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Por que pinguins da Antártida fazem cocô rosa?

Manchas de fezes rosadas no gelo podem ser vistas inclusive do espaço; entenda.

Por Amanda Nascimento 26 set 2026, 08h00
Por que pinguins da Antártida fazem cocô rosa? Priorizar nos meus resultados Google

Os pinguins-de-adélia, que habitam a costa da Antártida e as ilhas vizinhas, adoram comer pequenos crustáceos rosados ​​chamados krill. Eles consomem tanto krill que isso deixa seu guano (ou seja, suas fezes) com uma cor vermelho-rosada vibrante. Para se ter noção, o cocô é tão brilhante e é produzido em tamanha abundância que é possível vê-lo do espaço.

Isso está diretamente ligado ao krill – mais especificamente, à alimentação desses crustáceos. O krill é rosado justamente porque se alimenta de fitoplâncton, minúsculas algas marinhas. Ou seja, a coloração rosa do cocô vem de pigmentos chamados carotenoides presentes nessas algas. 

Os carotenoides são compostos coloridos produzidos por plantas, algas, alguns fungos e algumas bactérias. Eles têm, grosso modo, colorações que variam entre amarelo, laranja e vermelho. E estão por toda parte: os carotenoides dão cor a cenouras, margaridas, mamões, abóboras, toranjas e tomates. E também aos flamingos, aos salmões e às fezes de pinguim.

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Apesar de animais se aproveitarem dos carotenoides, modificando aqueles que ingerem e os incorporando em seus corpos, eles não são capazes de produzi-los. 

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Curiosidades 

As fezes por si só revelam curiosidades interessantes sobre os pinguins-de-adélia. A intensidade do tom de rosa nas fezes, por exemplo, pode indicar em qual fase do ciclo reprodutivo os pinguins se encontram.

Em épocas de maiores necessidades energéticas, o comportamento de caça dos pinguins muda drasticamente. Isso ocorre geralmente em períodos de águas mais quentes, permitindo acesso aos krills durante a fase de alimentação dos filhotes. 

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As fezes também se tornam indicativas para as tendências nas mudanças climáticas da região. Quando há abundância de gelo marinho próximo à colônia, os pinguins tendem a depender mais da alimentação à base de peixes.

Essa relação entre gelo marinho e dieta tem consequências sérias para a sobrevivência da espécie. Filhotes alimentados com peixe costumam ser mais pesados do que os alimentados com krill, e filhotes mais pesados têm mais chances de sobreviver até a idade adulta. Não por acaso, nos locais onde os pinguins passaram a comer menos peixe, o número de indivíduos vem diminuindo ao longo das últimas décadas.

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No caso dos pinguins-de-adélia, o efeito já é observado desde 2010. O gelo marinho ao redor da Antártida vem diminuindo drasticamente, uma tendência que deve continuar nas próximas décadas. Com isso, monitorar o cronograma reprodutivo dos pinguins pode se tornar cada vez mais importante.

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