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Por que roxo não é usado nas bandeiras de países?

A resposta é simples: era uma cor de tinta cara demais. Veja por quê.

Por Leo Caparroz
Atualizado em 22 ago 2022, 11h16 - Publicado em 19 ago 2022, 10h06

Porque, antes da invenção de corantes sintéticos, conseguir pigmento roxo era extremamente complexo – tornando o uso em milhares de bandeiras uma insanidade de tão caro. A fabricação dessa tinta era uma tradição da cidade fenícia de Tiro, no atual território do Líbano – tão famosa pela tecnologia que o pigmento acabou batizado de “púrpura tíria”.

A púrpura tíria fede a peixe, porque é extraída de glândulas de moluscos mediterrâneos da família Muricidae. Cada molusco gera algumas poucas gotas de secreção – então, para produção em escala comercial, eram necessários milhares de moluscos. 

Coletá-los também não era tarefa simples: a pesca exigia mergulhadores. Isso contribuiu para que a lã tingida com púrpura tíria valesse o seu peso em ouro. Assim nenhum país, por mais próspero que fosse, estava disposto a bancar as bandeiras roxas. Só os nobres, mesmo, conseguiam bancar o luxo. E bancavam: como tudo que é escasso, a púrpura tíria virou símbolo de status. 

O roxo era associado à realeza e à alta classe. Ele só perdeu seu glamour no século 19. Ao tentar sintetizar uma droga para combater a malária, o químico britânico William Perkin percebeu que o seu fracasso farmacêutico, misturado com o álcool que usava para limpar a bancada, produzia uma substância de tom púrpura intenso. Ele batizou o primeiro corante roxo sintético de mauveína e o patenteou em 1856, quando tinha 18 anos.

A partir daí, ficou mais fácil: o roxo passou a ser produzido em massa, e todos podiam ter uma peça de roupa da cor. Só que, àquela altura do campeonato, a maioria dos países já havia consolidado suas bandeiras, ou então suas cores e símbolos nacionais. Apenas dois países com bandeiras recentes aderiram à cor roxa: Dominica e Nicarágua (nesse caso, escondida num arco-íris).

Confira também alguns acontecimentos curiosos envolvendo a cor roxa:

 A rainha Elizabeth 1ª (1533–1603), da Inglaterra, decretou que o uso de seda púrpura era restrito a membros e parentes próximos da família real.

O imperador romano Calígula (12–41) mandou executar um de seus parentes só porque suas vestes roxas chamaram muita atenção durante uma festividade.

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Nero (37–68) fez uma tramoia para roubar comerciantes. Depois de proibir a púrpura tíria, mandou um homem traficar corante para os vendedores – e multou todos.

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Pergunta de Leonardo Caparroz, São José dos Campos, SP

Fonte: The Minoan Origin of Tyrian Purple, Robert R. Stieglitz

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