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Por que alguns desodorantes deixam as axilas brancas?

Entenda a química responsável por eliminar a catinga do seu corpo.

Por Diego Facundini
4 mar 2026, 14h00 •
  • Por causa dos sais de alumínio presentes nos antitranspirantes, que são substâncias brancas.

    Os desodorantes antitranspirantes são a principal variedade do produto no mercado. Eles impedem o mau cheiro bloqueando a multiplicação de bactérias e obstruindo as glândulas que produzem o suor nas axilas. Na maioria dos produtos, esse princípio ativo se baseia nos sais de alumínio – que, além de serem brancos, formam uma substância gelatinosa em contato com o sebo da pele, podendo criar manchas nas roupas bem difíceis de tirar.

    De onde vem o CC?

    A princípio, o suor que nós secretamos não tem cheiro nenhum. Ele é uma substância aquosa que serve, principalmente, para regular a temperatura do corpo, capturando o calor da superfície do corpo. O que produz a transpiração são as glândulas sudoríparas, buraquinhos microscópicos que ficam espalhados por toda a pele. 

    A nossa pele também é tomada por trilhões de microrganismos como bactérias, fungos e vírus, que, em condições saudáveis, não nos fazem mal algum. Esses micróbios encontram a condição perfeita para se proliferar em ambientes quentes e úmidos – como o interior das coxas ou o sovaco. Nessas partes, as bactérias realizam uma decomposição do suor que resulta no odor azedo bem familiar. É desse processo que sai o famoso CC.

    Como os desodorantes funcionam?

    Para mascarar o cheiro de corpo, foi criado o desodorante. Na sua forma mais básica, esse produto bloqueia o processo de decomposição realizado pelas bactérias – e, na maioria dos casos, também aplica um perfuminho. 

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    A variedade com a qual estamos mais acostumados é o desodorante antitranspirante, que bloqueia a transpiração por inteiro, e corta o problema pela raiz. Quando aplicados sobre a pele, esses compostos criam uma barreira sobre as glândulas que impede a secreção do suor. A base dessas soluções é o alumínio, cujos compostos se conectam em contato com a pele, criando um gel que fecha as glândulas sudoríparas. Com o passar do dia, essa barreira vai se desfazendo, e o produto precisa ser reaplicado no dia seguinte.

    Os sais de alumínio são substâncias brancas. Então, quando o desodorante é aplicado em excesso, a mancha branca que fica nas axilas é resultado desses compostos concentrados. Contudo, isso não explica o problema das manchas que impregnam no tecido das roupas.

    Nesse caso, a marca é o resultado do acúmulo de alumínio nas fibras do tecido, junto com a interação do material com a substância gelatinosa formada pelo contato entre o desodorante e a pele. Misturado com o sebo – substância oleosa e amarela, secretada pelas glândulas sebáceas da pele, que impermeabiliza e lubrifica o corpo – esse gel fica particularmente insolúvel na água. Por isso que, na maioria dos casos, uma lavagem normal não dá conta de remover essas manchas. O melhor a se fazer, para prevenir esse tipo de situação, é apenas deixar o produto secar na pele antes de vestir a roupa.

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    No Brasil, de acordo com dados do Datafolha, os odores corporais são preocupação para 77% das pessoas, e 89% afirmam usar desodorante diariamente (por mais que certas manhãs no metrô nos faça duvidar desse dado).

    Aliás, vale mencionar: até onde sabemos, o alumínio presente nos desodorantes não faz mal para a saúde. Desde o início dos anos 2000, porém, circulam rumores de que o alumínio dos desodorantes poderia estar associado a um risco elevado de câncer de mama. Porém, de acordo com as revisões sistemáticas mais recentes da literatura científica, as evidências para isso são poucas e inconsistentes.

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    Fontes: Overview of Active Ingredients Used in Deodorants and Antiperspirants Available on EU Market; Reprodução e caracterização de manchamentos causados por desodorante antitranspirante em malha de algodão buscando melhorar o desempenho de remoção; A novel washing algorithm for underarm stain removal – IOPscience; Correlation between daily life aluminium exposure and breast cancer risk: A systematic review – ScienceDirect

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