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Por que chamamos lixo eletrônico de “spam”?

Entenda como uma marca de presunto enlatado virou sinônimo de irritação na internet

Por Maria Clara Rossini 26 ago 2026, 16h00
Por que chamamos lixo eletrônico de “spam”? Priorizar nos meus resultados Google

SPAM é uma marca de carne suína enlatada dos EUA que surgiu em 1937. Ela era amplamente consumida pelas tropas norte-americanas durante a Segunda Guerra Mundial.

A dificuldade de levar fontes de proteína frescas ao front fez com que o presunto de lata (que tem data de validade indefinida) se tornasse unânime nas refeições. Por meio das ocupações militares americanas nas ilhas do Pacífico, o SPAM entrou na dieta de países como Filipinas e Japão. No estado do Havaí, por exemplo, SPAM com arroz, nori e shoyu é um clássico lanchinho da tarde.

Como o captcha sabe que eu não sou um robô?

Poderia-se argumentar que o SPAM se espalhou pelo Pacífico como o lixo eletrônico se espalha pelas caixas de entrada de email de todas as pessoas. Mas o termo ganhou a conotação cibernética graças a uma esquete do grupo humorístico Monty Python, que foi ao ar em 1970.

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Na cena de três minutos e meio, um casal entra em um café que só serve pratos preparados com SPAM. A atendente repete a palavra SPAM mais de 20 vezes ao listar o menu, causando uma revolta na cliente que não gosta do presunto enlatado. No final da cena, um grupo de vikings canta o verso Spam, Spam, Spam, Spam… Lovely Spam! Wonderful Spam!“. A palavra SPAM ainda aparece diversas vezes nos créditos da esquete. 

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É irritante, repetitivo e consome o espaço de todas as outras palavras ditas na esquete. Nos primeiríssimos fóruns de conversa da internet, nos anos 1980, os internautas(e prováveis fãs do Monty Python) enviavam a palavra “spam” repetidamente para ofuscar as outras mensagens do chat – como brincadeira ou para espantar novos usuários. Em outras palavras, estavam “spamando”.

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Nos anos 1990, a palavra já tinha conotação semelhante à que existe hoje. Ela é usada para se referir a mensagens não solicitadas que brotam em e-mails, SMS, ligações telefônicas etc. Os primeiros spams de grande alcance, com conotação comercial, surgiram no meio da década de 1990.

Embora a Hormel, empresa criadora do presunto enlatado, não seja muito fã da conotação negativa que o termo ganhou, ela incorporou a esquete do Monty Python a sua estratégia de marketing. Atualmente há uma reconstrução do cenário da esquete no Museu do SPAM nos Estados Unidos, e o grupo humorístico já apareceu em edições especiais de latas de SPAM. 

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