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Semiárido brasileiro pode recriar solo de Marte

É a aposta de um projeto que simula missões que astronautas terão no planeta.

Por SUPER
11 nov 2020, 15h37 • Atualizado em 18 nov 2020, 15h40
  • Julio Rezende, professor da UFRN e coordenador do projeto Habitat Marte, explica como a ciência pode aproveitar o solo do Pico do Cabugi – um vulcão adormecido no Rio Grande do Norte –, para entender sobre a colonização do planeta vermelho. De forma virtual ou presencial, cerca de 200 pesquisadores já participaram do projeto, que foi fundado em 2017 e organizou mais de 50 missões simuladas.

    Por que a escolha dessa região?
    A Universidade da Flórida Central possui um banco de dados que mostra as várias experiências de solo marciano simulado ao redor do mundo. Lá, encontramos cinco tipos que estão sendo utilizados em testes pela Nasa e são ricos em basalto. As formações vulcânicas também têm uma predominância de basalto e queremos mostrar que o nosso solo, no Pico do Cabugi, possui características similares a esses outros.

    Para que o solo pode servir?
    A primeira possibilidade seria a produção de alimentos, seguida pela impressão 3D. Poderiam ser impressos utensílios, como pratos e tigelas, a partir do solo daquele local. Além disso, há a impressão de moradias. Queremos ver se, com matéria-prima em grande quantidade, seríamos capazes de realizar isso aqui com o solo simulado. Poderia ser um habitat pequeno, para uma pessoa, como uma oca com cerca de dois metros de altura.

    Quais as missões do projeto?
    Basicamente as mesmas que são aplicadas na ISS e que seriam recebidas pelos primeiros astronautas que pousassem em Marte. Deve ser desenvolvido por lá um ambiente autossustentável, com saneamento, coleta e gestão de água, reciclagem de resíduos. Existem também a produção de alimentos em estufas e a captação de energia solar, que na Lua e em Marte pode ser combinada a outras tecnologias, como a energia nuclear.

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