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Por que as bananas estão ameaçadas de extinção?

Uma combinação de fungos e de mudanças climáticas coloca em risco o futuro da fruta mais consumida do mundo (depois do tomate).

Por Amanda Nascimento 28 out 2026, 06h00 | Atualizado em 28 out 2026, 12h11
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Até meados da década de 1950, nossos avós consumiam um tipo de banana muito diferente da que conhecemos hoje. Nas prateleiras dos supermercados, a variedade dominante era a Gros Michel – mais doce, cremosa e aromática que as atuais. Essa espécie de banana, porém, já não existe mais: ela desapareceu do mercado global após ser exterminada pela Murcha de Fusarium, praga popularmente conhecida como mal-do-Panamá.

Essa infecção fúngica mata a planta ao ocupar seu sistema vascular, bloqueando o transporte de água e minerais que permite a sobrevivência das bananas. Altamente resistente, a Fusarium oxysporum pode resistir no solo de plantações por mais de 20 anos e não existe cura química viável ou tratamento eficaz para eliminar o fungo depois que ele contamina o local.

Como alternativa para o consumo mundial, surgiu a banana do tipo Cavendish (que no Brasil chamamos de nanica). Hoje, essa é a variedade mais comum no mercado, desenvolvida justamente como uma resposta à doença que dizimou as Gros Michel. Durante cerca de 40 anos, a Cavendish prosperou nas plantações que abastecem a maior parte do mercado global por ser resistente à cepa original do fungo. 

Em 1990, porém, esse cenário começou a mudar. Uma variante agressiva do fungo, conhecida como Raça 4 Tropical (R4T), começou a se desenvolver e destruir o grupo Cavendish. Desde então, a R4T se espalhou e tem atacado plantações de banana em várias partes do mundo. No Brasil, ainda é considerada ausente, apesar de ser classificada como uma praga de ameaça econômica e ambiental. 

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Além da natureza agressiva do R4T, existe outro problema: bananas se reproduzem por clonagem, portanto, há pouca variação genética entre seus diferentes tipos. Embora isso resulte em frutos uniformes, também significa que elas estão sujeitas às mesmas doenças – e se a doença atinge uma planta, ela pode afetar toda a população dessa variedade.

Também entra como contribuinte para a ameaça de extinção as mudanças climáticas. O aumento das temperaturas, fenômenos meteorológicos extremos e as pragas relacionadas ao clima estão castigando países produtores de banana, que relatam a redução de colheitas e a perda de plantações rurais em toda a região.

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Isso porque as bananas, especialmente a variedade Cavendish, são frutas sensíveis. Elas precisam de uma faixa de temperatura entre 15 °C e 35 °C para se desenvolver bem, além de uma quantidade adequada de água. Também são sensíveis a tempestades, que podem levar à perda de folhas da bananeira e dificultar o processo de fotossíntese da planta.

De acordo com o relatório Going Bananas, até 2080, 60% das melhores áreas para o cultivo de bananas podem ser perdidas devido às mudanças climáticas. Atualmente, o continente asiático é de longe o maior produtor de banana do mundo, seguido pelas Américas e pela África – algumas das áreas mais vulneráveis para os fenômenos climáticos.  

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No entanto, segundo novas pesquisas, ainda há esperanças de salvar as bananas. Neste mês, a iniciativa Yelloway anunciou o desenvolvimento de uma banana Cavendish totalmente fértil. Isso significa que, por meio de cruzamentos, talvez seja possível criar novas variedades de banana que sejam comercialmente viáveis ​​e resistentes a doenças.

Existem também abordagens diferentes pelo mundo. Na Austrália, por exemplo, pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Queensland criaram uma variedade de banana Cavendish geneticamente modificada que criou resistência ao TR4. O resultado, que foi chamado de variante QCAV-4, foi aprovado para consumo humano na Austrália e na Nova Zelândia. 

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