Rios de cerveja
A criação
Oi, eu o sou o Alexandre Versignassi, o mais velho do Balão.
A ideia pra esse info veio quando a gente tava numa festa na casa do Gabriel, designer e guitarra-base da Super. A gente comentou que as cervejas brasileiras eram todas iguais (big news), mas que agora já tinha supermercado parecendo a Inglaterra, vendendo cerveja de tudo quanto é tipo. Pô. Ordenar tudo num infográfico poderia ser legal… Essa é a parte boa de trabalhar na Super: qualquer assunto pode render alguma coisa pra revista. A parte ruim? É que qualquer assunto pode render alguma coisa pra revista – você nunca para de trabalhar: nem quando tá de férias, nem quando sonha (eu e a minha colega Karin Hueck REALMENTE passamos um mês usando horas de sonho pra apurar nossa capa sobre sonhos – hora extra é isso, amigo da Globo!). Mas a gente gosta de pagar o aluguel fazendo essas coisas – acho que dá pra perceber.
Depois de trabalhar sonhando, então, nada mais natural que trabalhar na festa do Gabriel. Lembrei que dava tranqüilo pra montar uma árvore genealógica da cerveja – existem dois grandes reinos no mundo da cevadis, o das ales e o das lagers. E a partir deles vêm todas as subdivisões. Mas fazer uma árvore genealógica e pronto é coisa de vagabundo.
A gente queria fazer algo realmente legal. E, catzo, que tivesse a ver com cerveja. Ou pelo menos com líquido…
Aí alguém lembrou de outro ponto: cada variedade de cerveja tem uma origem bem específica. As ales de trigo são alemãs, as pilsen são Tchecas, as stouts (Guinness & Co.) são a maior marca da Irlanda depois do Bono…. O info tinha que ser meio geográfico também.
O que poderia ser geográfico, ter a ver com líquido, e, na prática, formar uma árvore genealógica? E agora? Quem poderia nos ajudar?? Foi aí que apareceu a salvação: o fantasma do primário. O esforço que as professoras faziam pra enfiar na cabeça dos alunos os nomes dos afluentes do Amazonas se mostraria útil: a imagem de uma bacia hidrográfica surgiu naturalmente. Era a solução mais líquida, geográfica e genealógica do mercado de ideias.
Aí foi só começar. A Renata Steffen, que você conhece de posts como “2ª Divisão da ONU” e “Os Ingredientes do Corpo” conta o resto.
PS: Não tem TODOS os tipos de cerveja aí. Pura falta de espaço. A opção foi colocar aqueles que dá para achar nos supermercados das cidades grandes do Brasil. Pra isso deu e sobrou. Mas o que eu queria mesmo era um dia fazer uma versão pra iPad, como TODAS as ramificações, mais uma matéria pra cada variedade, um texto pra cada marca que a gente selecionasse… E um botão pro motoboy entregar a cerveja que vc quiser na sua casa, 24 horas por dia. Quem quiser financiar esse projeto revolucionário é só me mandar o dinheiro. Mas cuidado pra não mandar muito. Posso gastar tudo em cerveja.
A execução
Pois chegara aquele momento do mês que designers e editores se reúnem para falar das pautas e ter idéias para a edição. Versi me contou tudo isso que ele contou para vocês aí em cima. A partir disso, e com um pouco da apuração que ele tinha feito, desenhei esse primeiro layout:
Essa era a estrutura básica. Daí a gente precisava pensar em como ilustrar. Pesquisei muitos estilos, e achei essas referências:
Mostrei para o Versi, ele gostou. Então chamei Samuel Rodrigues, ótimo ilustrador, e que já faz um estilo parecido com esse. Ele fez esse teste:
Aprovado o estilo, começa o vai e vem de rafes. O Samuel manda, eu coloco na página, imprimo e sento com o Versi para ver o que deve mudar, o que eventualmente está errado e o que precisa ser corrigido, pois a apuração descobriu falhas. Por exemplo, esse é um dos primeiros rafes do Samuel, ainda bem cru:
E essa é umas das minhas respostas pro Samuel, com correções tanto de informação como de organização da página, para os textos ficarem em lugares legíveis, por exemplo.
Não tenho certeza, mas neste caso, acho que repetimos esse processo pelo menos umas 10 vezes. Não é sempre assim. Essa ilustração não é só uma ilustração, é um infográfico! Isso significa que cada um daqueles desenhos tem um significado, tem uma importância no entendimento do todo. Por exemplo: Samuel tinha desenhado vários raminhos de trigo pela página, mas nem todas as cervejas são feitas de trigo. Por isso, pedimos para deixar esses detalhes só para a região das tipo weiss. Também resolvemos incluir os copos característicos de cada bebida, o que envolveu mais pesquisa.
Para deixar os nossos leitores bem informados e ainda darem umas risadas, colocamos umas brincadeiras no cenário também, como o Bono Vox na Irlanda, sua terra natal, e os Beatles na Inglaterra.
Depois de definir o desenho dos rios e o cenário de cada país, ainda faltava a cor! Cada tipo de cerveja tem uma cor diferente, por isso, corrigimos conforme a bebida:
Ufa! Acho que finalmente acabou…
O resultado final, que você viu na nossa edição verde, ficou assim:
Gostaram?
Alexandre Versignassi
editor
@aversignassi
Renata Steffen
editora de arte
@resteffen














