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Restos mortais de baleia que encalhou na Alemanha vão virar biodiesel

Por meses, Timmy esteve em manchetes dos jornais alemães e seu resgate foi alvo de debate intenso. Agora, seu corpo vai virar energia renovável.

Por Ana Clara Caielli Barreiro 14 jun 2026, 16h10
Restos mortais de baleia que encalhou na Alemanha vão virar biodiesel Priorizar nos meus resultados Google

O caso da baleia-jubarte Timmy finalmente chegou ao fim – com um desfecho tão controverso quanto sua própria história.

Em março, com a saúde debilitada, essa baleia encalhou diversas vezes na costa da Alemanha, tornando-se um tópico constante na mídia local e nas redes sociais. Após conseguir desencalhar, ela permaneceu nas águas rasas da região – algo incomum para a espécie. Especialistas apontaram que esse é um sinal de que o animal pode estar próximo da morte.

A baleia, no entanto, havia virado uma espécie de queridinha do público, que fez uma forte pressão social para que ela fosse resgatada (a comunidade científica não apoiou essa decisão). Uma operação privada resgatou Timmy e soltou-a em alto mar, um movimento que foi criticado por especialistas, já que as chances de sobrevivência eram baixas.

Pouco tempo depois, no dia 16 de maio, a baleia apareceu morta nas águas da Dinamarca.

O corpo permaneceu na praia até o início de junho, em decomposição a céu aberto. A baleia foi então cortada em pedaços e retirada por escavadeiras. Alguns ossos foram encaminhados ao Museu de História Natural de Copenhague.

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Três pessoas em uma praia arenosa, duas vestindo macacões brancos de proteção e capacetes azuis, observam uma escavadeira laranja da marca Case levantando parte de uma carcaça de baleia escura. O céu está nublado e o mar cinzento ao fundo
(picture alliance/Getty Images)

E aí surgiu a questão: o que fazer com o restante do corpo de Timmy? A resposta encontrada foi: transformá-lo em energia.

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Os restos serão transportados para a empresa dinamarquesa DAKA Denmark, que transformará os ossos, tendões e a pele do animal em biomassa, enquanto a gordura será convertida em biodiesel. 

O processo de produção da biomassa não tem nada de glamouroso: basicamente, os restos mortais são triturados até se transformarem em uma espécie de farinha, que pode ser utilizada como combustível em processos industriais, como a produção de cimento.

A companhia dinamarquesa é especializada nesse tipo de reaproveitamento. Em geral, a gordura da carcaça pode ser totalmente aproveitada, gerando biodiesel que pode abastecer veículos. 

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Já a água presente nos tecidos do animal é reservada, filtrada e posteriormente devolvida ao mar.

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A saga da baleia Timmy

A longa história começa em 23 de março, quando uma baleia-jubarte foi encontrada encalhada em um banco de areia no norte da Alemanha, longe de seu habitat natural. Resgatar um animal desse porte não é nada simples: a espécie pode pesar mais de 10 toneladas e ultrapassar os 10 metros de comprimento.

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Ela apareceu em uma praia chamada Timmendorfer e, por isso, recebeu o apelido de Timmy, já que inicialmente se acreditava que fosse um macho.

Uma equipe especializada realizou uma longa operação de resgate, que durou vários dias. Pouco tempo depois, porém, Timmy voltou a encalhar em uma praia vizinha. Como carregava um rastreador, os pesquisadores puderam confirmar que se tratava da mesma baleia.

A saúde da baleia já estava bastante comprometida, e os veterinários decidiram dar alguns dias para que ela se recuperasse antes de tentar outra operação de resgate. Felizmente, a baleia conseguiu se libertar sozinha dessa vez.

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Mas a saga não se resolveu: Timmy não retomou a rota rumo ao Atlântico, como seria esperado para uma jubarte. Em vez disso, permaneceu no Mar Báltico, onde continuou sendo avistada em águas rasas pela população.

Assim ela permaneceu por semanas, aumentando ainda mais a comoção pública. De um lado, veterinários defendiam que o melhor seria permitir que o animal morresse em paz, já que suas chances de sobrevivência eram baixíssimas. Do outro, parte da população se revoltava com a ideia de não tentar um novo resgate.

Foi então organizada uma segunda operação, financiada por dois empresários alemães milionários, sem envolvimento do governo. A iniciativa recebeu fortes críticas de especialistas, mas seguiu adiante. Timmy foi capturada no Báltico e transportada para águas abertas do Mar do Norte.

A viagem durou vários dias, percorreu centenas de quilômetros e terminou com a soltura da baleia no dia 2 de maio. O custo da operação ultrapassou € 1 milhão.

Muitos pesquisadores argumentaram que, diante do estado de saúde já bastante deteriorado do animal, a operação se aproximava mais da crueldade do que de uma tentativa realista de salvamento. Alguns integrantes da própria equipe fizeram comentários negativos sobre o processo. Uma veterinária afirmou que Timmy não tinha espaço suficiente na embarcação de transporte e se debatia constantemente.

Imagens da soltura nunca foram divulgadas. Além disso, o rastreador apresentava falhas e fornecia poucas informações sobre o paradeiro e o estado de saúde do animal. O relatório completo da missão também não foi tornado público.

Poucos dias depois, Timmy foi encontrado morto próximo à ilha dinamarquesa de Anholt. Muitos cientistas já haviam alertado que a baleia provavelmente não sobreviveria por muito tempo após a operação.

O corpo passou por análises para determinar quais problemas de saúde Timmy enfrentava. Os exames revelaram uma surpresa: Timmy era, na verdade, uma fêmea. Já a causa da morte continua indefinida, pois o corpo foi encontrado em estágio avançado de decomposição.

Os pesquisadores identificaram redes de pesca em seu sistema digestivo, o que pode ter contribuído para seu estado de saúde.

Agora, os dados registrados pelo rastreador seguem em análise, na tentativa de esclarecer os últimos dias da baleia e entender melhor o que levou ao fim da pobre Timmy.

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