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E se… humanos tivessem só um sexo?

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 ago 2004, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h48
  • Érica Montenegro

    Esqueça a briga pelo controle remoto e a fila para disputar o buquê de noiva. Ignore a passeata do orgulho gay e o Dia Internacional da Mulher. Abstenha-se de qualquer papo cujo objetivo seja discutir a relação a dois e deixe de lado aqueles livrinhos que promovem a conciliação entre o universo feminino e o masculino. Afinal, na sociedade do sexo único, todo mundo nasce igualzinho e ninguém faz sexo. As pessoas se auto-reproduzem.

    Para garantir a sobrevivência da espécie o novo humano seria fisicamente parecido com a mulher. Isso porque o aparelho reprodutor delas é mais completo que o deles: além do útero, onde o feto se desenvolve, elas têm glândulas mamárias, que garantem alimento ao recém-nascido. “E são os hormônios femininos que permitem a gestação”, diz Carlos Alberto Petta, professor de ginecologia da Unicamp. Mas, no lugar de um óvulo ou um espermatozóide com 23 cromossomos, o novo humano teria um “nóvulo” com 46 cromossomos. Com a carga genética completa, ele não precisaria de um parceiro para lhe fecundar e os seres simplesmente não fariam sexo.

    O presidente da Associação Médica Brasileira de Sexologia, José Carlos Riechelmann, acredita que as mudanças seriam ainda mais radicais no assunto comportamento. Palavras como casal e amor não constariam do dicionário dessa sociedade. É que, em última instância, ao procurarmos uma namorada, nosso objetivo é levar nossa carga genética adiante. Mensagens apaixonadas e flores não passam de um ritual para apagar a luz e rolar na cama. O ser de sexo único não entraria nessa porque não precisaria de um parceiro para ter filhos. Diga aí, que tal a vida sem sexo, comédia romântica e jantar à luz de velas?

    Além de chato, isso pode ser perigoso. Os seres auto-suficientes estariam em perigo de extinção por causa de sua pequena variabilidade genética. O sexo com fins reprodutivos é uma poderosa ferramenta evolutiva. É que a reprodução sexuada garante a troca de genes entre os parceiros e, portanto, permite a variabilidade genética de seus descendentes. “Sem sexo, os seres seriam clones uns dos outros e estariam extremamente frágeis às alterações do meio”, esclarece Nilda Maria Diniz, professora do Departamento de Biologia da Universidade de Brasília (UnB). Então, trate de conciliar as diferenças…

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    Mais Eva do que Adão

    O humano de sexoúnico seria parecido coma mulher de hoje

    Nem tão feminina

    Nós não teríamos o hormônio testosterona, abundante nos homens e que, nas mulheres, está ligado à libido sexual. Assim, o ser de sexo único teria poucos pêlos e voz fina. Já o corpo seria musculoso, resultado das atividades físicas diárias

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    Coisa da sua cabeça

    O ciclo reprodutivo seria muito parecido com o que conhecemos. Tudo começaria com o hipotálamo e a glândula hipófise liberando hormônios que seriam levados pela corrente sanguínea até o “clonário”

    Casa de clone

    No lugar de dois ovários, um “clonário”. Ali se desenvolveriam as células reprodutivas. Elas já estariam “fecundadas” quando atingissem a maturação

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    Ponto Zero

    Sem precisar copular, o novo ser humano não teria necessidade de prazer sexual. Não haveria clitóris, zonas erógenas ou ponto G

    No automático

    Se não houvesse um anticoncepcional para impedir a auto-reprodução, teríamos um filho por ano. O remédio poderia atuar no hipotálamo, impedindo o início do ciclo gestacional, ou no “clonário”, impedindo que o “nóvulo” se desenvolvesse

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    Sem Y

    O “nóvulo” teria 46 cromossomos e nenhum Y. Sem muitas trocas genéticas seríamos clonezinhos de nossas mães. Quer dizer, pais. Quer dizer, pães. Enfim, do(a) nosso(a) gerador(a)

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