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“Pernambucano”, “recifense”… Quem define o gentílico de um lugar?

Existem padrões, mas não regras definitivas: basta olhar para os gaúchos, capixabas e soteropolitanos.

Por Bela Lobato 24 jul 2026, 12h00
“Pernambucano”, “recifense”… Quem define o gentílico de um lugar? Priorizar nos meus resultados Google

Não existe um órgão responsável por definir os gentílicos. Os gentílicos são definidos a partir de seu uso: os nascidos no Brasil, por exemplo, já foram chamados de “brasilenses”, “brasilienses”, “brasilianos”, “brasílicos”, “brasilíadas” e “brasílios”, mas, com o tempo, foi “brasileiros” que vingou.

A Academia Brasileira de Letras (ABL) mantém uma lista de gentílicos, e o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, um manual de redação oficial para documentos diplomáticos. Em muitos casos, eles indicam mais de uma opção para um mesmo lugar, levando em consideração variedades regionais ou diferentes traduções para o português.

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Isso não impede, entretanto, que leis municipais e estaduais estabeleçam o gentílico de um local. Em 2016, por exemplo, o governo do Acre abriu uma consulta pública para que os cidadãos decidissem entre “acreano”, como era mais comum no uso popular, ou “acriano”, como foi decidido pelo Novo Acordo Ortográfico.

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“Acreano” venceu, e uma lei determina que o seu uso deve ser preferencial “no âmbito da administração pública estadual, em respeito aos usos, costumes, memória social, aspectos históricos e culturais”.

Como se formam os gentílicos?

Gentílicos são adjetivos usados para descrever a origem de algo ou alguém. Eles são, em geral, formados por um substantivo (o nome do lugar) e um sufixo. Vamos lembrar das aulas de português: sufixos são elementos acrescentados no final de palavras que mudam seu significado. 

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Então, ao adicionar “-ense”, “-ano” e “-ês” ao nome de um lugar, cria-se um adjetivo: Nicarágua forma nicaraguense, Haiti, haitiano, Líbano, libanês. 

Não é fácil adivinhar um gentílico, já que não há um sufixo específico que sirva para todos. Angola e Argélia são nomes parecidos, por exemplo, mas quem nasce em um é angol

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ano e, no outro, argelino

Também não há regra para os nomes compostos. No caso de Burkina Faso, o “Faso” fica de lado e seus cidadãos são chamados de burkinabé ou burkinense. Já quem nasce na Guiné-Bissau pode ser guineense ou bissau-guineense

E tem, é claro, um montão de casos em que o gentílico não parece sequer ter relação com o nome do lugar. Estamos falando, por exemplo, dos capixabas, do Espírito Santo, do soteropolitanos, de Salvador, na Bahia e dos gaúchos, do Rio Grande do Sul. Internacionalmente, temos os malgaxes, de Madagascar e os monegascos, de Mônaco. 

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Nesses casos, é comum que a origem remonte a palavras de outros idiomas, e a língua portuguesa só as incorporou.

Referências

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Lei Estadual do Acre Nº 3.148/2016; Manual de redação oficial e diplomática do Itamaraty – Topônimos e gentílicos.

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