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Nasa faz acordo com marca de cosméticos para produzir publicidade no espaço

Dez frascos de um sérum facial serão enviados à ISS para serem filmados e fotografados pelos astronautas. Veja quais outras empresas já enviaram "mimos" ao espaço.

Por Carolina Fioratti 21 set 2020, 19h29

Foi-se o tempo em que a Estação Espacial Internacional era dedicada apenas ao desenvolvimento científico. Em 2019, a Nasa abriu as portas da ISS para empresas privadas, visando a promoção de novas pesquisas e produtos que contribuíssem para o futuro da exploração espacial. A ideia, por outro lado, parece ter atraído mais marketeiros do que pesquisadores. 

No último mês, a companhia americana de cosméticos Estée Lauder anunciou que, ao final de setembro, deve enviar frascos de seus produtos aos astronautas da estação. O objetivo é emplacar uma propaganda no espaço, usando os astronautas como influencers. Eles dedicariam parte de seus dias a fotografar e gravar alguns vídeos dos produtinhos, gerando conteúdo para as redes sociais da marca. 

Quem está cuidando da burocracia é a Space Commerce Matters (SCM), uma empresa focada na construção do comércio e economia espacial. O plano é enviar dez frascos do sérum Advanced Night Repair. A brincadeira custará nada menos que US$ 128 mil para a SCM, o equivalente a R$ 690 mil. Os astronautas não poderão nem ao menos ter um dia de blogueira, já que os produtos também não podem ser abertos ou usados pelos tripulantes. Dependendo da composição dos produtos, eles podem danificar os equipamentos de filtragem de ar da Estação.

A Estée Lauder não é a primeira a usar a ISS como cenário de propaganda. No final de 2019, a Adidas fechou um acordo com o laboratório da estação para melhorar o desempenho e conforto do tênis de corrida Boost. Anos antes, em 2015, a Pizza Hut também enviou seu produto para o espaço – e claro, registrou a entrega como forma de propaganda neste vídeo

O artista de cinema Tom Cruise pretende rodar um filme no espaço em breve. O anúncio foi feito em maio deste ano. Ainda não há muitos detalhes sobre a produção, mas já foi dito que a SpaceX, fundada por Elon Musk, está envolvida no projeto. Além disso, a história será totalmente nova, e não uma continuação da franquia Missão Impossível.

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  • E há quem queira se aproveitar do status espacial. A marca francesa Toucan Space está faturando com adesivos, patches e cartões postais que dão uma voltinha no espaço. Os produtos são enviados com outros suprimentos essenciais e retornam à Terra para serem comercializados. São itens normais, sem nada de especial em sua composição – mas o simples fato de terem ido ao espaço já faz os preços atingirem as alturas. Um simples adesivo com o slogan “Voou para a ISS” sai por 199 (R$ 1.268). Um marcador de páginas custa nada menos que  299 (R$ 1.905). E por aí vai.

    Desenvolvimento científico 

    Há pontos positivos e negativos no envio de produtos à ISS. Para começar, bastante dinheiro tem sido investido na estação, o que não é pouco. Em 2024, a Nasa deixará de financiar oficialmente a ISS, o que torna qualquer quantia bem-vinda para manter o laboratório em órbita. 

    Por outro lado, os astronautas já têm atribuições o suficiente no espaço para gastar ainda mais tempo dando uma de influencers. Eles devem se exercitar por cerca de duas horas todos os dias para evitar a perda óssea e muscular, que são comuns nestas viagens. Também precisam se dedicar ao trabalho nos laboratórios, mantendo o desenvolvimento científico como prioridade.

    Ao enviar outros produtos à ISS, perde-se também uma parte do espaço nos foguetes, o que significa o envio de menos carga vinculada à pesquisa. Atualmente, a Nasa separa 5% de sua carga anual para atividades comerciais “não científicas”, o que corresponde a até 175 quilos de produtos não essenciais. Além disso, a tripulação direciona cerca de 90 horas por ano a tais atividades. 

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