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Intervenção no Rio: a arte de enxugar gelo

O Rio de Janeiro gasta R$ 22 bilhões por ano com previdência – dobro do orçamento da segurança pública. E isso não é exclusividade de cariocas e fluminenses

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 19 fev 2018, 14h14 - Publicado em 19 fev 2018, 14h12

O Estado do Rio tem 500 mil pessoas em sua folha de pagamento. Metade é composta por servidores aposentados ou inativos.

O orçamento estadual de 2018 prevê R$ 22 bilhões para o pagamento de aposentadorias e pensões. É o dobro do orçamento para a segurança pública, de R$ 11 bilhões.

Boa parte dessa carga previdenciária vem dos funcionários públicos aposentados com salário integral. A reforma dessa previdência já aconteceu, até. Há cinco anos. Funcionários públicos que entraram a partir de 2013 deixaram de ter direito à aposentadoria integral. Ficaram, como o resto da população, sob o teto de R$ 5,6 mil do INSS – a não ser que paguem por uma previdência complementar estatal, não muito diferente de uma previdência privada.

A bomba das aposentadorias integrais está desarmada há cinco anos, portanto. Mas ela vai continuar explodindo por um bom tempo.

Tanto que o teto hoje do Rioprevidência, para quem entrou no funcionalismo antes de 2013 e vai se aposentar agora, é de R$ 28 mil.

Claro que não se trata de um problema exclusivamente fluminense: um certo Michel Temer, procurador aposentado por São Paulo há 22 anos, recebe R$ 45 mil brutos de pensão.

Enquanto o Estado brasileiro seguir no papel de promotor de desigualdade, e de banditismo institucional, qualquer medida pela segurança pública (e pela saúde, e pela educação) será enxugamento de gelo.

E o único jeito eficaz de estancar as mortes no Rio será nomear como interventor o sujeito que acabou com as batalhas entre facções do crime em São Paulo: Marcola, do PCC.

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