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Brasil é o país que mais procura por transexuais no RedTube – e o que mais comete crimes transfóbicos nas ruas

A estudante Matheusa Passareli (abaixo) foi morta no começo de maio numa favela carioca. O motivo do crime ainda está sendo investigado, mas o assassinato de trans no Brasil, infelizmente, é realidade comum.

Por Felipe Germano Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 8 Maio 2018, 14h01 - Publicado em 18 fev 2016, 13h00
(Facebook/Reprodução)

Cicarelli tinha 36 anos. Moradora da cidade de João Pessoa, na Paraíba, ela foi encontrada morta durante madrugada do último dia 15. Cicarelli era transexual. Seu óbito é decorrência das 24 perfurações que fizeram no seu corpo, ali mesmo, na calçada de uma loja de sapatos. A polícia investiga se além das facadas, Cicarelli também foi apedrejada. O caso é brutal e, ao mesmo tempo, comum. No último dia 11, a vítima foi Malu, em Maracanaú (CE), em 25 de janeiro foi a vez de Michelly, em Macaé (RJ), no dia anterior havia chegado a hora de Dani, em Rio Preto (SP). Todas trans que perderam a vida no Brasil, a nação que mantém o título de “país que mais mata transexuais no mundo“, de acordo com levantamento da ONG Transgender Europe. Agora, uma nova pesquisa mostra que os brasileiros lideram outro tipo de ranking envolvendo pessoas trânsgênero: nós também somos o local que mais procura por pornografia transexual no Redtube.

O levantamento realizado pelo site pornô não revela números específicos, mas deixa claro algumas características da relação do Brasil com a pornografia. “Você tem 89% mais chances de pesquisar sobre transexuais [no RedTube], se vier do Brasil” afirma o texto vinculado junto com a pesquisa. “Shemale” termo gringo comumente usado em sites pornôs para a busca de vídeos com trans, é o quarto tópico mais buscado pelos brasileiros. No ranking mundial, a mesma pesquisa ocupa o nono lugar. O número aumenta ainda mais quando se analisa as variações do termo, e os regionalismos. Entre os 30 termos mais buscados pelos brasileiros, ainda vemos “travesti” e “brazilian shemale”.

LEIA: Precisamos falar sobre transexualidade

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De acordo com a pesquisa da Trangender Europe, o Brasil se tornou o país que mais mata trans no mundo depois de registrar 604 assassinatos entre janeiro de 2008 e março de 2014. Além dos homicídios, outra violência recorrente às pessoas trans são as agressões físicas. Ano passado, a modelo Viviany Beleboni, que interpretou uma crucificação durante a Parada LGBT paulista, foi esfaqueada na rua após ser reconhecida. Esse tipo de dado nem computado é pela ONG.

A relação entre a transfobia brasileira e as buscas em sites pornôs pode ser encarada de diversas formas. “O site é uma fonte de informações para o agressor saber mais sobre as vítimas – e também para justificar seu ódio, porque lá ele vê coisas que não aceita”, afirma Carmita Abdo, coordenadora de pesquisas sobre sexualidade do Hospital das Clínicas. Também existe o desejo reprimido. “O agressor pode afirmar que sempre achou aquilo bizarro, mas se vê atraído, então, é capaz de fazer de tudo para sanar esse desconforto – inclusive machucar terceiros”, diz Carmita, que ressalva “É importante não generalizar. Não se pode dizer que todos os agressores estão buscando matar algo dentro de si, mas parte desse grupo pode, sim, ter esta motivação. As causas variam”, afirma.

No Redtube, um vídeo com a tag “travesti”, acumula mais de 450 milhões de visualizações. No Brasil off-line, nos primeiros 50 dias de 2016, ao menos 13 brasileiros foram assassinados por não se identificarem com o gênero que lhes foi designado ao nascerem.

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