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Bruno Garattoni

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Vencedor de 15 prêmios de Jornalismo. Editor da Super.

“Tela de Privacidade” do Galaxy S26 Ultra funciona mesmo – com uma ressalva

Tecnologia combina dois tipos de pixel para impedir que outras pessoas vejam o conteúdo da tela; leia review do aparelho, que traz IA "agêntica" integrada ao sistema operacional

Por Bruno Garattoni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
9 mar 2026, 16h00 • Atualizado em 10 mar 2026, 00h54
  • A principal novidade do Galaxy S26 Ultra, que está sendo lançado pela Samsung, é um recurso chamado “Tela de Privacidade”: quando acionado, ele promete dificultar ou impedir que as pessoas ao seu redor enxerguem o que você está vendo na tela. Ele realmente funciona: conseguiu, ao longo de uma semana de testes, esconder o conteúdo da tela a partir de vários ângulos de visualização e em condições diversas de luz. Mas não é milagroso, e causa um efeito colateral importante em seu modo mais intenso. 

    Imagem de divulgação, mostrando o Narrow pixel e Wide pixel.
    “Pixels estreitos” e “pixels largos” na tela do Galaxy S26 Ultra. (Samsung/Divulgação)

    O recurso usa uma nova arquitetura de tela, que combina dois tipos de pixel (veja acima). Ela tem “pixels largos”, que projetam luz num ângulo mais aberto, como nas telas comuns. E também, eis a novidade, “pixels estreitos”, que só emitem luz para a frente. Quando o modo de privacidade é acionado, a tela apaga os pixels largos e deixa acesos só os pixels estreitos. Dessa forma, a tela só emite luz para a frente – dificultando, ou impedindo, que pessoas dos lados ou acima de você enxerguem a imagem.

    O modo de privacidade tem dois níveis. O modo padrão não afeta muito a qualidade de imagem (dá para deixá-lo ativo o tempo todo, se você quiser), mas também não oferece 100% de proteção: a pessoa do lado ainda consegue ver o conteúdo da sua tela, só que mais escuro. Ela terá dificuldade em ler as suas mensagens do WhatsApp, por exemplo, mas ainda conseguirá espiar o que você está assistindo no Instagram ou no TikTok.

    Já no modo “proteção máxima”, a tela fica totalmente ilegível para as outras pessoas. Mas também há um efeito colateral: nesse modo, o contraste da imagem cai drasticamente. Não é um problema em apps bancários, por exemplo, mas prejudica muito o uso dos demais. Na prática, não dá para usar a proteção máxima o tempo todo. 

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    Mas você não precisa fazer isso. É possível programar o modo de privacidade para que ele seja automaticamente ativado em certos apps (como bancos e WhatsApp), mas fique desativado nos demais. Ele também pode proteger apenas as notificações, por exemplo. Isso é bem prático e fácil de configurar. Só ficou faltando uma opção: seria interessante poder programar, também, os níveis de proteção (deixar o modo padrão setado para alguns apps, e o modo máximo para bancos e WhatsApp).

    Como diminuir o seu tempo de tela

    A nova tecnologia de tela da Samsung vem sendo alvo de polêmicas online, com algumas pessoas dizendo que ela dá mais reflexos ou prejudica a qualidade de imagem, mesmo quando o modo de privacidade está desligado. Nos nossos testes, isso não aconteceu: a tela do S26 Ultra (uma OLED de 6,9″) nos pareceu normal, dentro do esperado. Ela é ótima. 

    A única coisa diferente foi que, mesmo configurada para o modo de cor “Vívido”, a tela estava bem menos saturada do que o usual. Descobri um submenu, dentro desse item, e vi que ele estava a apenas 50%. Colocando no máximo, as cores voltaram à saturação esperada.  

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    Imagem do Galaxy S26 Ultra.
    Tela do Galaxy S26 Ultra com o modo de privacidade acionado. (Samsung/Divulgação)

    O outro eixo de novidades do S26 Ultra está nos recursos de inteligência artificial. Dois deles, a IA agêntica e o Now nudge, são especialmente interessantes. A IA agêntica, grande aposta da indústria de tecnologia para 2026, é capaz de executar ações para o usuário (daí o nome). No S26 Ultra, ela vem integrada ao assistente pessoal Bixby, que agora roda o algoritmo do serviço de IA Perplexity e também é capaz de fazer algumas coisas. Ao apresentar o aparelho, a Samsung deu um exemplo: pedir Uber. 

