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A crise, a indústria e a paixão

Editorial da edição de setembro da SUPER

Denis Russo Burgierman, diretor de redação

Não vou tapar o sol com a peneira: você é leitor da SUPER, provavelmente está bem informado e sabe que as revistas estão em crise. No mundo todo há publicações fechando, leitores parando de ler, anunciantes parando de anunciar.

Por sorte, as coisas vão bem aqui na SUPER. Na contramão do mercado, estamos vendendo mais revistas e anúncios do que no ano passado. É assim mesmo, no mundo inteiro: certas revistas sofrem com as mudanças, enquanto outras ficam mais relevantes nestes tempos digitais. A SUPER parece estar neste segundo grupo – ela cresce desde o início do século 21, quando a internet ficou relevante.

Mas a vida aqui não está fácil. São tempos de cintos apertados. Nossa equipe é pequena e tem de fazer muitas revistas com pouco dinheiro. É assim a lógica da indústria: reduzir custos, maximizar receitas, fazer mais com menos. Ok, é justo. Se não fosse a indústria, não haveria SUPER.

Mas não é pela indústria que acordamos de manhã e que passamos o dia dando sangue para fazer uma revista digna de você. Fazemos porque amamos – porque não existe sensação mais maravilhosa do que soltar uma revista no mundo, na esperança de que ela mude a vida de alguém.

Por isso, a gente não deixa a falta de recursos nos desviar da nossa obrigação de fazer uma revista incrível. Este mês, por exemplo, o grande repórter Maurício Horta pegou um busão de São Paulo ao Rio, para economizar o avião, e se hospedou na casa de um amigo, para economizar hotel. Ele seguiu o papa Francisco de perto e escreveu a ótima reportagem sobre o atual momento histórico da Igreja, que você lê a partir da página 66.

Outro apaixonado é o repórter Salvador Nogueira, um dos principais jornalistas de ciência do País. Este mês, ele mergulhou em 2.700 páginas de documentos obscuros, decifrando linguagem técnica, juntando peças de quebra-cabeças, para escrever a reportagem de capa desta edição, sobre os arquivos secretos dos Ovnis no Brasil.

Nas suas mãos, você tem o fruto do trabalho apaixonado – e não muito bem pago – de dúzias de pessoas. São repórteres obcecados, editores perfeccionistas, infografistas brilhantes, designers que trocam a noite pelo dia pelo prazer de produzir páginas lindas e informativas. Obrigado a todos.

Não sabemos qual será o futuro da indústria ou para onde vai a crise. Mas uma coisa sabemos: continuaremos fazendo o que amamos, que é reunir informação transformadora e fazer produtos editoriais irresistíveis, sejam de papel, de byte ou transmitidos por telepatia. Para nós, com crise ou sem crise, com indústria ou sem indústria, o que importa é a paixão.

O que importa é você ficar satisfeito – hoje mais que nunca. Obrigado, de coração, por fazer desta SUPER o sucesso que é.