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Qual é a origem da palavra “meme”?

É um trocadilho entre as palavras "mimesis" – que significa "imitação", em grego – e "gene", cunhada no livro "O Gene Egoísta", de 1976.

Por Bruno Vaiano Atualizado em 28 ago 2020, 14h42 - Publicado em 20 abr 2017, 16h56

Trata-se de uma adição recente ao nosso léxico: “meme” é um trocadilho entre as palavras mimesis que significa “imitação”, em grego e “gene”, cunhada pelo biólogo britânico Richard Dawkins, no livro O Gene Egoísta, publicado em 1976. Sua intenção era batizar uma unidade de informação cultural – assim como gene é uma unidade de informação genética. Vamos entender melhor:

O livro de Dawkins, talvez o título mais influente das ciências biológicas desde A Origem da Espécies de Darwin, se tornou célebre porque o autor defendeu pela primeira vez ao público leigo que o gene, e não o indivíduo ou o grupo, é a unidade mínima da seleção natural.

Em bom português, isso significa, grosso modo, que, quando um leopardo sobrevive por causa de sua pelagem camuflada, seus músculos de contração rápida ou sua mandíbula forte, não é o leopardo em si que é selecionado, e sim o gene ou os conjuntos de genes responsáveis por cada uma dessas características.

Nós seríamos apenas robôs de carne, construídos para permitir a replicação da informação contida em nosso DNA. Nessa perspectiva, o único motivo de nossa existência é criar mais e mais cópias das moléculas guardadas no núcleo de cada uma das nossas células.

 

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Essa é uma perspectiva filosófica que emergiu nos anos 1960 como consequência do trabalho anterior de monstros sagrados da biologia, como R. A. Fisher, J. B. S. Haldane e Sewall Wright, entre as décadas de 1910 e 1930. Esses trabalhos, que hoje são mainstream, perfazem a chamada síntese moderna, que é a união filosófica e matemática definitiva da teoria da seleção natural de Darwin com a genética de Mendel.

O gene de fato é, até hoje, a unidade mínima com que trabalham os biólogos da área fundada por Fisher, Haldane, Wright e muitos outros, chamada genética de populações, que analisa como novos trechos de DNA que surgem por mutação podem se espalhar por uma população graças à seleção natural, à deriva genética e à seleção sexual, entre outros processos.

Grosso modo, o que Dawkins e seus aliados fizeram, no período de explosão da biologia após a 2ª Guerra Mundial, foi bater o pé a favor de uma interpretação mais heavy metal da síntese moderna, em que os genes não são apenas unidades que se espalham por uma população (ou não) conforme os indivíduos são selecionados – e sim o próprio objeto da seleção, com o indivíduo deixado em segundo plano. 

Dawkins imaginou que um processo parecido se aplicaria às sociedades. Que o ato de virar o boné para trás, por exemplo, é um gene social, isto é, um meme, que se espalha por algo análogo à seleção natural conforme agrada um grande número de indivíduos.

As religiões, por exemplo, seriam enormes complexos de memes capazes de se instalar na mente de tantas pessoas justamente porque seus sistemas de crenças evoluíram para se tornarem eficazes na tarefa de explorar nossas fraquezas. Religiões que não são tão boas em se espalhar somem do mapa.

Ou seja: o conceito de meme é algo maior do que se imagina. Mas isso não significa que não se aplique a frases e imagens compartilhadas nas redes sociais. Afinal, elas só se espalham porque foram consideradas engraçadas pelos usuários, do mesmo jeito que uma característica só se espalha na natureza se colabora com a sobrevivência dos indivíduos.

Pergunta de @hugorezendes, via Instagram.

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