a chamada imunidade de rebanho contra a Covid-19 em 2021, mesmo com as campanhas de vacinação que já estão acontecendo em vários países. Soumya Swaminathan, cientista-chefe da organização, disse em coletiva de imprensa que isso reforça a responsabilidade dos governos e das pessoas em manter medidas de proteção para conter o avanço da pandemia.

Imunidade de rebanho ou imunidade coletiva é o termo usado para descrever o cenário em que grande parte de uma população está imunizada e o vírus não consegue encontrar mais pessoas suscetíveis para continuar a cadeia de transmissão. Dessa forma, a pandemia é eliminada totalmente (ou pelo menos em grande parte) naquele local. A porcentagem da população que precisa estar vacinada para se atingir esse objetivo depende de uma série de fatores, como quão transmissível a doença em questão é e a eficácia das vacinas utilizadas. Calcula-se que, no caso da Covid-19, seja necessário vacinar entre 60% a 80% das pessoas.

  • Ainda em 2020 as primeiras vacinas começaram a ser aprovadas e aplicadas em diversos países. Atualmente, mais de 28 milhões de doses da vacina já foram aplicadas no mundo fora de testes clínicos, segundo os dados atualizados (a maioria das vacinas é aplicada em regime de duas doses). O país que mais se destaca na rapidez da vacinação é Israel, que já vacinou mais de 22% de sua população. Em seguida estão os Emirados Árabes Unidos (12,9%) e Bahrain (5,4%) e depois Reino Unido (4,2%) e Estados Unidos (2,8%), dois países que enfrentam duras fases da pandemia com altos níveis de casos e mortes. O restante da lista é dominado por países da Europa, com menos de 2% de cobertura vacinal.

    Mas, mesmo nesses países a vacinação ainda vai demorar algum tempo para fazer efeito, porque administrar as doses em milhões de pessoas é um processo logístico complexo e demorado. Ele envolve a compra de doses, de seringas e outros insumos durante uma alta demanda mundial, além da necessidade de distribuir e aplicar essas doses em ampla área geográfica. “Mesmo que as vacinas comecem a proteger as pessoas mais vulneráveis primeiro, não alcançaremos nenhum nível de imunidade populacional ou imunidade coletiva em 2021 – e mesmo que isso aconteça em alguns locais de alguns países, não protegerá as pessoas em todo o mundo”, alertou Swaminathan.

    A cientista lembrou que as medidas de contenção adotadas amplamente em 2020 devem continuar com força total em 2021. “As vacinas vão chegar. Para todos os países. Mas não podemos esquecer que existem medidas que funcionam e é muito importante lembrar as pessoas, tanto os governos como os indivíduos, sobre o responsabilidades e as medidas que continuaremos a precisar praticar pelo resto deste ano, pelo menos”, disse ela. Uso de máscaras, o distanciamento social e a lavagem constante de mãos estão entre as medidas recomendadas para evitar a transmissão da Covid-19.

    Uma imunidade coletiva global parece ainda mais difícil de se concretizar em breve quando vemos que a maioria dos países em desenvolvimento sequer tem previsões para iniciar suas campanhas de vacinação ou contratos de compra de imunizantes, e que provavelmente precisarão de ajuda internacional para imunizar suas populações em massa. Além dos desafios logísticos já citados, a OMS lembra que a hesitação em tomar vacina por ceticismo de sua eficácia e segurança pode atrasar a imunidade coletiva no mundo.

     

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