    Você diz “Me chama um Uber para o endereço X?” e o Bixby faz o resto, abrindo o aplicativo do Uber e dando os cliques necessários. Nos nossos testes, isso funcionou corretamente, com um porém: a IA perguntou “De onde você quer que o Uber te pegue?”. Ela deveria saber, pelo GPS do telefone (a que o próprio app do Uber também tem acesso). 

    Tentei pedir comida no iFood pelo Bixby, mas não deu certo – provavelmente a função ainda não foi implementada pela Samsung. A IA agêntica não é uma tecnologia “mágica”. Para que ela funcione bem, as conexões com os apps e as sequências de cliques têm de ser programadas e testadas pelas empresas de tecnologia.

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    Imagem da tela do Galaxy S26 Ultra.
    Exemplo de ajuda contextual oferecida pelo recurso Now nudge. (Samsung/Divulgação)

    O recurso Now nudge monitora o que você está fazendo no celular, e mostra informações úteis para ajudar. Se você estiver no WhatsApp, por exemplo, e outra pessoa perguntar “você está livre no dia X?”, o sistema mostra um balãozinho com a sua agenda para aquela data – ou um atalho para você adicionar o convite a ela. 

    Nos nossos testes, funcionou. Porém, a função falhou em outro exemplo citado pela Samsung: o Now nudge não entrou em ação quando recebi, pelo WhatsApp, a mensagem “me manda as fotos de ontem?” (fazendo a pergunta com o nome de um álbum ou lugar, também não). 

    Assim como a IA agêntica, o Now nudge depende de trabalho humano: precisa ir sendo ampliado, testado e aperfeiçoado por programadores. Mas as duas tecnologias têm muito potencial. Podem mudar bastante a maneira de usar o smartphone nos próximos anos. 

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    Outra boa novidade envolvendo IA é que, agora, dá para editar as fotos com comandos de texto. Você pode dizer, por exemplo, “deixe o céu azul”. A IA edita a foto, geralmente com bons resultados. Não é nada que não possa ser feito online em IAs como o Gemini. Mas é muito mais prático ter isso embutido no próprio celular. 

    Afora essas coisas, o S26 Ultra é o mesmo flagship de sempre: ótima construção (com cantos mais arredondados do que o S25), câmeras excelentes, bateria apenas ok – a Samsung manteve a capacidade de 5.000 mAh, bem menos do que os smartphones chineses com baterias de silício-carbono (6.500 a 7.000 mAh). 

    Não é o fim do mundo: dá para 9 a 10 horas de tela acesa, ou quase o dobro se você ativar os recursos de economia de energia. Eles não afetam muito a performance do aparelho – que, graças ao chip Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy e aos 16 GB de RAM, continua superveloz. 

    O Galaxy S26 Ultra é um avanço considerável, e desejável, em relação ao antecessor. A Tela de Privacidade é eficaz e bem implementada, e as novas funções de IA são úteis e promissoras. Cabe à Samsung continuar investindo nelas, adicionando novas respostas ao Now nudge e acrescentando rotinas à IA agêntica, por meio de atualizações da interface One UI. 

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    Se ela fizer isso, poderá consolidar uma vantagem importante em relação à Apple – que ainda não entregou tudo o que prometeu ao apresentar a plataforma Apple Intelligence, em 2024. Mas está trabalhando nisso, e recentemente ganhou um reforço de peso (em janeiro, ela anunciou um acordo com o Google para usar o Gemini como cérebro de sua IA). 

    O S26 Ultra é bem caro: está em pré-venda, no site da Samsung, por R$ 11.499 (à vista, R$ 10.349) pela versão de 512 GB. Mas esse preço tende a cair bastante com o tempo – o modelo anterior, S25 Ultra, já pode ser encontrado por R$ 6 mil no varejo brasileiro.  

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